Ter controle é melhor do que ter autoestima


Se você sabe o poder de se controlar, terá força de vontade para moldar seu comportamento e se sentirá vitorioso. Isso aumentará a percepção positiva que terá sobre você. As pessoas gostam de pessoas com autoconfiança

 Um psicólogo americano,Roy Baumeister, atesta que o autocontrole é mais importante que a autoestima. Defende que o sucesso depende mais da capacidade da pessoa controlar seus impulsos, de adiar o prazer imediato em nome de um objetivo maior no longo prazo. Ele lançou livro chamado Willpower (Força de Vontade), creio que ainda não está disponível no Brasil, mas em breve estará. Li entrevistas concedidas em revistas. Baumeister diz que a autoestima é mais uma consequência do que uma causa. O autocontrole ajuda as pessoas a serem mais bem sucedidas do que a autoestima. E segundo ele, a força de vontade é um dos ingredientes que nos ajudam a ter autocontrole. “É a energia que usamos para mudar a nós mesmos, o nosso comportamento, e tomar decisões”. Entre a teoria e a prática, há muitos chocolates, sorvetes e batatas fritas bloqueando essa percepção científica.

Eu concordo com esse cara, principalmente porque sei o que é ser descontrolada. Uma hemorragia de emoções afeta o equilíbrio e lá vou eu estar a mercê dos impulsos. Sem controle, não há autoestima que aguente. Até os 40 anos, defendia com unhas e dentes a história da sofreguidão de emoções. Eu adoro metáforas. Creio que a vida pode ser sorvida de forma prazerosa como um sorvete de chocolate e não ser cozinhada em banho maria.  Tudo bem para quem quer estar em fogo brando ou esperar passar o templo nublado para tomar uma decisão. Sempre desconfiei de quem pega leve no tempero. Isso é falta de controle e parcimônia. A força de vontade está em saber dosar temperos. Sem glória não existe vitória, como faz questão de dizer sempre Vítor Belfort, campeão de MMA. Willpower é também uma forma de poder mental. Ainda chego lá.

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A interpretação prazerosa de ler um livro


Já postei no blog e repito: sempre gostei muito do autor Irving Yalom, um psiquiatra americano que escreve romances psicológicos com tanta destreza quanto sabe analisar o comportamento humano. Percebe-se isso pelo enredo de seus livros que não deixam de ser uma interpretação do que realmente é a psicologia e a filosofia, porém com uma história condensada dentro de 300 ou 400 páginas. Passa rapidinho a leitura, não parecem livros grossos tamanho o prazer que me dá lê-los. E ao fazer isso, parece que saí de um curso de psicologia, pois aprende-se muito com as frases e o modo como ele ressignifica o pensamento de Freud, Nietzsche ou Schopenhauer. É um de meus autores prediletos.

Quero falar aqui de sua obra: “A interpretação do assassinato”, que  divulga as ideias de Freud e início da psicanálise. Há frases impactantes que fazem pensar. Eis algumas:

-Por trás da imaginação sempre existe um desejo

-Mas também pode haver um desejo de não imaginar

-Toda neurose é uma religião para seu proprietário, Freud dizia que as características que atribuímos a Deus refletem os medos e desejos que sentimos primeiro como bebês e depois como crianças.

– Se uma dúvida é bem fundamentada ela é uma boa dúvida

-O prazer de satisfazer um impulso selvagem e muito mais intenso do que satisfazer um instinto que já foi domado pelo ego

No livro, Yalon detalha o que é “transferência”, essa palavra tão usada em psicanálise que quem não está deitado no divã não compreende ou vai pensar que é transferência bancária. Pois bem, eis a explicação de uma forma fácil de  entender:

TRANSFERENCIA – Fenômeno da psicanálise:  os pacientes reagem a análise venerando o analista ou odiando porque retoma no consultório do analista  os mesmos conflitos inconscientes que causavam os sintomas transferindo para o médico os desejos suprimidos que residiam no núcleo da doença.

Freud descobriu que O mal da histeria consistia em que  o paciente transferia para pessoas novas ou para objetos um conjunto de emoções e desejos enterrados formados na infância e nunca descarregados. Ao dissecar o fenômeno com o paciente – ver e trabalhar a transferência – a analise tornava o inconsciente consciente e suprimia a causa da doença.

(ALGUMAS VEZES NÃO QUEREMOS NOS LEMBRAR DE CERTOS ACONTECIMENTOS PORQUE ELES SÃO MUITO DOLOROSOS ASSIM OS APAGAMOS). PRINCIPALMENTE AS LEMBRANÇAS INFANTIS, A GENTE AS MANTÉM FORA DA CONSCIÊNCIA

PARA FREUD: NÃO SOMOS RESPOSANVEIS PELOS NOSSOS SENTIMENTOS, PORQUE NENHUM SENTIMENTO NOSSO NOS CAUSA VERGONHA.

  • Já Jung diz que o feminino é o intelectual, sensível o bastante para ver o mundo espiritual, mas não forte o suficiente para suportar o peso que ele impõe. O desafio e fazer os dois. Ouvir as vozes do outro mundo, mas viver neste, ser um homem de ação. Bacana, né.

A arte da guerra traz paz


Sun tszu: tenho certeza de que a maioria conhece o autor de A Arte da Guerra. Tenho certeza também que muita gente nao teria paciência para ler o livro inteiro. Entao coloquei umas frases que pincei da obra, as quais julgo bacanas. Mas lógico, elas ficam muito mais elucidativas dentro de um contexto. Por isso, nada substitui ler o autor que continua mais contemporâneo do que nunca porque lucidez pode ser utilizada nas corporações, na universidade, nos conflitos da vida, não necessariamente em tempos de guerra, mas para também manter a paz interna.

Convicçao insuficiente cria a nao convicçao

Quem respira apressado nao dura

Quem alarga os passsos nao caminha

Quem ve por si nao se ilumina

O caminho é invicisvel e nao tem nome

O homem inferior nao houve sobre o caminho, trata-o as gargalhadas

O grande quadrado nao tem angulo.

O grande recipiente conclui-se a tarde

O grande som carece de ruido

A grande imagem nao tem forma

Quem sabe se contentar nao se humilha.

Usar a suavidade se chama força

Quem é bom nao discute

Quem é abrangente nao sabe

Tudo é urgência no planeta emergência


Alice no País das Maravilhas, ao atravessar o espelho, encontra uma realidade simulada, uma realidade que não é de fato verdadeira. Dentro tem um coelho apressado, nos braços de Morpheus, o deus do sono. A pressa hoje é uma característica do jornalismo e do mundo moderno e por causa dessa pressa, vivemos apenas um recorte da realidade. Vivemos num mundo de simulação, o mundo é um simulacro.  Tudo é urgência quando os jornalistas repetem o comportamento do coelho de Alice: “É tarde, é muito tarde”.

Hoje vivemos em universo oceânico de informações porque elas estamos vorazes por novidades e notícias, independente de como ela seja. Também estamos vorazes por consumo, por cultura.

Muita informação leva à entropia e à desinformação”. De fato, muita luz pode cegar e isso ocorre pelo aumento da conectividade e o crescimento exacerbado das redes sociais.

Hoje vivemos a solidão virtual ou a solidão interativa.  Estamos na era 3 c, curtir comentar e compartilhar e isso tem formado um homem cada vez mais narciso e com menos vínculos reais.

Na solidão da multidão em rede, o homem se submete a ilusão do encontro”. Estamos vivendo a era do vazio. E estamos vazios justamente pelo excesso de informações e solicitações nas redes sociais.

O pensador Lipovestky  descreve a sociedade contemporânea como sendo de hábitos a “La Carte”, acreditando que a ‘era do vazio’ esteja ligada a um tempo de desorientação agravada pelo individualismo e pelo excesso de ofertas sobre tudo: viagem, diversão, alimentação, dieta, roupas, carros, etc. Se, ao final desse menu, a satisfação não for encontrada, há ainda opções de medicações, psiquiatras, medicina alternativa e religiões. “Há, portanto, com a sociedade de hiperconsumo, uma fragilização dos indivíduos”.

O jornalismo também está fragilizado.  Hoje vivemos a era da imagem, muito pouca gente quer ler coisas profundas, mas todo mundo ama ver imagens. O jornalismo abre mão do conteudo por imagens. É mais estética do que ética.

Meu trabalho faz um chamado ao resgate da curiosidade jornalística e da produção desvinculada da tirania do fator tempo. Antes de oferecer a notícia primeiro, o desafio é oferecer a mais bem apurada notícia.

Enquanto as imagens apelam às nossas emoções, os elementos textuais apelam ao nosso intelecto. Parece que estamos optando por sentir fortes emoções.

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Admirável mundo hipernovo


 Pela terceira vez reli o livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Talvez pela primeira vez, tenha compreendido melhor. A cada releitura, uma maturidade na compreensão das palavras, por isso tenho por mim que os melhores livros devem ser relidos a cada meia dúzia de anos.

 Huxley diz que seu livro tem um defeito grave, mas que ele n o remendaria em outra edição porque as falhas da narrativa, assim como os méritos poderiam ser apagadas. Em vez de chafurdar no remorso ele preferiu deixar o bom e o mau como estão.

Para ele, o defeito mais grave do livro foi prever apenas dois finais ao selvagem. A demência de uma civilização feita de servidão voluntaria ou se resignar a tribo indígena. Se ele reescrevesse, ele teria oferecido um terceiro final, a sanidade de espirito. O selvagem, que conhecia Shakespeare e era muito mais lucido algumas vezes do que o civilizado Depois De Ford suicidou-se ao final, ele reclamava o direito de ser infeliz.

Na civilização de Ford, o Soma é uma capsula que permite a fuga da realidade, algo como um prozac muito mais eficaz. O soma acalma e reconcilia e ajuda a suportar os dissabores. Na selvageria isso só era possível com anos de treinamento mental.

O selvagem queria escapar da contaminação da imundície da civilização e por isso, antes da morte acoitava-se. O selvagem chamava atenção por ser selvagem. Era um gorila ao lado do seu chicote. Mas o selvagem via os civis como menos humanos e citava Shakespeare para fazer analogias. “para os deuses somos como moscas para as crianças travessas, matam-nos para se divertirem.”

A meta de admirável mundo novo é mostrar que os governantes querem a estabilidade social. Na estabilidade não ha herois nem guerreiros, nao ha espaço para improviso e liberdade. É uma população de escravos que n são coagidos porque amam a servidão amor à servidão passa por condicionamentos que são feitos desde a infância.

O selvagem acha a civilização estupida, animaizinhos simpáticos e inofensivos.

O próprio Ford diria-lhe, a felicidade real sempre parece bastante sórdida em comparação com as supercompensacoes do sofrimento.

A estabilidade nao e nem de longe tão espetacular quanto à instabilidade.

A historia do livro se passa na era 600 depois de Ford, fazendo referencia a Henry Ford e ao fordismo, modelo de produção de automóveis em massa. No fordismo a empresa deve fabricar um tipo de produto e o funcionário deve ser altamente especializado na função e cada função com seu operário.

Depois de 15 anos após ter escrito o livro, Huxley disse em um prefácio de uma nova edição que a analogia n levaria 600 anos, mas apenas um século para acontecer.

Talvez nosso soma n seja mais o prozac e a fluoxetina, mas o Facebook e as redes sociais. Não encetamos nenhuma revolução porque estamos felizes demais conectados, ou então, infelizes, mas conectados e achamos que somos interativos com a multidão virtual. O compartilhamento de ideias e opiniões, todos somos um no admirável mundo hipernovo e hiperconectado. No mundo novo de Huxley, era bem assim também, ninguém podia estar sozinho. A solidão era inadmissível e todos deviam comungar de todos.

Huxley em 1930 quando o livro foi escrito nao previu as redes sociais, mas a morte de Deus, das revoluções, da nobreza e do heroísmo. Em vez de geração y e z, ele falava de geração alpha e ípsilones, estes últimos, nascidos para fazer o trabalho duro e ainda assim serem felizes. A felicidade nesse admirável mundo novo era de uma simplicidade infantil, nenhum esforço nem da mente nem dos músculos. Nosso admirável mundo hipernovo n seria depois de Ford, mas depois do Facebook. ÊEE,oo,Admirável gado novo, povo em permanente postagem é povo feliz.

O saber é produzido para ser vendido


Segundo Lyotard, na pós modernidade,o antigo princípio de que a aquisicao do saber é indissoluvel da formação da pessoa caiu em desuso. O saber é produzido para ser vendido, consumido numa nova produção,  ele é para ser trocado: o saber deixa de ser para si mesmo

Conforme Gui Debord: Tudo o que era vivido diretamente tornou-se mera representação.O espetáculo é o movimento do nao-vivo. O mentiroso mente para si mesmo. E assim, o espetáculo é instrumento de unificação.

No livro O Príncipe Eletrônico (Ianni)  está exposto: Tudo se espetaculariza, tudo se estetitiza. O artefato é eletronico. O arquiteto é eletrônico.

Para Lipovestky, somos mais do que pós-modernos. Somos hipermodernos. Estamos no nível mais avançado  da modernidade, porque a impressão de felicidade  é evidente devido aos avanços tecnológicos, na logenvidade e na liberdade, só que na carona do rabo do cometa, a depressão, a ansiedade e a desorientação desenvolvem-se como pó em estrada de chão. Se sabemos tanto compartilhando a inteligência colaborativa, zapeando pela National Geogrhapic e vendo histórias do início do mundo e da evolução dos povos, porque não estamos mais sábios?

E depois do hipermoderno o que que vem? Estaremos na extratosfera da humanidade ou regressaremos ao mundo dos valores artesanais?  Não se sabem onde vamos, porque se soubéssemos já teríamos ido. Ou então, retornado, evocando um sentimento último de regresso saudável. A terra gira e com ela, a humanidade, eclipsada por essa impressão de extrema felicidade. Uma vez se dizia que a grama do vizinho era sempre mais verde, hoje se pode dizer, o Facebook do vizinho é sempre mais auspicioso.

Um desabafo não pode ser fatal


Uma dor agonizante convive comigo dia e noite. Sou uma pessoa que está cansada da rotina de me ser. Em muita parte do tempo, prefiro idealizar o não-ser. Imaginar a morte como o fim do sofrimento. A vida é um espelho e todo dia de manhã eu tenho de me olhar e ver o reflexo de uma mulher fracassada, amarga e desalentada pela vida.

Aos 43 anos faço um balanço mental do que sou, fazia isso aos 30 e já me apavorava do quão pouco evoluí, mas ainda tinha esperança de ser gente graúda. Agora, dobrando o cabo das quatro décadas percebo o quanto fracassei na vida. Não tenho casa própria, com 22 anos de jornalismo não consegui nenhum cargo de chefia, não consegui sequer ganhar um prêmio na área de reportagem, aqueles que comprovam que somos bons naquilo que queremos ser.
Tenho uma filha de 15 anos para criar e com a minha vulnerabilidade emocional não consegui também fazê-la gerenciar as emoções.
Alem de ser depressiva, ensinei por osmose minha filha a ser.
Sabe, tenho sim inveja das pessoas. Consigo detectar isso quando alguém  comemora a compra de um carro novo e eu fico com meu celta 2001 descascado. Consigo perceber a minha maldade quando me comparo com jornalistas que estão em outro patamar e eu, grameando para me manter sem contas.
Não estou conectada com nenhuma pessoa, não consigo perceber vínculo com ninguém, a não ser com minha filha. Não tenho conexão com a natureza, não me sinto espiritual apesar de gostar do budismo e fazer algumas tentativas anteriores no sentido de ser uma pessoa melhor.  Sou arredia, não consigo abraçar, dizer que gosto, na verdade poucas coisas eu gosto a não ser da minha filha,de ler e de conhecimento.
Sempre odiei a rejeição. É o que mais alimenta minha amargura. Qualquer coisa leva como uma circunstância de rejeição. Se for rejeitada, sou um fracasso, se sou um fracasso não vale a pena, se não valho à pena, sou uma mosca morta num canto de uma sala infecta, invisível ou pior, visível pela menos-valia, pelo fracasso. Eu sou um não ser em vida. Como diz Clarice Lispector, a vida me crava os dentes.
Não pense que essa situação é cômoda e que não quero sair em desabalada carreira para mudar minha voltagem de pensamento, para ter um novo corpo, para me sentir magra, querida como pessoa física e de alma. Mas me sinto rejeitada por todos os cantos, ferida no flanco.
Eu sou tão triste que não almejo ser feliz. Aliás, há muito tempo eu não sei o que  é ter um momento de felicidade, sabe aqueles que a gente quer gritar e dizer: Uau que legal que isso está acontecendo comigo!Como a vida é boa. Obrigada,  Deus. Mas, Zeus, não isso escorre.
Eu sou tãol triste que acho que a tristeza é meu chocolate, virou um vicio. Se ela não está na minha bolsa, na minha geladeira, eu tenho de comprar um pouco. Parece que sou algemada nela. Mas a vida não sai da frente. Eu vivo na franja da dor e queria muito perceber psicologicamente como isso age no meu cérebro, porque tenho de ser assim, uma deficiente emocional. Eu vivo todos os dias um aqui jaz amarrada na vida, desprovida de esperança, nutrida de desamor por mim mesma. Na música, um desamor não pode ser fatal, no meu caso, apenas fadado aos dias sombrio. Meu crepúsculo eu vivo aqui, sepultada em meio à tristeza. O ocaso de uma vida que um dia, para lembrar Augusto Cury, foi um espermatozóide vencedor. Uma escrita densa, vitimizada pela autora. Não se preocupe, isso também passa. Um desabafo não pode ser fatal.

O sendo palpita o mundo


Entre o ser e o não ser, existe o sendo que é a razão de estarmos a cada passo transformando, negando e produzindo sentimentos

Eu entro e saio de mim mesmo perpetuando a sangria desatada de vida. Os doutores elaborariam como ansiedade, os filósofos como o transbordar do pensar, os céticos como atos violentos contra o próprio ser. As vezes me inebrio com meus pensamentos que são tão divergentes quanto um somali comer cup nuddles em delivery dos Estados Unidos. Da divergência, vem o encaixe. Ao perceber o símbolo do perpétuo – a cobra mordendo sua própria cauda – nos damos conta de que os fatos retornam às vezes em atos extraordinários, noutras em noções ambíguas de pensamentos perturbadores. O universo se importa com o sentir e todos os sentimentos do mundo, ambientados em uma população de 7 bilhões de pessoas geram poderes extraordinários dentro de um cosmos que desconhecemos, mas que teimamos em julgar que somos grande coisa numa micropartícula do universo incalculavelmente infinito. Temos o quê da vida? A certeza de que partiremos, mas não vislumbramos essa data e jamais desejamos pensar nela. É dela que floresce o desespero, mas também o alento de constatar que o multiverso age em seu ciclo encantador, propulsor e mesmo, detonador. De paixões, vontades e angústias. De satisfações, altruísmo e veleidades. A vida, assim como a morte, fazem parte do átomo inicial. Estamos aqui para viver esse “big bang” que se repente em seu ciclo infinito. E se é para continuar sendo, vamos continuar sendo queimados, de alegria ou sofrimento. O sendo é um verbo ágil, alquímico, se transmuta em cada instante. Cada sendo é um deve ir, e outro está vindo. Uma propulsão se seres sendo todos dentro de um só em cada um de nós. Sendo nós, desatamos nós.  Encontros que temos com o mundo assim como joelhos que batem na quina da mesa fazem parte do devir. Sendo assim, serei eu mesma, com vocações e inaptidões. O universo me faz ser. E sendo, eu também escrevo e descrevo sensações. Sendo, também não-sou. Todo sentimento não vivido dentro de mim se transforma em um não-vir ou mesmo devir, poderá ser amanhã, mas hoje não mais. O sendo palpita no mundo e paira em todos nós. Raul Seixas “Se sendo é um verbo, prefiro continuar sendo calado”

No balanço da crença, a iminência do Natal


O fim de ano naturalmente remete à reflexão. Fazemos um balanço de como nos comportamos durante os 12 meses, nossas perdas e ganhos, nossas atitudes equivocadas e as acertadas. Afinal, um ciclo está terminando e abre-se outro. Você, mesmo sem fazer aquelas tradicionais resoluções de virada, faz uma lista mental para saber o que desejará no ano vindouro.

Natal para mim sempre foi sem ritos, não costumo perceber o cerimonial que irradia em todas as casas, mesmo com a iluminação específica, pinheiros nos shoppings e guirlandas que ornamentam postes públicos. No entanto, essa tal ponderação que todo o ser humano compromete-se a fazer consigo, eu mesma a realizo muito mais quando vejo os fogos de artifício do reveillón do que na dita festa de Papai Noel.

O que eu penso cá comigo é: com que grau de espiritualidade eu atuei no ano que passou? Costumo lembrar do meu egoísmo, e às vezes da minha falta de fé para comigo mesma. Ao mesmo tempo, minha sensibilidade aflora: penso nas crianças pobres que veem os belos presentes apenas pela vidraça das lojas. Penso na minoria de crianças que receberão um montão de brinquedos a ponto de fazê-los, no futuro, adultos narcisista ou hiperconsumidores.

O Natal, para mim, é sempre um paradoxo, uma gangorra de emoções: de um lado, famílias unidas, alegres e felizes na ceia natalina. De outro, crianças que pedem material escolar como único presente na cartinha dos Correios. Já chorei por causa disso em vezes anteriores e penso: se sou sensível a ponto de chorar, então é porque tenho um pouco de espiritualidade. Mas chorar é suficiente? Espiritualidade está ligada à fé? Não creio que Deus tenha ouvidos para satisfazer sete bilhões de pessoas que existem no mundo, todas elas com um pedido especial. Ao mesmo tempo, se ele é onipresente e onisciente, ele atenderá aos clamores, não só no Natal, mas em todas as épocas do ano. A fé não precisa de data especial para ser revelada. Eu sempre quis ser mais fervorosa nas minhas orações e menos cientifica nas minhas constatações.

A fé tem um componente especial de te dar apoio quando tudo o mais desaba. O biólogo americano Dean Hamer escreveu, em 20005, um livro chamado “O Gene de Deus”. Ele diz que o código genético de uma pessoa determina o tamanho de sua fé. Pessoas com sexto sentido, que sentem uma conexão espiritual com a natureza e com as pessoas à sua volta têm um grau de espiritualidade maior. O autor acredita que há seres humanos predispostos a ter experiências espirituais.

Um ano depois de Hamer ter lançado o livro que causou polêmica a revista Superinteressante trouxe uma matéria sobre o autor e sobre a espiritualidade. No artigo, consta que para os psicólogos modernos, a espiritualidade é um bom canal para o homem desaguar a culpa inconsciente causada por sentimentos como a inveja ou o desejo de ter a mãe ou o pai só para si.

Precisamos ter fé em Deus para poder controlar nossos piores medos e não entrar em desespero total.  Necessitamos da crença também para superar o medo da morte, que seria a maior fonte de angústia do ser humano. “A crença em Deus ajudaria o homem a seguir adiante sem gastar muita energia se preocupando com o momento derradeiro de sua existência”, explica a matéria. Percebo que essa crença eclode no fim do ano e mesmo os céticos, suponho eu, pensam em Deus, se não para reverenciá-lo, ao menos para, novamente, questionar sua existência. Afinal, até não ter fé é uma fé ao contrário. Qualquer que seja o seu lado, nada impede que você faça boas ações neste Natal, no Ano Novo e em todos os outros dias de sua vida. Boas ações dependem mais de caráter do que de crença.

*Revista Profissão Regional/dezembro 2014

A vida fracionada em 8 por cinco


A jornada de trabalho já não é mais a mesma e a convenção da fração 8 horas por dia cinco vezes por semana afrouxa quando se fala em ritmo pós-moderno. Estamos glamorizando novas tendências

 Você é daqueles que acredita que a jornada de trabalho é uma jaula?Estar a disposição da empresa oito horas por dia, cinco vezes por semana, pregado ao fio invisível do relógio na parede o torna um “macaco” infeliz? Cada vez mais o empreendedor pós-moderno dá um jeito na tradição e se solta das amarras das convenções sociais, moldando o seu próprio ritmo.

Fazer do 8 por 5 a fração dogmática de uma vida de sucesso não é mais o sonho de todo mundo. Afinal, sucesso é também fazer o que se gosta e se estamos em uma era diluída de propósitos extremamente restritivos, a condição natural é que se afrouxem as algemas trabalhistas, não em nome de um ócio improdutivo, mas sim de mais eficiência fora de um horário pré-determinado. Uma vida com mais fruição.

Quem viveu os loucos anos 1980  pode conhecer o sentido da música “Rotina” da banda Camisa de Vênus: “Odeio o relógio de ponto, as paranoias depois eu conto”, cantava a banda ironizando a contravenção do esquema fracional 8 por 5.

Oito horas por dia cinco vezes por semana, uma servidão voluntária em nome da esperança de  riqueza ou da sobrevivência. Afinal, quem disse que tem de ser assim? A resposta é rápida e certeira: A Justiça. No Direito, regular a período de trabalho se tornou essencial ao homem.  Há 70 anos, as pessoas trabalhavam muito mais horas por dia em todo o mundo. Se voltarmos mais para trás, há 200 anos, as pessoas e até mesmo crianças, chegavam a atingir picos de trabalho de 16 horas diárias. Aí, então entrou a  Declaração Universal dos Direitos Humanos   promulgada há 66 anos preconizou que “todo o homem tem direito a repouso e limitação razoável nas horas de trabalho”. Com ela veio a Justiça e sim, porque não dizer uma espécie de tédio. Mirar a parede em busca do tique e taque das horas que se arrastam é o enfado feito do fardo justiceiro. Há sempre os dois lados da mesma moeda.  E é por causa dele que as coisas no mundo pós-moderno vivem se adaptando.

Ritmo louco

A geração Y (ou quarentões que pensam como a geração Y) vem quebrando o padrão da rotina trabalhista. Antenados, descolados e controversos a hierarquia, mesmo que seja a da cronologia das horas,  eles dão rumo a um novo tipo de jornada de trabalho: uma jornada customizada, aquela feita à la carte, bem do jeito que  gostam. A internet e as redes sociais ajudam a impulsionar esse novo padrão de vida trabalhista, afinal de contas, encurta distâncias e novos formatos de trabalho se criam por conta da cibercultura.

Com nome de profissão americano, o light designer  André Heuser (37) tem o horário embolado e é assim que ele gosta. O ritmo “Tem dias que não trabalho nada e há outros em que fico 48 horas ligado nas tarefas.” O iluminador de eventos não troca sua falta de rotina por um dia encaixadinho. “Só tive rotina dentro do quartel. Jamais faria isso: bater cartão ou acordar no mesmo horário. Para mim, a vida é louca.”Pela internet, ele compra seu equipamento, algumas engenhocas trazidas da China, outras do próprio Brasil e traça sua própria carreira.  A liberdade de agir e se confundir com hábitos noturnos faz com que ele produza melhor. “O meu trabalho  só aparece quando o astro rei vai embora.” No trabalho, sem relógio de ponto, o astro rei é o próprio Heuser. Orbita em torno de seu próprio deleite luminoso.

rumo ao insucesso

A pesquisadora mineira Betânia Tanure, em seu livro Sucesso e (In)Felicidade expôs uma informação impactante: 84% dos seus executivos investigados estão infelizes no trabalho. O estresse é por conta da competição e da pressão por resultados. Se pessoas de alto patamar corporativo naufragam em um mundo enrijecido pelas horas e pela ditadura do “mais” dinheiro, o que sobra para os que estão no pé da montanha e precisam galgar os estreitos degraus do merecimento trabalhista? Desapertar o nó da gravata e os nós trabalhistas pode ser uma eficaz forma de ver nascer uma nova ordem social trabalhista: assim ninguém fica com cara de doente quando termina o expediente. E como diz o Camisa de Vênus: “não, não pare não.”

Você sabia?

  • Segundo o dicionário etimológico ( que dá a origem das palavras), o termo “trabalho” vem do latim “tripalium”. Eraum  instrumento de tortura, consiste num gancho de três pontas, cuja função é a evisceração ou a retirada e exposição das tripas, região de intensa dor e de lenta agonia. Foi criado e utilizado durante a Inquisição. Para você ver, o trabalho era visto sob a ótica da maldição.

Depois a palavra passou para o francês “Travailler”, “sofrer, sentir dor”, evoluindo depois para “trabalhar duro”. Passando para a Inglaterra, acabou surgindo a palavra “Travel”. Certamente da noção que, nessa época, com poucas hospedarias e muitos ladrões na estrada, uma viagem era algo muito sofrido.

–  O relógio mecânico é uma invenção do século 14, enquanto que a divisão do dia em 24 horas surgiu por volta de 5000 a.C.. A divisão do dia foi criada a partir do meio-dia, quando o sol está a pino: seis partes antes do meio-dia (manhã) e seis depois (tarde). A outra metade, claro, era a noite. Ideia da Babilônia.

REVISTA MAZUP/OUTUBRO 2014

Forjado na revolução da história


Sequestrado no dia do bicentenário da Revolução Francesa, há 25 anos, historiador conta como as revoluções fizeram parte de sua vida e como uma em especial lhe inspirou na trajetória de perseguir verdades por meio da pesquisa

 No  seu  “santuário” literário em Lajeado,  interior do Estado, o professor e historiador José Alfredo Schierholt (80) recebe amigos de longa data, empresários  e figuras proeminentes da região. Ele é biógrafo há mais de duas décadas e se reinventou com a internet. A beira dos 80 anos, o historiador que começou a publicar em máquinas de datilografia, hoje tem um computador no qual se vira para manter um blog, enviar informações atualizadas na sua lista de mailing e realizar obituários de personalidades da região.

Com a biblioteca lotada de títulos centenárias e  arquivos históricos, relatos de batalhas ou histórias de vida,  árvores genealógicas ou trajetórias empresariais, arquivos de jornais para embasar fatos, o professor não desviou seu olhar do futuro. Ao contrário, aguçou. Schierholt  foi o primeiro dos 200 escritores do Vale do Taquari a lançar um e-book em 2007. Com uma visão libertária da internet, o professor que começou a escrever livros após os  50 anos, avisa: “eu não tenho nada contra baixar livros na internet, quanto mais leitura, melhor. Eu quero ser lido.”

A adaptabilidade tecnológica do historiador que todos conhecem por “professor Schierholt”,  não é tão veloz quanto a velocidade da internet  embora  seja tão aguerrida quanto as guerrilhas que ele  pesquisou em sua  carreira. São 14 livros publicados.  Por ser um buscador de verdades, Schirerholt se transformou em escritor-pesquisador.  Poucos sabem que uma revolução tem enorme influência nisso. Uma revolução discretamente comentada, ainda que muito sangrenta e que ao professor não passou despercebida na época da faculdade: A Revolução Federalista.

As revoluções de Schierholt

Como uma revolta armada pode inspirar um homem a se tornar escritor? Porque instiga a busca da verdade que não está evidente.  A Revolução Federalista foi o fio de que desenlaçou a manta para tecer o futuro de Schierholt justamente por ser misteriosa para ele na época. “Foi uma revolta cruel, de irmão contra irmão para derrubar Júlio de Castilhos (O presidente do Rio Grande do Sul na época).  A tal ponto sangrenta que os historiadores a escondem porque ela é uma pecha contra o gaúcho, povo hospitaleiro. Houve degolas. Naquele tempo não aceitavam-se pessoas neutras. Estava-se de um lado ou de outro.” A Revolução Federalista ocorreu  entre 1893 e 1895, dois anos de disputa políticas entre chimangos (a favor do governo) e maragatos (federalistas, queriam o parlamentarismo).

Em Hullha Negra, cidade onde nascera quatro décadas depois da revolta, Schierholt ouvira durante toda a infância sobre a degola de 300 pessoas.  Os relatos  dos “antigos” e as encenações para assustar o menino curioso davam conta de detalhes cruéis da degola, fatos que  marcaram a infância e incitaram o futuro. “Para me amedrontar, os mais velhos encenavam a degola, colocando por entre as pernas a pessoa e puxando a cabeça para trás. Isso me assustava.”

Na escola, aprendeu sobre a Revolução Farroupilha e batalhas diversas. Na faculdade de História, novamente os mesmos relatos, mais aprofundados. Tantas batalhas, mas cadê aquela que ele aprendeu quando menino?

O desafio de procurar a história perdida no sangue oculto o levou a investigar. Se jamais tinha encontrado literatura sobre a batalha local, o que havia por trás do fato?.  “Eu fiz um juramento, queria saber a verdade.” E foi buscá-la.

O livro a Revolução Federalista foi sua segunda obra e a primeira que ele valorizou. Pelo primeiro livro, não havia se afeiçoado.

Aos 53 anos ele veria  nascer  de suas mãos uma obra em memória a guerrilha que tanto o impressionou de criança. Uma pesquisa extensa, feita com a ajuda da mulher Renê Alievi Schierholt e criteriosamente  averiguada nas páginas do jornal O Taquaryense, o segundo mais antigo do Rio Grande do Sul e o único da América Latina a ser produzido de forma artesanal.

A mão do inevitável lhe atingiu. Schierholt foi sequestrado no  dia do bicentenário da Revolução Francesa, há 25 anos, pouco antes de o livro ser lançado.  Sob a mira de três revólveres no banco de trás do próprio carro, o historiador pensou: “não verei meu livro ser publicado.” Uma revolução de ideias se passava em sua cabeça, até que 30 quilômetros adiante, o historiador foi libertado. Os assaltantes levaram o carro.  Ele sobreviveu para receber o aplauso do lançamento do lançamento da sua Revolução Federalista, dois meses depois.

Hoje,  um quarto de século depois, é possível traçar um paralelo entre as revoluções de Schierholt. Sua obra foi concretizada a duras penas, assim como a Revolução  Federalista havia sido sangrenta. “Não me degolaram, mas foi praticada uma violência”, diz o professor a respeito do assalto, o qual lembra em seu blog.

A internet  é sua terceira revolução.  Se libertar da  máquina de datilografar e aderir ao computador, virar pesquisador –blogueiro e lutar de igual para igual com escritores da geração Y e Z o torna um combatente no front literário.  São 14 livros lançados até hoje e um futuro incerto quanto ao seu acervo. Mais de mil livros em obras de pesquisa.  “Estou com 80 anos, para onde isso tudo irá?” Ele busca um lugar público para que as obras possam ser lidas, folheadas, pesquisadas.

O professor também está preocupado com a escassez de pesquisadores no interior do Estado e a falta de biógrafos na região dos Vales. Quem fará o trabalho dos obituários quando os que aqui estão se forem? Quem atualizará os verbetes locais? Quem colocará nos dicionários regionais as personalidades para que a história perdure e seja lançada na memória do tempo?

Schierholt, o homem que um dia foi todo do papel, volta sua mira para o virtual. Ali, a memória persiste. Mas é preciso formar pesquisadores para fazer o trabalho humano, demasiado humano.

  Frase

“Eu quero ser lido, por isso me adaptei a internet. Não  estou interessado na venda do livro virtual, eu quero ser lido. Acredito que a internet tem que ser aberta, sei que tem pirataria, mas quanto mais leitura melhor”

(José Alfredo Schierholt)

MATÉRIA GENTE QUE FAZ/OUTUBRO 2014

Vida editada


Percorro os olhos pela internet e vejo um título em citação: “Uma vida simples é mais feliz”. Teria passado batido não fosse o autor da frase, um arquiteto canadense. Por que cargas dágua um arquiteto, que contempla espaços radiosos,inocula anseios de amplitude e verte o glamour em casas alheios realçando o bem viver em mármore teria dito tal premissa?

A resposta veio logo abaixo: Graham Hill, que é o nome do renomado profissional, percebeu que a simplicidade lhe torna mais feliz porque ao começar a viajar apenas com duas malas , se sentiu mais contente. Constatou então que a vida tem mais a ver com experiências, flexibilidade e tempo do que com dimensões gigantes. E olha que ele já chegou a morar em uma casa de 300 metros quadrados. Hoje sua habitação tem 39 metros quadrados.

Mas ele quer mais, ou melhor, quer menos. Está construindo no Brasil a versão de um apartamento de 19 metros quadrados. Quantos passos poderia se dar em um espaço diminuto? Eu fiz a conta, cada dois metros, oito passos bem apertadinhos. Com certeza não daria para pular corda e colocar uma sala de jantar para oito lugares seria uma estupidez. O fato é que satisfação não ocupa lugar. Hill, no engajamento de criar ambientes sustentáveis e defender moradias exíguas, passa a mensagem de que o desapego é a melhor forma de viver. E então caro leitor, quando os humanos se livrarem da obsessão imperiosa de fazer na casa mais um “puxadinho”, terão o deleite de sossegar numa morada apertadinha. “ Eu uso o necessário, somente o necessário…Por isso é que essa vida eu vivo em paz”, lembram da música de Mogli, o menino-lobo? Serve bem no contexto.

É claro que o projeto de Hill é articulado na visão de um profissional de renome mundial: cama embutida, armário- parede são alguns dos conceitos arquitetônicos de Hill e como para viver é preciso lazer, ele esquematiza um jeito de armazenar bicicleta e prancha de surf em seu apartamento. Para você compreender que viver somente com o necessário tem também uma tremenda dose de organização. Logo, o projeto não é tão barato assim. Mas aqui a mensagem é viver a “Vida Editada”, termo aliás que ele cunhou ao nominar sua empresa “LifeEdited”.

Julguei interessante o lifestyle do arquiteto, mas só fiquei convencida de que há vida feliz em lugares espremidos quando ele me mostrou o outro lado. “Nos Estados Unidos, as famílias estão menores e estão morando em casas três vezes maiores do que nos anos 1950. Mas os níveis de felicidade são os mesmos. Então acho que basicamente confundimos felicidade com ter coisas”, disse ele em uma entrevista ao Uol. Se você lançar o nome de Hill no Google, verá inúmeras referências a ele e ao seu modo de vida. Vislumbrará imagens de apartamentos e os julgará atraentes. Mas, se você tivesse oportunidade, teria mesmo coragem de morar em um local de 19 metros quadrados? Me pergunto e digo “não sei”. Mas então lembro da musiquinha de Mogli e vem um alento: “Eu uso o necessário. O extraordinário é demais.”

Entre os meus prazeres dominicais, circulo pelos bairros nobres da cidade avistando casas que para mim são mansões lajeadenses. Com o dedo em riste, indico para minha filha, eterna parceira de passeios arquitetônicos: “veja que bela”, “a imensidão desta da esquina” ou “esta é ainda maior”.

Em cada mansão “à la Vale do Taquari”, imagino um profissional bem sucedido: “talvez esta seja de um médico ou advogado. Talvez esta, de um empresário proeminente.” O fato é que em todas caberiam muito bem meus armários de sonhos e minhas escadas de desejos. Porém, seriam muitos tijolos a galgar na minha modéstia vida de jornalista para chegar a ter uma residência. Eu ainda estou no fio da calçada. Caro leitor, cronista é humano e escrever é se expor. Chame do que quiser o meu sentimento sobre casas grandes. Denomine de inveja se assim lhe aprouver, essa raposa danada que às vezes arreganha os dentes para a gente. O fato é que, se fosse fácil, uma vida editada como de Graham Hill teria todo o carma bom para se viver em paz num cantinho do céu. . Afinal de contas, é a vida lá fora que nos impacta, não importa se for compacta.

O que Lajeado tem em comum com Springfield, dos The Simpsons


A mensagem da televisão é a extensão da linguagem falada. A semiótica dos Simpsons é familiar com o meio real. O publico realmente reconhece os personagens como representantes de um certo segmento da sociedade americana.

Mas será que não poderia também representar uma cidade do Brasil, como Lajeado, a 110 quilometros da capital e com 80 mil habitantes? Vejamos.

  • Sprinfield é decididamente uma cidadediznha americana e este é um dos motivos porque a família desestruturada de Simpsons funciona tão bem, porque estão em uma pequena cidade em que as instituições governas suas vidas, enfim, não são distantes. Os amigos da escola são os mesmos dos bairros. A política é uma questão local. O prefeito é um demagogo, mas pelo menos é um demagogo de Sprinfield. Ali, ate as forças da mídia são locais.

A serie e vista como uma manifestação da ideologia capitalista. Rir das piadas dos programas seria rir das contrdições do capitalismo. Os Simpsosn celebra a família americana, uma família que se mantem unida e sobrevive apesar de tudo.

A rebelião de Bart é o tipo de rebelião segura que a classe dominante tolera como uma válvula de escape para evitar uma rebelião maior.. A popularidade de Simpsons comprova que estamos satisfeitos com a ideologia da America moderna, rimos porque ficamos chocados com a cegueira. O Simpsos floresce porque o sofrimento não é levado a sério.

Racismo, venda de armas, corrupção política, brutalidade policial, sistema educacional ineficiente, tudo pode servir de alimento para a comédia. Tudo é tolerado e não mudado.

O desenho não critica, mas com tudo isso ate promove a ideologia dominante, vendendo camisetas, chaveiros, lancherias, videogames

Entre Springfield e Lajeado há mais coisas que supõe nossa vã filosofia

 As diferenças e semelhanças entre uma cidade fictícia americana e outra real de terra tupiniquim vão muito além do que produtores de desenhos animados mostram no estereotipado The Simpsons. Os próprios produtores sabem que a vida imita a arte e vice-versa e usam todo o arsenal de criatividade para humanizar o desenho e porque não dizer caricaturar o real. Ocorre que semelhanças e diferenças são equacionadas somente em cidades americanas, mas Lajeado apresenta muitas das características sociais e comportamentais de uma Springfield em uma pátria de chuteiras.

  • Em termos de semelhanças, há que se notabilizar o tamanho das cidades: Springfield é pequena, não se sabe quantificar o número de habitantes, já Lajeado conforme dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) tem hoje cerca de 80 mil pessoas.
  • Os sonhos da classe média se realizam em Lajeado devido à expansão imobiliária. Há apenas 0,04 por cento de zona rural. Logo é uma cidade essencialmente urbana e cada vez mais horizontal. A prefeitura de Lajeado concedeu, em 2013, 1 270 alvarás para a construção civil. Pelo menos três inícios de construções, no ano passado, foram autorizados pela prefeitura, diariamente. Esse “apetite” por construções não está enraizado nos episódios dos The Simpsons, embora não há nada que o diga que existem problemas de habitações na pitoresca cidade americana.

  • Há que se levar em conta ainda a sociedade: tanto em Springfield quando em Lajeado há pessoas virtuosas e viciosas. Uma pessoa virtuosa exerce virtudes, sendo assim temos em Lajeado, as amigas do Hospital Bruno Born que levam bem estar e roupas aos doentes necessitado. Há também instituições de caridade que cumprem seu papel social levando benemerência aos menos abastados. Em Springfield, a metáfora da instituição virtuosa está vinculada na figura de Lisa, a filha de Bart Simpson, que devolve a carteira com dinheiro a rua e se sente contente com seu ato ou ajuda a atravessar o idoso na faixa de segurança. É também estudiosa.

O caráter vicioso está atrelado aos defeitos de caráter, paixão por apetites, consumo de comida e bebida e em Springfield neste caso temos o próprio Barth Simpson, que se achasse uma carteira na rua se adonaria sem perceber estar cometendo uma falha de caráter.  A gula também é parte integrante de seu caráter e seu nome é sinônimo de comida e cerveja. Em Lajeado, a analogia pode ser feita com o número de mortes violentas atreladas ao uso de drogas. Só em 2014, mais de 30 pessoas foram assassinadas e os homicídios sugerem ligações com o tráfico de drogas. O alto consumo de bebida na noite lajeadense também é um traço de uma cidade viciosa, como tantas outras, aliás.

A sociedade americana costuma ter uma relação de amor e ódio com pessoas intelectuais. Neste sentido, Lisa seria a rata de biblioteca, a que tudo lê e que com sua sabedoria e instrução, poderia ser considerada uma “elitista”. Em Lajeado, essa relação é similar. Hoje em dia alunos que leem livros clássicos são considerados “nerds”. Assim tanto em Springfield, quando em Lajeado e no Brasil, há certo respeito e ressentimento em relação aos intelectuais.  Os Simpsons ilustra de forma hábil essa ambivalência americana que encontramos aqui também.

Com os olhos postos em Lajeado


Jean Zagonel, 28 anos, diretor comercial e de comunicação da Construtora Zagonel começou a trabalhar na construtora Zagonel aos 10 anos como oficce boy. Levava os malotes para p banco. “Eu passei e todos os meus irmãos passaram.”

Começou como oficce boy, passou para estagiário de desenho porque mexia no corel draw e fazia criações. Depois, foi deslocado para ser auxiliar de escritório na fábrica de esquadrias. Havia em situações em que ajudava a descarregar os caminhões. “ Ali, assumiu como gerente da unidade. “Se volto no tempo, percebo que era despreparado, mas aprendi muito com as pessoas.”Acredita que foi imporante passar por todas as etapas. O que lhe ajudou a despontar na liderança foi um processo de coaching que lhe ajudou a botar ordem nos pensamentos. Depois da marcenaria, seguiu sua trajetória na Construtora, onde comanda a parte comercial e e marketing da empresa. Também gerencia a estrutura de vendas com as imobiliárias.
Formado em Adminsitração e especialista em Comunicação e Marketing, gosta de aliar os campos, áreas em que tem toda a sintonia. “Eu vejo muito erro em comunocação, de as pessoas julgarem que comunicar é criar, mas comunicação é transparência.

Jean se comunuca muito bem e tem um gerenciamento humanos para com as pessoas. “Quando penso em pessoas voulembrar da origem dos meus pais, que sçao filhos de agricultores.” Os ensinsamentos são herdados. Os valores da empresa são valores arraigados da casa do nonno e da nonna, imigrantes italianos que laboravam na lavoura. “valors de não desperdiçar, de fazer a coisa certa, fazer uma vez só. Minha nonna pode falar de sustenbilidade, ela sim gerava um centésimo de resídos do que eu gero. Sustenabilidade virou uma palavra da moda, mas minha família já praticava: se dá para fazer algo gastando menos luz e material, porque desperdiçar material.”
Eu tento enxergar os valores da construra e acredita que com eles em mente, se gera a autonomia necessária para uma empresa alçar voo com autonomia. O preparo dos gestores é fundamental, depois da experiência em que acredita ter sido inábil na marcernaria da família, aos 20 anso, Jean traduz a receita de um filho sucessor de êxito: “Preparo, Estudo. O dinheiro pode ter sido contado para várias coisas, mas para capacitação nunca ouvi um não de meu pai. Tombar tombos também é valido para olhar para dentro de si. Ele diz que a sucessão está ligado a capacidade de separar o lado afeitvo do lado familiar. “A continuidade esta ligada a separar o lado afetivo do profissional, uma empresa familiar e normal que venha a relação da família para dentro da mesa de trabalho, e uma disciplina que deve ser imposta e melhorada.”
É preciso profissionalizar a sucessão e ter um autoconrole para cirar regras para privilegiar a empresa que deve estar acima da família. “Ela é a nossa chefe, porque se a família tiver a frente da empresa, esta pode ter um desempenho ruim, as retiradas podem prejudicar e comprometer a saúde financeira e sem dinheiro na empres acaba com a família. O contrário não, uma empresa bem organizada não gera transtornos.

Liderança nata
Como brota a liderança em Jean Zagonel é algo que para ele gera reflexão. “Penso poruqe eu sou assim, de querer fazer, acreditar no positivo e julgar que dá para melhorar as coisa. Lembrei que na escola, indignava-me com colegas que não prestavam atenção em aula. Chegava em casa e reclamava com o pai. Ele me dizia, não importa que as pessoas façam isso. Você precisa ser uma liderança positiva. Isso talvez influenciou a minha formação.
O pai foi o grande coaching quando ainda não existias a moda do coaching.
Eu gosto de mudança e sei que qualquer uma delas tem problema
Jean tem um perfil proativo, persistente e de positividade e isso o ajuda a ganha visibilidade no mercado. Faz as coisas porque se sente incomodado com as coisas. Espanto causa mudança, é a faísca inicial da transformação. “Eu creio que a visibilidade é o retorno do fazer, percebo que muitas vezes as pessoas querem fazer para ser visto como. Mas é preciso fazer porque isso te toca. É preciso fazer porque as coisas mexem com você, você precisa se colocar nas pessoas e não auxiliar apenas para ser considerado uma pessoa melhor. Eu acho que tem de se sentir incomodado com a coisa.
Foi vice-presidente nacional da câmara junior e participa em va´rais gestões da vice presidência da acil.

Pensa lajeado
O que o espanta em Lajeado e a percepção de as pessoas reclamarem do local onde moram, parece que o conhecimento e a capacidade das pessoas anda na frente e a cidade está aquém do conhecimento e da capacidade das pessoas. Falta uma sociedade colaborativa. Sempre se espera que a administração faça, grandes coisas não foram feitas por políticos e governo, as coisas são feitas pelas pessoas. “quem faz as ações são as pessoas e se ela não conseguem se reunir e propor, nada acontecerá.” As pessoas devem ser protagonistas do que é de responsabilidade dela. Se o buraco está na rua, o que o cidadão pode fazer para que a prefeitura atenda melhor a demanada.
O que o espanta em lajeado é também nome de um projeto de iniciativa dele,surgida nas redes sociais: o pensa lajeado, um nome feito para provocar os cidadãos a se engajar em uma cidade mais humana e ativa, com mais alteridade, capacidade de mobilizar socialmente sua população. O pensar lajeado promove reuniões abertas com profissionais da comunidade.
O projeto tomou uma repercussão que ele não esperava. Os painéis de capacitação incentivam as pessoas a melhorar a cidade. Ele chama os sonhadores. “Eu gosto dessas pessoas, são elas que tem capacidade de mudar.”
Projetar a cidade para o futuro, preparada para acolher pessoas, pensar soluções visando o olhar globar. Pensar em um projeto exequível para as cidades. Sonhos que se sonham juntos que se tornam realidade. Hjr, o pensar lajeado promove um painel mensal que servem para capacitação de pesosas. A meta expor asideias e levar adiante o trabalho. Nos queremos criar um masconte, uma figura que educa e interaja com as pessoas.
A intenção é envolver as redes sociais para que se engajem pessoas no projeto. Uma comunicação baseada na irreverencia e na escuta, não apenas ouvir, mas atentar para o que as pessoas querem realmente dizer.
Uma ideia fabulosa foi aventada: criar ciclovias as longo das Apps nos rios, é uma forma de atrair turistas, de fiscalizar o rio, de saúde e lazer. Pousadas e restaurantes no caminho. Se calcularam uma ciclovia de teutonia a lajeado e de lajeado a porto alegre. “É uma economia limpa.”
Tantos sonhos e desejos, força aguerrida para levar adiante a liderança em meio a um grupo ativo. Hoje o pensar lajeado é feito por um grupo de pessoas que vai para batalha, que quer transformar, o projeto virou um sonho coletivo. “eu tenho uam crença, acredito que as ideias devem ser construídas pelas pessoas e não por polítivo, assim quando ela cresce, ela fica legitimada pela sociedade.’
O pensar lajeado é um ponto de encontto para pensar e ouvir, poder levantar divergências.

Curiosidades que ele descobroi
Lajeado é formada por uma mistura, por migrantes que vieram de fora. As pessoas vem para ca e compram essa cidade então elas querem fazer algo para melhorar. A responsabilidade do pensar lajeado é grande.

Teatro na obra com sua gestão humanizada, não fui eu que inventei o teatro, basta dar abertura. Quando a gente provoca inovação e dá ambiente, as coisas acontecem.
Eu penso: como vou fazer para deixar a minha empresa aberta a ponto de os colaboradores da obra poderem falar, como não intimidá-los e deixa-los vir a sala de reunião. Como criar esse ambiente, este é o gancho.

É um critico ferrenho ao culto da autoridade, ele acredita que a hierarquia destrói governos e sociedades, talvez por isso ele se tornou líder.
Quebrar hierarquia e tirar as divispirias e amarras invisíveis que engessam. Quem ficar pensando com a cabeça de organogranma: direto, gerente, estagiário, vai ficar para trás. Ele gosta do modelo de time. Quem não for para esse modelo, terá problemas.
Ele é tão aberto que dá alideança para estagiário. Coloca a estagiária como coordenadora de projetos, este é ume xemplo de atuação de times.
Quanto mais mistura melhor, esqueça departamentos, quando mais mistura melhor.
Se eu puder ter para fazer o projeto de um prédio um filosofo, um arquiteto e uma nutricionista, imagina como sera o projeto desse prédio.


REVISTA GENTE QUE FAZ

Coração soturno


Até quando pode se estender um ciclo de dor. Quando ela se torna seu dedo mindinho, tirá-la se torna mais doído do que deixa-la.

Paradoxos da existência porque não gosto de ser proxeneta da felicidade. Sinto que sou mais cafetina da melancolia, do que um rufião do deleite vívido da vida arreganhadamente risonha.  Não há mais cor, uma zona lúgubre se projeta em minha aura, em minha alma, sem que eu tenha necessariamente a chamado. Chamo a solidão, essa coruja que adora dormir de dia e me sondar noturnamente com seus jovens infantes e pesarosos pensamentos. A coruja, prima-irmã da sabedoria, me concede inteligência intrapessoal. Fico cavoucando meu sótão íntimo, achando bagulhos guardados em um grande baú. Armazena-se em mim toda a entropia de pensamentos, alguns estão cheios de pó, outros vem embrulhados em fitinhas de presente, mas quando os abro, percebo que foram adquiridos no 1,99. Eu me entupo de ideias, sabe-se lá se elas deturpam minha visão ou abrem o caminho para aperfeiçoar minha lucidez. Num mundo que vive de reflexos no espelho, me desnudo inteiramente pinçando minhas próprias imperfeições.  Não creio que seja bom valorizar tão imperfeitas ideias sem ter com o que contrabalançar, afinal de contas o ser humano é movido a gratificações. Apesar de ser prisioneira de um coração soturno, também preciso alvejar meu lado bom e confesso ser um tanto cegueta nesse item.  Então, sem uma equivalência, despenco no orifício de piche que me assola e desossa como pessoa.  Leio filosofia para ter assertividade nas escolhas. Ocorre que ou você filosofa ou você tem fé.  Quanto mais Nietzsche e Schopenhauer você ler, menos Deus estará presente.

Então quando me pego no vazio desesperador, sufoco Nietzche e tento me apegar a uma fé divina.  Orar é um bálsamo, mas parece que solapei isso também.

Quando me devoro, quero orar e quando elevo a mente a Deus, me lembro que o mundo tem sete bilhões de pessoas, todas avidamente requerendo todos os tipos de bênçãos. Esse é um pensamento automático em mim: vou rezar, lembro da África, da Etiopia, de Serra Leoa e do vírus ebola. Lembro até dos fanáticos por futebol, dos torcedores do Grêmio e do Inter, cada qual deles, reza devotamente a Deus para ganhar. Deus só pode atender um lado. Então minha fé se esvai como água na pia da cozinha. Deus não tem tantos ouvidos e se tiver deve enlouquecer porque os pedidos são incessantes dia e noite. Não há tranquilidade para o Todo Poderoso. . Eu não tenho como concorrer com Serra Leoa nas orações. Eu guardo para mim o que eu pediria e meu baú de ideias fica cada vez mais cheio, sem jeito de despejar, assim a vida fica menos heroica, não menos estóica. Uma rapsódia paranoica. Sem poesia, com fragmentos de languidez que se soltam durante o dia, até o dia terminar e começar tudo outra vez.

Precisamos de chips emocionais


Na feira do livro de Estrela, Augusto Cury foi um estrondo. Cultuado como um dos autores que mais vendem livros no Brasil, não foi diferente aqui pelas bandas do Vale do Taquari.
Quem o conhece de perto consegue assimilar o fenômeno editorial que ele é. Total autocontrole de seus sentimentos e mesmo necessidades: o autor e psiquiatra não arreda o pé de sua mesa de autógrafos até que zere a fila. Para todos, tem uma palavra de conforto e pede o nome e autografa com o maior zelo. Com voz clara, macia e articulada, fala sensatamente e vagarosamente como se fosse para você assimilar as palavras.
Na feira, ouvi muita gente indo conversar com ele, em busca de conselhos. Vi uma mulher chorando, talvez naquele momento ela precisasse apenas das palavras dele para “ser dona do seu próprio eu”. Ser autora de sua própria vida como Cury tanto salienta.

Eis aqui o que ele me disse, num breve papo sobre pós-modernidade
“Nós não estamos avançando na medida da nossa tecnologia. Não estamos acompanhando emocionalmente o ritmo do desenvolvimento tecnológico, os chips, a era digital. Demos um salto dantesco na tecnologia, mas para gerenciar pensamentos e se tornar autores de nossa própria história estamos quase no tempo da pedra. Não desenvolviemntos ferramentas para apefeiçoar intelgiencia sócio gerencial para termos emoção saudável, uma mente livre e criativa, numa sociedade altamente estressante. As estatísticas revelam que
Nós tomamos o caminho erraddo: uma em cada duas pessoas cedo ou tarde desenvolverá um transtorno psiquiátrico, 80% dos jovens desenvovlem sintomas de timidez ou insegurança, 80% dos executivos são despedidos do mundo coportativo por falta de habilidades sócio-emocionais. Esses numero revelma o impasse da sociedade moderna.
Eu tive o privilegio de ddesenvoler uma das poucas teorias mundiais que estuda o funcionamento da mente, a consturção de pensamentos e a formação do eu como autor da prorpia história. Essa teoria derivou a Escola da Inteligencia, que entra na grade curricular com uma aula por semana justamente para ensinar crianças e adolescentes aquilo que os adultos não aprenderam, a pensar antes de reagir, a expor e não impor ideias, a colocar-se no lugar do outro e a gerir nossa prípria mente, empreender, trabalhar sonhos com disciplina, consciência critica.”

Deixe a literatura bater na sua cara


Duca Leindecker tem 43 anos, se não me falha a memória, minha idade. Na Feira do Livro de Estrela, eu o senti como um garoto da geração y. Com gírias, visual descolado e entrando no mundo do jovem, Leindecker consegue estabelecer uma comunicação eficaz não só porque não faz gênero, mas sua originalidade descolada é como um imã para estudantes que estão no Ensino Médio.
Acrescenta-se a isso, a tão fascinante música. Música que leindecker faz tão bem, soa como bálsamo para os ouvidos e com esse bálsamo, ele aos poucos vai direcionando o papo de música para a literatura e assim consegue versar sobre duas coisas importantes com um diálogo uníssono.
Eu perguntei: Você chega nos jovens por meio da música?
“Talvez eu consiga me comunicar com eles por isso sim. Também tento me comunicar através das brincadeiras. Isso é a prova de que o problema obviamente não é a literartura. É a porta de entrada que se faz com as coisas deem certo. E a porta de entrada da literatura destoa muito da realidade deles. É preciso criar uma porta mais atraente num mundo de internet e de games. A literatura é muito interessante, mas ela tem que parecer muito interessante.
Fui vencendo essa barrereira com o público. Desenvolvo esse bate papo desde meu primeiro livro , fa 15 anos. Fui vendo como é chegar na gurizada para ela ouvir o que você tá falando.”
Obviamente o papo encerrou com música. Com voz e violão sentando no sofá Romero Britto que ele mesmo elogiou, deixou sua marca: “Deixe o sol bater na cara”. As palmas irromperam pelo salão.

“Não vou queimar meus filhos”  


O carro vermelho estaciona na frente do cemitério. São 18h de segunda-feira, uma semana após o Carnaval. Cabelo Chanel, vestido florido e um balde verde, a senhora perde-se entre os túmulos. Abre a torneira, debruça-se sobre a sepultura de mármore e limpa como se fosse o assoalho de casa.

  • Oi tudo bom, posso conversar com a senhora, pergunto
  • Fala, diz ela, acessível

  • Hoje, em uma segunda-feira, por que a senhora limpa o túmulo?

  • Minha mãe morreu em 26 de dezembro e a gente voltou da praia na sexta-feira e eu não consegui  vir antes.

Ela me conta que possui oito familiares enterrados ali. E que visita o local toda semana. Desde que o pai morreu, há 40 anos. Tem pai, mãe, irmã, sobrinho, tias. Eu me surpreendo quando ela diz que todos são limpos todas as semanas. Com dois baldes, panos e água, a senhora tira o pó e coloca flores novas.

  • A senhora tem consciência que isso não é algo que todo mundo faz?, indago espantada
  • Tem  gente que nenhuma vez por ano. Tenho um monte de tios. Eu compro flores e coloco  porque meus primos não vão visitar (os túmulos).

  • O espírito de religiosidade vem da infância. “Eu tenho fé, fé, fé, fé”, enfatiza a doce senhora. Semanalmente, vai à Igreja, hábito tão arraigado quanto limpar túmulos. Moradora do Bairro Moinhos em Lajeado, diz que deixou de frequentar o templo da Matriz, em razão do inchaço do estacionamento. Mudou de casa de Deus, mas não de fé. O senhor aceita todas as orações.

    Voltando ao papo da  limpeza, ela me garante que carrega sempre dois baldes. Cada “assepsia”  dura 20 minutos. No total, gasta uma hora e meia fazendo “faxina” nos mortos. Em algumas sepulturas demora mais, em outras nem tanto. “Algumas (sepulturas) tem pedrinhas”. É que no lugar de tampo de mármore, as mais antigas são cobertas com minúsculas pedras brancas, logo não necessitam tanto tempo para limpar.

    Eu pergunto como quem não quer nada: A senhora gosta de ficar no cemitério?

    Ela é convicta: – Eu não gosto.  Só  faço isso por aqueles que me deram tudo. É, uma homenagem. Tem gente que não valoriza. Morreu, morreu. Minha filha diz que quer ser cremada, eu digo que não. Jamais vou te queimar.

    • A senhora não vai “queimar” nenhum filho?
  • Ninguém dos meus. A cremação é o extermínio do corpo.

  • Percebo então que a senhora de fé é também inflexível com os filhos de Deus. Cutuco:

    • E a senhora nem aceitaria doar órgãos dos filhos?
  • Já me cogitaram. Depende do momento, hoje  tu me pergunta eu digo não. Não ia deixar arrancar os olhos, o coração. Não. Eu nem entendo porque minha mãe está aqui embaixo.

  • Mas a sua fé em Deus é muito forte?

  • A fé e o amor são duas palavras fortes, para quem acredita. Olha o jovem, o que é o jovem hoje…

  • Ela deixa no ar, o que pensa da juventude. Nem tão no ar assim. Continuo:

    • O jovem não limpa  túmulo…
  • Não vejo ninguém mais limpar!

  • A chuva começa a cair de mansinho, talvez para ajudar a aposentada de 64 anos a limpar sua mãe.  Eu me despeço. Penso que ela também iria embora. Ela me diz:

    • Eu agora vou lá embaixo limpar meu irmão
  • Com chuva?, pergunto

  • Eu não tenho medo chuva!

  • -Boa limpeza então – me despeço

    • Obrigada, tchauzinho. Bom trabalho

    Lá se foi a senhora loira, entre os jazigos com o balde verde limão. A chuva caía às 18h30 min da tarde. Ela não queria queimar e nem doar os órgãos dos filhos. Foi zelar o irmão que jazia putrefato, socado ao chão. O céu azul escuro caindo para a noite, dava o contorno dentro do muro da cidade dos mortos.

    O pecado da Maçã na sala de aula


    Com o iPhone (que representa o mundo do “eu”. “Eu telefono”), alunos desvirtuam a atenção das aulas. Narciso está em voga no homem automático e cambiante, entusiasmado com engenhocas modernas. Gui Debord revela que a sociedade do espetáculo é a nova forma de controle social. Menos educação, mais servidão voluntária.
    Invocada em um campo de excessos de solicitações, não há concentração em aula para a fórmula de Báskara, a Revolução Farroupilha ou a cadeia alimentar biológica.
    O iPhone – que aqui significa uma metáfora das novas tecnologias – leva a poderosos processos virtuais dentro da sala. Em escola, o poder da Apple (que pode ser a Maçã do pecado na sociedade touch) comprova o vigor “selfie” nas páginas de Faceboook e nos aplicativos What’s up ou Snapchat. A moda é touch. A escola ainda se faz com giz. A mudança de postura do docente é desafiadora neste momento, mas fundamental para imprimir um novo ritmo ao ensino. Refletir a atuação do profissional em ensino e o comportamento da sociedade pós-moderna é o caminho para um saber de melhor qualidade. Os recursos midiáticos podem ser mais do que engenhocas de tecnologia de dispersão. Se o mundo está tecnologizado, a escola que é a incubadora do conhecimento deve levar o saber a poucos toques da sociedade em rede, tornando assim, a sapiência transformadora.

    A fantasia do eu


    Se transformar em um personagem para poder viver algo diferente e dar vazão a desejos inconscientes. A proposta da Festa à Fantasia envolve um lado psicológico que muitas vezes não nos damos conta. O homem que veste-se de super-herói pode esconder o anseio de ser mais forte e poderoso. Ás vezes poder utilizar uma fantasia é mostrar um lado que a pessoa no dia-a-dia não revela. Muitos desejos ocultos ganham vazão ao serem incorporados a uma fantasia.

    Nem todo mundo escolhe uma fantasia para poder colocar para fora seu desejo inconsciente, mas existe sim, aqueles que a utilizam para isso. Uma mulher que escolhe uma fantasia lúdica, como a Branca de Neve ou Chapeuzinho Vermelho extravasa seu lado criança.  Vestimentas pueris podem estar ligadas a uma personalidade imatura. São mulheres que querem colocar para fora o seu lado infantil. São fantasias que protege um pouco mais, ao contrário de outras, porque existem mulheres que se expõe totalmente”.

    A ala feminina que adere a fantasias sensuais tem o objetivo de despertarem a atenção para o sexo oposto. Esse fascínio por vestir um personagem e adotar uma conduta mais liberal  vem da antiguidade. Na Europa, as pessoas faziam baile de máscaras. E disfarçadas, elas faziam o que seus impulsos as impeliam a realizar durante aquele momento. Para os mais jovens, a azaração é a tônica da noite. Na maioria das vezes, a busca por “algo diferente”  está relacionada ao flerte.

    Em festas do tipo, não existe espaço para julgamento. As pessoas estão ali para se divertirem e por isso não condenam atitudes alheias. Por outro lado é possível que o arrependimento venha no dia seguinte, para a menina que teve comportamento de risco ou extravasou suas fantasias beijando demais, da mesma forma que o rapaz que bebeu de forma exagerada e bateu o carro.

    O segredo está nas perguntas


    Minha filha Marianna adora teatro. E angustia-se com a possibilidade de não ser uma boa atriz. Então ela estuda, investiga e analisa seus personagens, nunca os julgando suficientemente satisfatórios. Há algo de genético nisso, eu também quando tento me aperfeiçoar, possui um perfil autoditada. Busco a autoaprendizagem e neste sentido a internet pode te intelectualizar, uma vez que você saiba o que buscar e como perseguir as informações.

    Surpreendi minha filha lendo perguntas para compor um personagem e admirei-me da profundidade das questões. Muito mais do que elaborar um protagonista, as perguntas podem ser respondidas para se autoconhecer. Na verdade, elaborar um personagem com as indagações existenciais é um processo de coaching e você pode aplicá-las para sua vida e otimizar seu processo existencial. Aqui estão elas.

    • Que tipo de parto você teve?
    • (Fácil, Difícil, Normal, Cesária, Hospital, em Casa, Outros)
    • Em que ano nasceu e onde?
    • Que tipo de humor o faz rir?
    • (Sádico, doentil, clownesco, cartoonesco,etc). Pense em duas piadas que fariam o seu personagem rir.
    • O que o faz chorar?
    • (Funerais, casamentos, Acidentes, outros). Liste 3 situações que fariam seu personagem chorar.
    • A – Como você ganha a vida?
    • Como você se sente sobre a sua mãe?
    • (Amor, respeito, ódio, Medo, Ect)
    • E sobre seu pai?
    • Qual o esporte que mais gosta de assistir?
    • Qual o esporte que mais gosta de participar?
    • Qual seu programa de TV preferido?
    • Quando teve relações sexuais pela primeira vez?
    • Com quem?
    • Aonde?
    • O que o deixa muito bravo?
    • Qual sua cor favorita?
    • Se tiver, qual sua afiliação política?
    • Você faz apostas?
    • (Sempre, nunca, raramente, compulsivamente, etc.)
    • Você tem filhos?
    • Você gosta de crianças?
    • Qual sua religião?
    • Católico, Protestante, ateu, agnóstico, etc.
    • Qual a coisa mais excitante que já te aconteceu?
    • Qual a coisa mais traumática que já te aconteceu?
    • Que tipo de lugar você mora?
    • Apartamento, casa, tenda, veículo, hotel, barco, etc.
    • Descreva sua casa em detalhes.
    • Já teve algum mal físico? Descreva-o e diga seus efeitos duradouros.
    • Já se apaixonou? Se sim, por quem e quando?
    • Se você fosse o mestre do Universo, diga uma coisa que você mudaria.
    • Descreva seu mais recente sonho.
    • Você fuma?
    • Sim, não, bastante, Cigarro, charuto, cachimbo, etc.
    • Você usa ou já usou:
    • Maconha, LSD, Cocaína, Haxixe, etc. Se sim, qual sua opinião sobre drogas em geral, e sobre as que você usou.
    • Liste 3 fracassos.
    • Qual sua meta de vida?
    • Como se sente sobre cada personagem que você encontrou.
    • Qual seu atributo mais forte fisicamente? Rosto, corpo, músculos, olhos, pernas, etc.
    • Qual a coisa que você menos gosta em seu corpo?
    • Qual seu atributo mais forte? Honestidade, Perseverança, etc.
    • Qual seu traço de personalidade mais fraco? Preguiça, Perfeição, Raiva, etc.
    • Selecione uma música que tenha a ver com você, personagem. Pode ser qualquer estilo, jazz, tango, funk. Todo mundo tem um tema na vida.
    • Se você tivesse que mudar de vida com alguém, vivo ou morto, homem ou mulher, quem seria? Tipo Marylin Monroe, Buda, etc.
    • Após uma situação de grande carga emocional como uma discussão, um orgasmo, um acidente, ganhar muito dinheiro ou conseguir um aumento, como o seu corpo reage? Relaxado, excitado, esgotado, fatigado, amargo, suado, etc.
    • Se você pudesse mudar um coisa em sua vida, o que seria?
    • Você é uma pessoa agressiva ou passiva?
    • Qual sua linguagem corporal?
    • Ereto. Reto. Duro, curvado.
    • Qual seu método preferido para conseguir o que você quiser?
    • Liste 3 comidas preferidas.
    • Como você descreveria sua vida sexual? Traumática, excitante, chata, não existente, fantástica, etc.
    • Que jornal você lê?
    • Qual foi o último livro que você leu?
    • Quem é seu ator preferido?
    • Se você pudesse se transformar em um animal, um peixe ou pássaro, qual seria?
    • Que clima você prefere?
    • Quente, frio, úmido, seco.
    • Como você gosta de se vestir? Chique, simples, estiloso, casual, sexy, outro.
    • Como você protege seus sentimentos de aparecerem?
    • Como você se dá com o sexo oposto?
    • Como se sente sobre a morte?
    • Tem medo. Espera ansciosamente. Nunca pensou nisso. Com raiva. Outro.
    • Você já esteve com alguém do mesmo sexo que o seu?
    • Já foi casado ou viveu com alguém?
    • Descreva como o seu personagem vai morrer.

    A náusea que nos salva


    Eu existo na medida que penso, o problema é que na hora de pensar eu odeio existir. Ao odiar a minha existencia pensando, dou prova de que continuo existindo e quanto maior for meu ódio no pensamento por existgir, mais intensamente estou existindo. A náusea sou eu…

    (Para quem compreender Sartre sob o ponto de Clovis FilHo)

    Sexta feira para ouvir Clovis de Barros Filho e pensar sobre a existencia: Eu sou meu pensamento e o pensamento não para de pensar, por isso nao me detenho. Porque na hora de me deter, meu pensamento já esta pensando.

    Agora leio Comte Sponvile.
    Se esse cego recuperasse a visão, ele seria loucamente feliz, simplesmente por enxergar! E eu, que não sou cego”, comentava cá com meus botões, “devia ser loucamente feliz por enxergar!” E eu achava – é a ideia ingênua que evoquei – ter descoberto o segredo da felicidade: eu seria doravante perpetuamente feliz, já que a visão não me faltava, já que eu via! Tentei… Não funcionou. Porque, tão certamente quanto ser cego é uma infelicidade, o fato de enxergar nunca bastou para fazer a felicidade de quem quer que seja. Todo o trágico da nossa condição se resume nisto: a visão só pode fazer a felicidade de um cego. Ora, ela não faz sua felicidade, já que ele é cego e a visão lhe falta; e não faz a nossa, porque enxergamos e, por conseguinte, a visão não nos falta. Não há visão feliz, em todo caso não há visão que baste à felicidade.

    Toda competição é uma usina de distribuição de tristezas


    Já deixei registrado aqui a minha admiração pelo professor Clóvis de Barros Filho, um filósofo-educador que me inspira e me alegra em momentos que me deixam cabisbaixa. Clóvis fala de encontros com o mundo, eis que a vida – citando um termo spinoziano de que ele tanto gosta – é feita de uma sucessão de encontros com o mundo que te aumentam ou diminuem a potência de agir. E sempre que o encontro, à distância, nas video-aulas que ele generosamente distribui em seu site, meus choques planetários são amortizados pelo elan vital de suas palavras. Ele me ensina a refletir sem mesmo saber que eu existo. O jeito como coloca palavras e como as fala novamente de uma outra forma, para que seus alunos saibam aprender bem e de novo e de novo, me toca porque me desconstrói e reconstrói. Então eu quero aqui postar citações que me marcam e para quando eu não lembrar, poder resgatá-las e pensar na capacidade de raciocínio deste grande homem, que não apenas ensina, mas educa para vida, quando os ouvidos são atentos. Eis aqui um pouco do que ouço dele.

    • “Toda competição é uma usina de distribuição de tristezas. Para a alegria de um, 31 se decepcionam. Mas esta copa está sendo diferente. Muitos derrotados não saem perdedores. Porque suas vitórias são construídas na sua dedicação, no virtuosismo de suas atuações e não no resultado que atingem.
      As condições de produção da conquista antecedem qualquer resultado. Estes derrotados já venceram, na excelência de suas ações, tudo o que precisavam vencer.
      Assim também é na vida. Vencer não é um resultado, mas uma longa e árdua construção, que pouco tem a ver com a conquista derradeira, e muito tem a ver com a construção de valores, hábitos e práticas excelentes, que pavimentam o caminho para qualquer vitória. Toda vitória é anterior a ela mesma. (Clóvis de Barros Filho)

    • A potência são os fragmentos do mundo; é so uma questão de instante. A potencia nos identifica, são nossas ilhas afetivas.

    • Humildade é a tristeza consigo mesmo.

    • Todo ser humano, em realidade, anseia por um sentido pelo qual valha a pena viver e lutar, uma tarefa valiosa para cumprir. Quem consegue descobrir o seu sentido de vida, consegue ser forte nas maiores privações da vida, porque tem um motivo para lutar, um razão para sobreviver, uma vez que encontrou o seu sentido.

    Sentir


    • Sentir é um poder extraordinário, frio quente, seco ou molhado, liso ou áspero, triste ou feliz, se pudesse apalpar o sentimento, seria algo tão tremulo as vezes, inebriante em outras ou escorregadio em algumas outras mais.

    • Loucura é bom, ruim, ou assim assado. Os loucos gritam quando são contrariados. Eu falo alto com uma convicção que não tenho, mas como os outros compram a ideia, eu continuo agindo assim. Dá certo. As vezes eu penso que estou ficando louca de verdade. Me desfragmentando de mim. Eu me sinto enlouquecendo e bate um medo terriível. Mas meu psiquiatra me tranquilizou: “o principal sintoma de que você não está enlouquecendo é pensar que está.”

    O prazer imediato e o duradouro


    Era uma tarde de verão, um tanto angustiante porque a agonia me flecha certeiramente todos os dias da minha vida, como se fosse meu cachecol de inverno e minha t-shirt no verão. Eu então fui levar minha filha ao psiquiatra nesta mesma tarde, porque a angústia pode contagiar, ela cerca os nossos entes queridos e se você não a dissipa com uma boa argumentação,ela será parte integrante do seu ser.
    Então, o psiquiatra que lutou para angariar esse status na vida, já que veio de família simples e estudou muito para conseguir seu consultório, dá uma rica lição de vida, tão forte quando sua própria força em se tornar médico. Eu grave no celular suas palavras, mas mesmo que não tivesse o recurso tecnológico, elas estaria marcadas. Eu então percebi que foi mais do que uma conversa de divã sem divã, foi uma aprendizagem para a vida.
    Eis aqui o me tomou de assalto e palavras que seguidamente replico para minha filha porque essa mensagem deve servir de estímulo aos mais jovens.
    “A pessoa tem que aprender a abrir mão de obter satisfacao imediata por impulso. Se vc conseguir fazer isso, depois de um tempo vc vai colher coisas muito prazerosas, um prazer verdadeiro e duradouro. Quando a pessoa tem maturidade e autocontrole bom consegue enxergar isso.
    Hoje eu não vou ter o prazer de acessar o facebook, mas daqui a um mês eu vou ter um prazer muito grande porque se eu estudar eu vou ir bem nas provas. Isso e inevitavel. Se a pessoa abre mão de um prazer imediato para canalizar sua energia para a meta, isso sempre acontece. Canalizar para coisas construtivas, elas acontecem. O impulso é algo que o dependente quimico tem muito. Quando consegue controlar esse impulso, econsegue coisas boas na vida, passar no vestibular, passar no concurso, conseguir um emprego super bom. As pessoas que passam em concurso e vestibular são pessoas que conseguiram abrir mao do prazer imediato.
    Na verdade é isso que diferencia as pessoas, que vai ser um trabalhador braçal de ummédico ou engenheiro. De repente os dois estudaram no mesmo colegio, tiveram as mesmas oportunidadss, so que o primeiro nao conseguiu estudar por horas a fio, preferiu jogar futebol na mocidade. Numa certa fase da vida ele vai olhar para trás e pensar: se tivesse estudado mais, podia dar uma vida melhor para os meus filhos. O homem que nao se deu bem na maturidade, trocou uns três anos de boa via na adolescencia, fase em que teve uma satisfacao muito grande, e abriu mao para o resto da vida de colher coisas boas. Se em vez da juventude vc abrir mão do prazer imediato e se focar para metas positivas, ler, estudar, pars o resto da vida colher coisas boas, enquanto as outras vao amargar fracassos. Aos 14, 15 anos e a fase da energia e da formação da personalidade e e agora que o risco e maior, e que vc tem que aprender a lidar com os impulsos, porque depois sera mais fácil passar por eles.”

    Para Doxos


    Sempre fui de paradoxos. Posso fazer até uma doxologia sobre eles. É de Deus, de herois, de homens comuns, paraxodar a vida é não deixar morrer a palavra. Li por aí que o  paradoxo é uma das mais sutis figuras de estilo, e consiste basicamente em dizer ao mesmo tempo uma coisa e o contrário dela. É uma frase que detona a si mesma, que se contradiz com firmeza e em voz alta. Parece um contrassenso mas, dito da maneira certa (e lido da maneira certa), acaba parecendo a única maneira correta de dizer aquilo. 

    O paradoxo talvez seja um modo de desentender as coisas ou entender invertido, o que nao é nada ortodoxo. Morrer de alegria nunca foi meu chão. Mas é um jeito distinto de definir minha melancolia, que às vezes me alegra e me bronzeia como a mesma melanina da tez pálida.Se contradizer criativamente é sem sombra de duvida a mais incrível forma de dizer a que se veio de forma literária. Todos meus doxos para os paradoxos. Toda doxologia para o escritor Chesterton que sabia desvendar o raciocínio invertido.Uma googleada, e a arte do ensaísta se sobressai nas frases online, ainda que ele esteja na vida off line:

    Louco não é o homem que perdeu a razão. Louco é o homem que perdeu tudo menos a razão.

    Não há assuntos pouco interessantes; apenas há pessoas pouco interessadas.

    Cheguei à conclusão de que o otimista achava tudo bom menos o pessimista, e o pessimista achava tudo ruim, menos ele mesmo.

    O jornalismo é popular, mas é popular principalmente como ficção. A vida é um mundo, e a vida vista nos jornais é outro.

    Os homens que realmente acreditam em si mesmos estão todos em asilos de loucos

    “Otimista é o indivíduo que julga que tudo está bem, salvo o pessimista. E pessimista, o indivíduo que julga que tudo está mal, menos ele próprio. “

    FRASES ATRAVES DO ESPELHO


    É verdade que vocês são tão desconfiados que lá por dentro de vocês fica tudo negro?

     

    A menina suspira: gostaria de conhecer qual a sensação de ser adulto

     

    Ser adulto é um estágio no caminho para nascerem mais crianças

     

    Quando deus criou adão e leva eles eram duas criancinhas curiosas que subiam nas arvores e brincaram naquele jardim grande que ele acabara de criar.  Afinal de que adianta ser dono de um grande jardim se não há crianças para brincar nele?

     

    Vocês seres humanos compreendem as coisas só em parte. Vocês enxergam tudo num espelho, num enigma

     

    O mundo e criado de novo cada vez que uma criança nova vem ao mundo. Nascer e o mesmo que ganhar de presente o mundo inteiro

     

    Eu estou aqui só desta vez e nunca mais vou voltar.

    Agora você está na eternidade. E a eternidade sempre volta, eternamente.

     

    O planeta toca sua própria musica

     

    As vezes a gente tropeça nas palavras

     

    O tato é uma fina capa de pele, que envolve o corpo dos humanos, desde a cabeça até o dedo dos pês. Quando eles comem, sentem o gosto da comida com o corpo inteiro.

     

    Sentir é um poder extraordinário, frio quente, seco ou molhado, liso ou áspero, triste ou feliz, se pudesse apalpar o sentimento, seria algo tão tremulo as vezes, inebriante em outras ou escorregadio em algumas outras mais.

     

    Quem vai adivinhar que antigamente o mundo inteiro pendia no meu pescoço?

     

     

    Há uma grande travessura fervendo no caldeirão da criação: aqui na terra tudo pode ser destruído com muita facilidade

     

    Nova geração de idosos ambiciona autonomia


    No panorama da maturidade, o Brasil envelhece, mas não se mantém conservador. Idosos se modernizam. Informações, atividades e vaidade compõem itens de que eles se ocupam em clínicas e lares de repouso.

    Paulo Felipe Fleck tem 77anos e subiu quatro vezes as pirâmides do Egito na década de 1950. “Três milhões de blocos de pedra levados pelo homem para fazê-las. É uma maravilha”. Com o jornal em mãos, o idoso mora em um lar de repouso com gente igual a ele. O saudosismo pelo Egito é flagrante, contudo, mira para frente saudando o futuro. Soldado do Exército Brasileiro participou das forças de paz da ONU aos 20 anos. Nessa idade foi enviado com 8 mil soldados ao deserto do Sinai a fim de ajudar a controlar as fronteiras egípcias contra a invasão russa, Fleck viveu a maior experiência de sua vida e apaixonou-se pelo Egito. “Fui à cidade dos reis, em Tebas.” Naquela época havia escassos turistas e o deserto pressionava. O relato de Fleck é articulado, apaixonado e detalhado. Á beira de ser um octogenário, o ex-soldado informa-se sobre o Egito, colhe notícias na TV a cabo, jornais e rádios sobre seu país adotado.
    É um homem preocupado com as depredações no mundo. Um idosos antenado, ainda entusiasmado com o espírito do tempo.
    Fleck faz parte de uma nova geração de idosos. Modernos. Sabem que a velhice faz parte roda da engrenagem do tempo e ao contrário de prostrarem-se diante do inevitável, entusiasmam-se com o que o mundo lhes oferece.
    A enfermeira Jenifer Prass, dona de três lares de idosos em Lajeado enfatiza ser tendência idosos procurarem abrigos por si só. “Eles visitam as casas, falam com os filhos e voltam.”.
    É uma preocupação recente e cabível, moldada aos novos tempos, em que a longevidade média do brasileiro atinge 74,8 anos. Há 40 nos, a expectativa não chegava há 60 anos, segundo o Instituto de Geriatria e Gerontologia (IGG).
    Os 70 anos são os novos 60. Em razão da longevidade, as creches ganham cada vez mais clientes. As três estruturas de Jenifer estão lotadas. “É muita demanda.” No lar da enfermeira, a hidroginástica entusiasma aqueles que gostam da prática na piscina no verão Atividades físicas, duas vezes por semana. Televisão a cabo é imperativo. Cada um tem um jornal.
    “O idoso moderno surpreende”. Quer convivência e atividade. As informações são para focar a saúde. Gostar de estar atentos a alimentos saudáveis.
    Autonomia é a característica de um envelhecimento ativo. “Hoje o vínculo com a família é diferente, é afetivo sem dependência.” .

    Quarta idade

    Em 2010, Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, por meio do Censo, registrou um aumento de 64% no número de pessoas octogenárias. No Vale do Taquari que possuía 6.481 acima de 80 anos. Esse novo mapa da longevidade representa a chegada da “quarta idade”, que no Brasil começa na oitava década de vida. A população dessa faixa aumenta, mas o desafio não é apenas viver mais e sim viver com qualidade de vida. Conciliar bons hábitos com envelhecimento saudável é tarefa que eles zelam.
    Aos 91 anos, Almira Endres é um retrato bem acabado da geriatria Moderna, independente e vaidosa. Unhas pintadas, brinco de pérola e visita aos salão de beleza a fazem referencial no lar de idosos Santa Rita de Cássia, em Lajeado. Foi a primeira cliente há três anos. “Eu havia publicado um anúncio sobre a clínica Almira telefonou, veio até aqui de táxi, conferiu a casa e trouxe seus pertences no outro dia, depois de falar com a filha”, resume Jenifer. Sua característica meiga conquista os colaboradores. Sua aparência mignon e resultado do cuidado com alimentação. Quando assiste teve, vem à insatisfação. “A corrupção está horrível, como eles conseguem fazer estes complôs?” A pergunta é um enigma tanto para jovens quanto para velhos. Mais longeva do que dona Almira.

    Sabedoria

    Para a enfermeira Jenifer, vínculos sociais renovam a geração de idosos que vem por aí. Leitura e atividades são itens importantes para a vida de qualidade. A sexualidade na terceira idade, antes um tabu, agora é celebrada. Maria Julita Dalferth trabalhou 26 anos como doméstica. Aos 71, quer paz e amizade. Viúva há uma década, Maria Julita morou nove anos sozinha. Independência lhe ajudou na rotina do dia a dia: fazer sobremesa, ir ao médico e lavar roupa.

    A baixa visão no olho esquerdo não lhe desanima de enxergar a vida como um privilégio na sua idade. Rádio e rodas de diálogo, piada vez ou outra e Julita é a mascote da casa. Solidão é uma palavra abstrata para a sábia ex-doméstica. Ela se reconcilia com sua. “Tem gente que pergunta como eu posso ser faceira, não adianta eu espernear, se foi escrito isso, eu aceito”. A gratidão e a lucidez de Maria Julita a tornam uma avó filosofa. Aceitar as coisas como elas são, palavras de Nietzsche.

    Mulher de carga perigosa



    Nívia Fischer tem 31 anos e trabalha há cinco como única mulher condutora de cargas inflamáveis na região

    Em frente ao trabalho de Nívia Aline Fischer (31) uma placa tem liberais garrafais: “Atenção, saída de cargas perigosas”. Nívia é a única caminhoneira da região que transporta produtos inflamáveis e perigosos. “Cargas que explodem com uma faísca”, explica sem se impressionar a trabalhadora que está no meio há cinco anos.
    Com uma boleia inflamável, uma filha de 14 anos e um marido azulejista, a “caminhoneira” é toda cuidado. Jamais levou multa, concentra-se na direção e faz da profissão um sacerdócio. “Hoje eu não a trocaria por outra”.
    Nívia dirige um caminhão toco 14 18, tanque para dez mil litros de óleo diesel: carga inflamável número 3. Quanto menor o número, mais perigoso. Se o diesel entrar em combustão, o incidente pode ser fatal.
    A motorista já se familiarizou com a função e repara. “Há muitas mulheres que dirigem caminhões”. É hora de retrucar: Nenhuma conduz cargas explosivas.
    Com um ar de timidez, a condutora responde: “Muitas delas entregam currículos. Entram em contato para uma indicação”. Nívia permanece exclusiva no meio de mais de 90 motoristas. Ela diz que o clima é amigável, não existe rivalidade e nem discriminação. A gentileza masculina não chega às regalias. “Cada um faz o seu”, salienta.

    Caminhão toco

    Nívia dirige o caminhão toco com a mesma destreza com que coloca o uniforme azul masculino. Atua hoje na Transportadora Arco. Todos os dias, cedo da manhã, recebeu seu itinerário. Transporta até Pântano Grande, a mais distante ou Nova Bassano e Arroio do Tigre. Um dia inteiro na estrada.
    Chegando aos municípios, descarrega o produto com motobomba em tonéis. Nívea abastece o Transportador Revendedor Retalhista – as ditas empresas TRR- que entregam óleo diesel diretamente na lavoura.

    Aprendizagem e dificuldade

    Em cinco anos, Nívia aprendeu a conhecer os municípios da região.
    Anteriormente, foi uma mãe preocupada com a filha e em avançar na função.
    “Com uma caminhonete 915, distribuía tomate e aipim, recolhia frutas nas lavouras”, conta. O veículo mudou e a responsabilidade também. Ao ter seu currículo selecionado, Nívia fez curso de cargas inflamáveis e aprendeu que a combustão está no fluxo de veículos, perigoso, irritado, irrequieto. É do que ela teme. “A dificuldade é o trânsito, em Lajeado está horrível”.

    A vida assim, se for assado, morro queimado


    A loucura faz piruetas no meu balanço. Ergue labareiras  no meu foguinho de chão e eu pululo gotejando suores louca para pela não me pegar.Opa, louca, olha eu aí. Miro ao redor, e ela como um vulto se enrodilha como um cachecol de inverno. Eu, sujeita a loucura mansa. Eu sujeita de mim mesma. Sujeita duvidante. Mas onde que um louco pode ser sujeito: A desambientação da loucura ocorre por ambiente, eu quero tirá-la para fugir do rótulo. Não, corro sem dó, ela está no meu encalço. Ela não se desintegra. Sorve um pouco da minha sopa, uma sombra que realça o meu humor. O louco nao tem direito a ser personagem, antes é o próprio personagem. Um ser esvaziado. . Mas como cogito da loucura, então estou a salvo dela. Um louco real não é capaz de duvidar. Se cogito,, logo penso. Algo pensa em mim. Sou um sujeito duvidante. Vivo e morro fazendo planos sobre dúvidas. Indubidavelmente, a loucura me deixa em paz porque a ultrapasso pelo raciocínio, nem tão lógico, mas racional. Um continunoum da dúvida afima a existência do cogito. Descartes, tu a minha loucura. 

    Minhas inquietudes se instaruam na exuberância de ideias que vou tendo a medida dos encontros com o mundo. Crio, costuro crônicas, não guardo palavras para mim. Sou artesã que  tricota minhas próprias histórias e pensamentos com dedos as vezes titubeantes, as vezes furiosos nos teclados de uma vida moldada por histórias de autores com os quais me dou bem. Entorno bibliografias como um bebum engole a pinga com o prazer visceral da cachaça artesanal. Não é loucura. É deleite.É companhia, Uma das minhas únicas ultimamente. Vogais e consoantes, minhas amigas de tempos infantis. Só a elas conto meus segredos mais ternos e eternos. Me abro, absorvo e me sinto eu mesma. Só assim, tenho coragem de dizer a vocês como me sinto. Por aqui. Me abrindo, sem cogitar, com a escrita. No mais, cogito sempre. E se me ergo, descarto, Descartes. Eu existo quando sinto. É a sintonia dos afetos.

    Cabide


    Estilo, estilo, estilo. Todo mundo quer ter um estilo, mas ninguém mais tem identidade. Nosso RG desmonta no compartimento de uma Victor Hugo. E nossas unhas pintadas de azuis arranham a moda, passamos acetona na personalidade. Somos um gancho de açougue. Um cabide de pretensa felicidade. Pós-modernidade. Rima real.

    ALICE NO PLANETA MIDIÁTICO


    O novo homem narcisista, das redes sociais e a pouca curiosidade do jornalista. Hoje a sociedade vive um estado de narcolepsia pq não quer despertar do sono eletrônico.  Vivemos no mundo do espelho, com muita perfumaria de imagens e pouca realidade. O homem e os jornalistas estão enfraquecidos pelo excesso de imagens, consumo e solicitações e informações artificiais. Isso nos leva a uma desorientação sobre a vida, sobre nossas próprias escolhas. Escolher entre 200 itens é mais difícil do que escolher entre dois. Ai a gente não escolhe…só que o próprio fato de não escolher também é uma escolha.  Vivemos uma entropia de informação porque a sociedade é a la carte.

      ALICE NO PLANETA MIDIÁTICO”. A Alice é uma menção a Alice no Pais das maravilhas.

     Porque Alice?

    Alice no País das Maravilhas, ao atravessar o espelho, encontra uma realidade simulada, uma realidade que não é de fato verdadeira. Dentro tem um coelho apressado, nos braços de Morpheus, o deus do sono. A pressa hoje é uma característica do jornalismo e do mundo moderno e por causa dessa pressa, vivemos apenas um recorte da realidade. Vivemos num mundo de simulação, o mundo é um simulacro.  Tudo é urgência quando os jornalistas repetem o comportamento do coelho de Alice: “É tarde, é muito tarde”.

    Hoje vivemos em universo oceânico de informações porque elas estamos vorazes por novidades e notícias, independente de como ela seja. Também estamos vorazes por consumo, por cultura.

    Muita informação leva à entropia e à desinformação”. De fato, muita luz pode cegar e isso ocorre pelo aumento da conectividade e o crescimento exacerbado das redes sociais.

    Hoje vivemos a solidão virtual ou a solidão interativa.  Estamos na era 3 c, curtir comentar e compartilhar e isso tem formado um homem cada vez mais narciso e com menos vínculos reais.

    Na solidão da multidão em rede, o homem se submete a ilusão do encontro”. Estamos vivendo a era do vazio. E estamos vazios justamente pelo excesso de informações e solicitações nas redes sociais.

    O pensador Lipovestky  descreve a sociedade contemporânea como sendo de hábitos a “La Carte”, acreditando que a ‘era do vazio’ esteja ligada a um tempo de desorientação agravada pelo individualismo e pelo excesso de ofertas sobre tudo: viagem, diversão, alimentação, dieta, roupas, carros, etc. Se, ao final desse menu, a satisfação não for encontrada, há ainda opções de medicações, psiquiatras, medicina alternativa e religiões. “Há, portanto, com a sociedade de hiperconsumo, uma fragilização dos indivíduos”.

    O jornalismo também está fragilizado.  Hoje vivemos a era da imagem, muito pouca gente quer ler coisas profundas, mas todo mundo ama ver imagens. O jornalismo abre mão do conteudo por imagens. É mais estética do que ética.

    Meu trabalho faz um chamado ao resgate da curiosidade jornalística e da produção desvinculada da tirania do fator tempo. Antes de oferecer a notícia primeiro, o desafio é oferecer a mais bem apurada notícia.

    Enquanto as imagens apelam às nossas emoções, os elementos textuais apelam ao nosso intelecto. Parece que estamos optando por sentir fortes emoções.

    Eu, a escrita e o jornalismo


    Acredito que existe uma razão de viver que seja maior do que dinheiro, uma realização pessoal interna, um sucesso pessoal. O  meu é fazer do jornalismo uma uma ferramenta importante para me tornar uma pessoa de expressão, me dar visibilidade mas também me tornar lida e ficar na história depois que me for. Sim, gostaria de ficar na lembrança como alguém que cavou boas histórias e que as contou ao mundo. Acredito em boas histórias anônimas e no avesso do glamour. Gosto de passar isso, essa crença de ideal para minha filha, mas sem fazer com que ela perca a praticidade pelo monetário que é preciso. Todavia, a riqueza é de alma e de cultura, a dos cofres é a menor delas, mas é importante. Priorizo a da alma e acredito nesta antes.

     

    A seu respeito, em que você acredita?

    Acredito no meu espírito crítico, na minha capacidade de percepção das coisas e mundos, na minha sensibilidade de sentir as pessoas. Sei fazer o Tenho um olhar sociológico sobre as coisas. Desconfio da minha inconstância, dos rompantes e da minha falta de liderança. 

     

    O  que é mais importante para você? 

    Importa a criatividade, o feeling, pessoas que inspiram e o sentimento de liberdade. Gosto de proatividade e ação. Gosto de liderança e de debates e tempestades de ideias. Gosto de ângulos novos, de fugir do olhar domesticado. Em outra circunstância: minha filha e o bem estar dela são o mais importante.

     

    O que sua vocação proporciona para você?

    _Prazer, emoção, e espírito crítico perante a vida. Escrevo porque eu entro nas palavras. Eu fujo por elas e me redimo, me perdoo por elas, escrevo porque preciso tirar o peso do mundo que às vezes me sufoca. Escrevo porque as vezes me abandono, mas as palavras não. Escrevo porque eu preciso deixar escrito o que o homem faz e às vezes não tem coragem para contar

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    Somos antes sentimento, depois pensamento


    Percebemos o mundo através dos cinco sentidos. “Compreendemos” a informação e depois agimos. Nossa neurologia inclui não apenas os processos mentais invisíveis, mas também as reações fisiológicas, as sensações somáticas. Emoção, cognição e fisiologia estão intimamente ligados. Corpo e mente formam uma unidade inseparável, um ser humano.

    Usamos a linguagem para ordenar nossos pensamentos e comportamentos, e nos comunicarmos com os outros. O homem se organiza através dos sentidos. Fizemos isso através da linguagem e assim, agimos, intencionalmente ou não, para produzir resultados.

    Tenho que reforçar minhas habilidades e desenvolver estratégias para compensar minhas vulnerabilidades.

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    Praticando a Busca do Propósito

    O encontro com um trabalho que dá sentido à vida tem um poder extraordinário. Quando trabalha em algo que preencha essa  necessidade humana, torna-se desnecessário indagar “como motivar pessoas” ou “como fazê-las dar o melhor de si” – sua motivação passa a ser interior e seu desempenho passa a um novo patamar.

    Nem sempre é fácil definir o propósito de uma pessoa ou de uma organização. Isso acontece porque esse exercício nos remete a uma dimensão sutil, ainda que essencial, que nem sempre incluímos em nossas percepções ou reflexões.

    Num grupo de trabalho onde o propósito não é claro, é praticamente impossível que as pessoas cheguem a um ponto de sintonia e consenso. A tarefa pode parecer tão clara quanto, por exemplo, transformar um bloco de argila em um vaso. Se as pessoas começarem a agir priorizando a forma que o vaso deve ter, existe a possibilidade, que as diferenças pessoais entrem em conflito e o grupo não chegue à conclusão de como o vaso deve ser. Na presença de personalidades fortes, poderá prevalecer a opinião e a participação de alguns poucos. Mas será que um vaso de argila terá a qualidade e a vitalidade de todas as pessoas do grupo? Como as pessoas se sentirão diante da tarefa? Motivadas? Alegres? Satisfeitas? Como elas se sentirão em relação à obra final? Em suma, se a forma é o fator determinante, existe a possibilidade de que algumas pessoas (as que queiram que o vaso fosse retangular e não redondo) se sintam frustradas e fora de sintonia grupal. Porém, se as pessoas estiverem conscientes, desde o início, de que o vaso tem um espaço vazio e que este espaço é a sua prioridade, a forma poderá fluir com maior flexibilidade. O essencial é que o vaso tenha um espaço vazio, o que lhe confere a identidade e o motivo para que venha a existir. Se o vaso será redondo ou retangular depende só da sua relação com seus objetivos ou metas para os quais se destina. O conhecimento do propósito leva as pessoas e organizações a buscarem o fator essencial e sutil que está por traz da forma e da aparência do que é concreto e mensurável. O reconhecimento e o encontro com este fator tornará mais orgânicos e verdadeiros os sentimentos,os pensamentos e as ações das pessoas em um grupo. Quando uma organização tem claro o motivo nobre e dignificante que a leva a fazer o que faz; as pessoas descobrem o sentido por estarem ali; elas acreditam no que fazem e sabem que estão ali não apenas para receber um contracheque no final do mês. Elas se sentem bem quando levantam pela manhã para ir ao trabalho porque sabem que o que fazem está adicionando valor ao mundo em que vivem.

     

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    Quais minhas competências?

    Tenho habilidade para apreender grandes conceitos; iniciar atividades, ser criativa e inovadora e ser intuitiva, Fazer contato com a essência de tudo,Educar,Ser abrangente,estudar,filosofar e discernir

    Como trabalho?

    Eu atuo no mundo por meio da minha capacidade de estudo,  de pequisar, ao questionar, expresso minha curiosidade, e despertar curiosidade e  porque consigo formas de inventar na área em que atuo. Crio ordem e ritmo onde atuo

     

    O que eu tenho de valor em mim

    sinceridade, senso de justiça e independência. Mentalidade aberta, retidão de caráter e liberdade.

     

    Ideologia, temos muitas para viver


    Ideologia é um sistema ordenado de ideias e regras enxertadas na sociedade por teóricos e intelectuais pra estabelecer uma relação de mando e obediência. Os ideólogos comandam, os outros se submetem.  .

    Ou são representações e das normas e regras como algo separado e independente das condições materiais,

    Visto que seus produtores – os teóricos, os ideólogos, os intelectuais – não estão diretamente vinculados à produção material das condições de existência. E, sem perceber, exprimem essa desvinculação ou separação através de suas idéias. Ou seja: as idéias aparecem como produzidas somente pelo pensamento, porque os seus pensadores estão distanciados da produção material.

    Assim, em lugar de aparecer que os pensadores estão distanciados do mundo material e por isso suas idéias revelam tal separação, o que aparece é que as idéias é que estilo separado do mundo e o explicam. As idéias não aparecem como produtos do pensamento de homens determinados –aqueles que estão fora da produção material direta – mas como entidades autônomas descobertas por tais homens. As idéias podem parecer estar em contradição com as relações sociais existentes, com o mundo material dado, porém essa contradição não se estabelece realmente entre as idéias e omundo, mas é uma conseqüência do fato de que o mundo social é contraditório.

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    Frases

    Diógenes, o cínico

    Estou saciado e molosso, como um cão maltês. Estou melhor que você

     

    Nietzsche

    Um solitário devorado por si mesmo. Melhor do que na multidão, ser devorado por inúmeros.

     

    Aula de CLóvis de Barros Filho

    ORDEM E PROGRESSO NO POSITIVISMO


    Aula de Clòvis de Barros Filho, que amo

     

    O lema positivista por excelência é: “saber para prever, prever para prover”. E estabelece entre a teoria e a prática uma relação autoritária de mando e de obediência, isto é, a teoria manda porque possui as idéias e a prática obedece porque é ignorante. Os teóricos comandam e os demais se submetem:

     

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    • concebe a prática como simples instrumento ou como mera técnica que aplica automaticamente regras, normas e princípios vindos da teoria. A prática não é ação propriamente dita, pois não inventa, não cria, não introduz situações novas que suscitem o esforço do pensamento para compreendê-las.

    Essa concepção da prática como aplicação de idéias que a comandam de fora leva à suposição de uma harmonia entre teoria e ação. Assim sendo, quando as ações humanas – individuais e

    sociais – contradisserem as idéias, serão tidas como desordem, caos, anormalidade e perigo para a  sociedade global, pois o grande lema do positivismo é: “Ordem e Progresso”. Só há “progresso”, diz Comte, onde houver “ordem”, e só há “ordem” onde a prática estiver subordinada à teoria, isto é, ao conhecimento científico da realidade. Perceberemos que nelas se acha implícita a afirmação de que o poder pertence a quem possui o saber. Por este motivo, o positivismo declara que uma sociedade ordenada e progressista deve ser dirigida pelos que possuem o espírito científico, de sorte que a política é um direito dos sábios, e sua aplicação, uma tarefa de técnicos ou administradores competentes. Em uma palavra, o positivismo anuncia, no século XIX, o advento da tecnocracia, que se efetiva no século XX.

     

    A loucura vista pelo fracasso em momento de tolerância ou ao contrário e misturado


    DEVEMOS ENCARAR COM TOLERÂNCIA TODA LOUCURA, FRACASSO E VÍCIO DOS OUTROS, SABENDO QUE ENCARAMOS APENAS NOSSA PRÓPRIA LOUCURA, FRACASSO E VÍCIO. POIS ELES SÃO OS FRACASSOS DA HUMANIDADE À QUAL TAMBÉM PERTENCEMOS E ASSIM TEMOS OS MESMOS FRACASSOS EM NÓS. NÃO DEVEMOS NOS INDIGNAR COM OS OUTROS POR ESSES VÍCIOS APENAS POR NÃO APARECEREM EM NÓS NAQUELE MOMENTO.” (Schopenhauer)

      

    Jamais nos é possível saber o que queremos, pois, vivendo uma única vida, não podemos compará-la a nossas vidas anteriores, ou aperfeiçoá-la em vidas futuras. O Eterno Retorno so é possível sob a ótica da eternidade, eu acho!

     Loucura, fracasso e vício, toda humanidade tem, só não no mesmo momento.Encarar a tolerância e perceber que o fracasso do outro também pertence a você, só não está aparecendo em ti agora. Não se irrita com o vício do vizinho só porque o teu não aparece nesse instante. E que a tua loucura seja perdoada, porque metade dela é do vizinho, a outra é tua.  

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     Loucura, fracasso e vício, toda humanidade tem, só não no mesmo momento.Encarar a tolerância é perceber que o fracasso do outro também pertence a você, só não está aparecendo em ti agora. Não se irrite “tanto” com o vício do vizinho só porque o teu não aparece nesse instante. E que a tua loucura seja perdoada, porque metade dela é do cara do lado, a outra é tua. (Isso é meio Schopenhauer, em homenagem ao bate-papo de hoje a tarde com meu orientador)

    Perguntas de Coaching


    Fiz três meses de coaching para me enquadrar no perfil corporativo. Meninas más confrontam o chefe e isso não é legal, Trabalhar é preciso. Sobreviver de trocados não é preciso. Entao, relembro detalhes interessantes sobre realinhamento de carreira.

    Como vc vai medir e avaliar seu progresso?

    O que o impede de alcançar suas metas?

    Que hábitos estão te confundindo e distraindo?

    Qual o principal desafio para vc?

    O que ira ajudá-lo a ter qualidade?

    Que ação dificil vc n esta tomando?

    O que é preciso de vc quando as coisas ficam difíceis?

    Qual a motivação no trabalho? e o que singifica para você

    Qual tarefa te apaixona?

    O que tua intuição diz sobre isso agora?

    O que o impede de enfrentar o medo?

    O que você está perdendo neste momento?

    Que resultados você quer conseguir?

    Neste momemto, voc^e gostaria de focar em quê?

    Mude o comportamento, este foi meu treino. Entao, após, todas essas perguntas me dediquei a ser mais hábil nos relacionamentos  (É difícil). Há técnicas:

    Em um momento de crise com uma pessoa:

    Explore – faça perguntas – perguntas servem para obter respostas. as palavras esclarecem a situação.

    Afirme – para mostrar que está ouvindo – Em vez de “eu n disse isso”, diga, “de agora em diante”. Em vez de dizer “vc está errado”, diga, “Eu vejo desta forma.”

    Reflita – sobre seu entendimento

    Silencie – escute um pouco mais

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    Na reunião

    Estabeleça a proposta

    crie regras básicas

    mantenha o foco

    e o diálogo

    fale com clareza

    seja específica

     

    Diga algo sem ser impositivo: voce pode, voce sera capaz de?

    Foque na solução não no problema

    Não diga nao; Diga: é isto que posso fazer sobre isso

    Estratégia: eu posso pensar melhor?

    O que você espera sobre isso? ou Ficará bom para você?

    Impulso profisssional


    O mundo quer melhorar de emprego. Eu também e sempre me senti muito insegura em entrevistas ou períodos estratégicos para lutar por uma vaga. Talvez se n fosse isso, teria avançado mais. 

    Descobri em curso de coaching que eu também preciso perguntar. Afinaç, é uma via de duas mãos. Entao, o que eu poderia perguntar para nao ter a chance de perder o emprego? Bem, pergunte vc n vai saber sua chance. 

    1- Quais serão minhas resposabilidades?

    2_Qual o motivo da abertura da vaga

    3- Há incentivos ou treinamentos profissionais?

    4- Quais os planos de crescimento da empresa? 

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    O que responder

    Está satisfeito com sua carreira?

    Fale a seu respeito, suas conquistas de agora, fale sobre uma situaão difícil e como lidou com ela. 

    Atenção: conquistas quer dizer resultado profissional.

    Se vc não passar, considere nao um fracasso: mas uma habilidade que vc adquiriu. Afinal, ganhou técnica.

     

    Suspiro


    Eu me farto na minha lucidez a qual às vezes penso ser simulacro. Uma loucura de Foucaldt. Não sei, é mais um dilema pegajoso, corajoso e às vezes rancoroso por tê-lo. Em alguns tempos, penso ser a única lúcida do  mundo. Noutros, penso ser a estrangeira, tal qual o cara escrito em Camus.

    Esse ser eu vem de berço.

    Uma família que não é totalmente mansa, desanca. Tais dias, me sinto augustamente triste, tal qual a poesia de Augusto dos Anjos. Ser feliz é um problema pessoal, disse alguém. Com a internet, você customiza sua felicidade. Nem um, nem outro para mim. Apenas mais um pouco de Facesimulacro e assim passo o tempo, já que é preciso passá-lo. Transpô-lo ninguém tem direito.

    Tenho um desempenho positivo na melancolia, é mais performático do que na alegria. A dor tantas vezes te acalenta, te contagia, te vicia.  A dor é teu chocolate, libera serotonina. Corujas não precisam disso, por isso são sábias.

    Retirar a dor requer os 12 passos do AA. Estou dizendo que é igual a uma  do de um algemado pelo crack, você não a tira. Você passa sabonete e ela não saí. É crackdor, tão bestial quanto a crackolandia. Tão nefasta para destruir famílias quanto LSD.

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    A vida nao sai da frente. A dor pula em cima da vida. Se você não  acerta o flanco dela, você é fisgado . Ela triunfa. Sua derrota silenciosa tmba as defesas suas, da sua mãe, filha, família. Mina um a um, ações e planos. Mina seus planos de menina.

    Sua alma vive assoreada. Padece viva no seu próprio campo santo, uma cova rasa a três metros do chão porque afinal você nao está la. Está viva, cavando o  buraco. É necessário transpiração para fingir respiração.  Simular respiro. Eu nem mais suspiro.


    A nossa era da economia sem mercadoria. What? Te explico

     

    Para estudar o formato de uma mídia, é preciso entender a audiência, o contexto e os modos de produção.

    O comentário que ocorre no cotidiano e algo que deve ser levado em conta. [E o termômetro]

    Eu só posso ter uma identidade se eu for diferente do outro (do outro MCM)

     ImagemImagem

    Conteúdo na net e na vida

    Esta mudando como eu distribuo o conteúdo. Compartilha-se quer dizer que gosto.

    Cultura de rede e RAM esta ligado ao relacionamento. Viver o presente e não mais o passando. Vida em comunidade, diversidade e interação.

    A memória de rede é a época da incompletude, da incerteza, do espírito do tempo. Não se tem um destino. Isso gera o capitalismo cultural eletrônico que está ligado ao fluxo de distribuição. Quanto mais atividade, mais se curte.

    Agora não será o objetivo vendido, mas o fluxo de informação. Este é o novo capitalismo eletrônico. Fica rico agora quem aposta na produção do conhecimento.

     

    Compartilhe

    Vivemos a era da economia de distribuição, quanto mais você distribui mais tem valor. Essa é uma economia sem mercadorias.

    Quer ver: Inicialmente você não acreditou no TV quando o homem pisou na luva, mas acreditou no youtube.  A lógica do tubo é que ele não produz conteúdo, mas é uma garagem de humanos, e são esses humanos que produzem expressão corporal, vídeos, enfim, 15 segundos de fama.

    O tubo é um metanegocio porque aumenta o valor da informação que é feita por humanos em outro lugar.

    Tem um site chamado MInd Economy, que é a economia da coletividade. O consumo deve ser criativo.

    Tem o caso segunda tela: pessoas conversam nas redes ao mesmo tempo em que assistem TV

     

    Como o Brasil usa o Youtube?

    Pela porta dos fundos que distribui humor.

    O que vende é estilo de vida. Não existe mais a imagem de supermercado. Significa um conceito: eu não estou te vendendo nada

     

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    O Bem e o Mal de pessoas miseráveis


    Esta é uma reflexão sobre Os Miseráveis, um dos enredos mais crueis que ja li. O filosofo CLóvis de Barros Filho fez uma reflexão acerca da história que conta a vida de Jean. Ele sai da prisão e ficou estigmatizado. Foi preso porque roubou comida para dar às pessoas. Por ser um ex-prisioneiro, e rejeitado pela sociedade. O estigma não é ruim, pelo que entendi. 

    Mas nao apedrejem, deixa eu explicar o que ouvi da video-aula de Clóvis. 

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    Estigma= dado um certo pedaço de realidade, fazemos associações e julgamentos. E asssim foi com Jean.

    O estigma se fortalece quando compartilhado  e é assim que fica fazendo sentido para muita gente. 

    O espereótipo é um facilitador cultural que permite passar a mensagem. Mas se todo estereotipo simplifica a realidade, ele também a reduz. 

    Se todo mundo pudesse visse a realidade, o estereotipo n existiria. 

    O estigma é decorrrencia de uma certa regularidade de eventos.  “Você é a pulsão, mas existe a civilização. Então é melhor você se alinhar porque ela vai ganhar”, diz Barros Filho. 

    Bem e Mal existe a uma curta assimetria. O Mal é mais visível e imediato do que o Bem. O Falso esta por toda parte o Verdadeiro em parte alguma. Quer um exemplo?

    O organismo se conta em segundos, um prazer é um bem.

    A depressão se conta em anos, é um mal. 

    O Bem é sempre passível de dúvidas e o Mal, indiscutivel. 

    O Bem depende do angulo que você olhar.

    Leibinitz diz que existe tres tipos de mal. Ele fez a Monoalogia.:

    O Mal metafísico (imperfeição), 

    O físico (dor e sofrimento)

    e o mal moral (canalhice)

    O Mal metafísico (imperfeição). E a nossa imperfeição em relação a Deus. (Como um Deus perfeito produziu um mundo imperfeito)?Deus se afastou do mundo para não asfixiar a humanidade e assim, entrou a maldade. Podemos tanto ser bons ou maus porque Deus, na perspectiva cristã. nos deu o livre arbitrio. Se Deus nao tivesse caído fora, o mal nao exisitira, mas nao exisitira nada mais, porque só ele é perfeição. 

     

     

     HISTÓRIAS DO CANGACEIRO ESTRELENSE


    Galã de cinema, Alberto Ruschel viveu da fama ao esquecimento 

     

    Nascido em Estrela, em 1918, o artista Alberto Ruschel arrebatava fãs nos anos 1950.  O ator e diretor de cinema consagrou-se a partir do filme “O Cangaceiro” (Vera Cruz, 1953), de Lima Barreto, no qual foi protagonista. A produção conferiu ao Brasil seus primeiros prêmios internacionais – melhor filme estrangeiro e melhor trilha sonora, no festival de Cannes, na França.

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    A fama de Alberto Ruschel transpôs o território nacional. Fez filmes no estrangeiro, sobretudo na Espanha. Foi rico e morreu pobre – em 1996, por complicações decorrentes de cirurgia cardíaca, no Retiro dos Artistas, no Rio de Janeiro.

    Filho de Alberto e Rita Ruschel, cresceu em uma chácara em Arroio do Ouro. Com a morte do pai, ainda menino, mudou-se com a mãe e os cinco irmãos para Porto Alegre. Na adolescência, já revelando pinta de galã, fazia sucesso junto às colegiais que observavam a movimentação na rádio pioneira da Capital, a Gaúcha, onde Alberto trabalhava como produtor.

    Tornou-se ator aos 30 anos. Antes do palco, foi cantor, junto com o irmão Paulo Ruschel, na década de 1940, integrando o conjunto musical “Quitandinha Serenaders”, tido como um dos precursores da Bossa Nova. Da música, Alberto entrou para o cinema e viu sua carreira ascender rapidamente. Mesmo distante do Rio Grande do Sul, sempre manteve o vínculo com as origens. É o que assegura o filho Alberto – “Beto”, que herdou o nome do pai –, também produtor de cinema, em São Paulo: “De certa forma, ele nunca se desligou da sua terra. Sempre que podia, voltava, levava amigos para conhecer Estrela”.

    A consagração

    Dentre os mais de trinta filmes em que atuou, Alberto ficou marcado pelo perfil do personagem de “O Cangaceiro”, quando contracenou com nomes como Vanja Orico e Adoniran Barbosa. O taciturno Teodoro é escapa com a mocinha da história.

    A trama, embalada pela premiada música “Mulher Rendeira”, na interpretação do grupo Demônios da Garoa, é inspirada na história de Lampião. Ruschel, na promoção das obras do gênero, é identificado como “o gaúcho másculo e destemido que enfrenta mil e uma peripécias”.  A jornalista e doutora em Comunicação Social Adriana Ruschel Duval, sobrinha-neta, confirma: “Ele tinha porte físico e expressões que combinavam bem com a interpretação de personagens fortes”.

     A Secretaria de Cultura e Turismo de Estrela conserva fotos do artista em visitas à terra natal. São raras e preciosas lembranças, que reverenciam o homem considerado “filho ilustre” da cidade. Para a historiadora Letícia Oliveira, Alberto Ruschel  “teve uma importância enorme para a cidade”.  Ela recorda uma passagem, quando da exibição do filme no Cinema Guarany, em que o ator veio para Estrela e foi recebido com festa. “Desfilou pelas ruas da cidade”, lembra. Outra referência da vida do artista em Estrela é a casa onde nasceu, que já abrigou uma escola comunitária. Com 150 anos, está preservada e hoje pertence a familiares.Alberto também frequentou o município para participar das festas da família Ruschel , sobretudo entre os anos de 1980 a 1990. Nessas oportunidades, revia parentes e amigos. Contudo, as novas gerações estão distantes do passado glorioso desse estrelense da tela grande. “É preciso pensar em formas de socializar sua história e o orgulho que Estrela certamente tem de um homem que chegou onde ele chegou e levou o nome da cidade para além do Brasil”, considera a sobrinha-neta Adriana. 

    Beto Ruschel ressalta que o pai tinha afeição por visitar cidades do interior. Divertia-se com os “causos de gente brasileira”, de pessoas que viviam afastadas dos grandes centros.  Teria percorrido o Brasil para incorporar intensamente seus projetos. “Sonhou com um bom cinema, com histórias boas e brasileiras, com algum incentivo do governo. Leu tudo o que encontrou sobre os nossos índios, me levou para a reserva do Xingu, aprendeu tudo sobre a retirada da Laguna, sobre os Muckers, sobre Santa Catarina”, relata Beto, em um texto emocionado que publicou por ocasião da morte do pai.

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    O estrelense que ganhou o mundo com sua arte faleceu cinco dias antes de completar 78 anos. Tinha a saúde debilitada pelos excessos dos velhos tempos. “Em 1991, ofereci a ele um café. Pediu que fosse com leite, estava proibido de agravar as úlceras. Naquela ocasião gravei uma entrevista sobre sua vida. Ele fez menção à televisão como grande vilã de sua carreira e do cinema nacional. Chegou a fazer novela, mas não via arte naquele meio. Negou-se a ‘se render’ à telinha”, revela a sobrinha-neta. Antes de partir, foi homenageado com o troféu “Oscarito”, no Festival de Cinema de Gramado, e na oportunidade concedeu entrevista no programa de Jô Soares.

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    Alberto Ruschel foi tema na tese de doutorado da historiadora Miriam Rossini (1998),que enfoca os cineastas gaúchos e a filmografia do Pampa. Ruschel sempre preferiu os filmes rurais. No total, dirigiu, produziu e estreou 33 filmes e uma novela.  

    Os irmãos Ruschel

    A família Ruschel contribuiu com o trabalho voltado à arte e à cultura não apenas com Alberto. Seus irmãos Nilo, Ernani, Paulo e Ruth tiveram expressivas participações no âmbito do rádio e da produção musical. O professor e historiador José Alfredo Schierholt registrou esse legado na obra “Estrela, Ontem e Hoje” (2002).

    Paulo Ruschel: foi compositor e cantor. Compôs a música “Os Homens de Preto”, considerada, por voto popular, uma das dez mais importantes do Estado.  Foi gravada até mesmo por Elis Regina e serviu de trilha do programa Campo e Lavoura, da RBSTV. Paulo e Alberto atuaram no conjunto Quitandinhas Serenader’s e faziam muito sucesso nas rádios.

    Nilo Ruschel: foi jornalista, escritor, advogado, suplente de deputado estadual, assessor político, e dos primeiros professores universitários de Jornalismo (PUCRS e UFRGS, anos 1950). Junto com o irmão Ernani foi locutor pioneiro do rádio gaúcho, atuando nas emissoras Gaúcha e Difusora, nos anos 1930 e 1940.

    Ernani e Ruth: atuaram no meio radiofônico, Ernani como locutor, antes mesmo do ingresso do irmão Nilo. Ruth interpretou personagem no que se considera o primeiro programa infantil do rádio no RS, em 1934, pela Gaúcha. Também nessa emissora, Ernani fez a primeira narração radiofônica de uma partida de futebol, em 1931, em jogo entre Grêmio e Coritiba.

     

    Fotos enviadas:

    Crédito: Acervo da Família Ruschel

    Texto: Andreia Rabaiolli para revista O GUAXO/ MAIO 2014

    Como a rede subverteu o anonimato  


    A sociedade hoje passa a ser definida a partir da tecnologia de que ela dispõe. Nossa geração é cobaia de uma transformação na área da comunicação. Sabemos que muito mudou. Não  sabemos o que virá.

    A web é memória, então devemos praticar o exercício do esquecimento.

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    Tudo mudou, ate nosso modelo de escrita. Nossas notas de rodapé são colocadas na internet. E assim, a gente coloca cada vez mais memória na web.

    Nós nao disputamos o lugar da informação e sim da atençao.

    O sucesso e o insucesso de um texto dependem da maneira como  você o  aborda

     

    A função do pan-óptico foi subvertida em sete anos de internet. Antes o gatekeeper era o guardião das informações. A internet subverteu a ordem fazendo com que agora se autoriza o consumidor self made man, o gate watching. Esse é o vigia, ao mesmo tempo em que briga com o vizinho nas postagens será o comandante de matérias, enviara fotos instantâneas. O Facebook é o gládio moderno, com usuários que de posse de um celular sentem-se fotógrafos do acaso.

    O gládio é o panóptico da antiga Roma. eles também estavam em rede e se vigiavam, ate que um gladiador morresse, o show acabasse.

    A espetacularizacao depois da esfera televisiva passou a ser chamada de reality show, mas de realidade nao há um ínterim no tempo. Ha falsos profetas empolgando-se em holofotes que fingem  ver.

    Os dramas iniividtuais, são colocados em rede para arrecadar curtidas e angariar aliado.

    Com a rede social, o flagrante deixou de ser propriedade policial ou jornalística. na internet somos colunistas de nós mesmos, tentamos formar a opinião. 

    Somos o eu repórter. 

    Travestis, se consideram “Single Ladies” do Parque dos Dick em Lajeado


    Montados em salto 12,  roupas curtas, caminhar chamativo, travestis fixados no Parque Theobaldo Dick em Lajeado, conquistam casais como clientes. Relatam que a  sociedade  está “bissexual” , mas não percebe. Declaram serem eles as  mulheres do futuro. O mercado se mantém aquecido porque o prazer está além de um código de regras estabelecido como verdade universal. A noite, a moral é outra.

     

    Mudança de sexo

    Danielly possui carteira social  há dois meses, nela consta apenas o nome fantasia. É um documento que os travestis estão habilitados a utilizar pelo governo, somente com o nome de”guerra”. Ela  se recusa a falar sua denominação de batismo. A carteira social é apresentada nas lojas, baladas e no hospital.  “Não me deixa constrangida com nada. Me sinto uma nova mulher. Uso  para abrir crediário e no SUS.”

    Danielly acredita que está no corpo errado e daqui a dois anos fará operação  para trocar de sexo no Hospital de Clínicas em Porto Alegre. Esta é a previsão, segundo o Sistema Único de Saúde. Ingressou com o pedido há algum tempo e desde então mantém consultas com psicólogas, em preparação para a nova vida . Torce por uma mudança. Um novo emprego. “Talvez eu saia da rua, vou trocar toda a documentação verdadeira.” Será o primeiro travesti em Lajeado a trocar de sexo. Confessa estar ansiosa. Enquanto a cirurgia não vem, faz seu trottoir no Parque dos Dick. Uma Beyoncé loira.

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    O mundo “trans” vive e palpita na esquina do Parque Professor Theobaldo Dick, em Lajeado –  área de Lajeado que durante o dia é destinada a exercícios físicos e a recreação infantil.  A noite, a brincadeira reverte para o pornô adulto,  de picardias e sodomias ocultas pela nuvem da moralidade, visível apenas ao público atrevido.

    Os travestis chegam agrupadas, com os corpos em exposição. Vem de outras cidades, motivados pela lei da oferta e da procura. Para eles, Lajeado atrai travestis porque ama sexo. Em março, os moradores do Bairro Americano conseguiram retirá-los da entrada da cidade. Não gostam da obscenidade nua e crua, daquela estampada diante da face da cidade. Assim, a zona do meretrício foi relegada aos Dick – um método higienizador. Com as luzes artificiais  noturnas,  o pulsar erótico habita o imaginário popular no parque. Ainda que a cidade tenha  tentado escamotear a vertente sexual, ela está  viva e exulta cada vez que a lua entra em cena.

    A indústria do prazer se mantém aquecida.  “A sociedade que nos critica e a mesma que nos sustenta”, afirma Danielly Levinsk, que faz até dez programas por noite. Mulheres indispostas a relações sexuais anais levam os maridos à ela.

    Prova de que a cidade é um bom negócio para o mercado do corpo está na origem das pessoas do mundo trans. Danielly Levinsk veio de São Gabriel, há sete anos. Micaela Fernandes, de Itaqui há quatro anos.

    Há espaço para novidades  como as novatas Gabriele Eduarda , saída de Sapiranga há algumas semanas. Com 21 anos, Jessica Del Antonio trocou Florianópolis por Lajeado também há algumas semanas.

    De Santo Angelo,  Carol Flores,  faz oito programas a cada sexta-feira. “Lajeado nos ama”, diz metida em um vestido amarelo apertado esmaga-peito. O look extravagante transparece no par de seios  invejável. Enxertado por cirurgia ou não, o efeito é impressionante.  Há nove meses “as meninas” fazem o seu escritório a céu aberto no Parque dos Dick. Elas aceitam dinheiro , nada de cheque ou cartão.

     

    Lajeado adora sexo

    Aos 26 anos, Danielly Levinks garante ganhar até R$ 4 mil mensais.  A clientela abrange “senhores finos” e casais. Loira, cabelos compridos e lentes azuis, cobra R$ 100 o programa, “dependendo do cliente”.  Com 1,62 de altura,  é vaidosa, arruma o cabelo no salão e diz cativar muitos homens. Acreditam, eles, piamente em seu perfil feminino. Quando a sexta-feira rende, faz dez programas. “Para mim está ótimo aqui. Os homens adoram sexo.”

    A carta de clientes é formada ali no próprio  Parque dos Dick. “Fins de semana, o movimento aumenta.  Maioria dos clientes está entre 18 a 30 anos.”

    Danielly tem clientes casais fixos. Uma vez ao mês, a loira está disponível a eles. “Muitas  dizem preferir que o marido traia com um travesti do que com  outra mulher.”

    Divide a moradia com outros quatro travestis no Bairro Santo Andre, em Lajeado. Entre eles,  a falante  Micaela Fernandes, de 29 anos. Ambas  acreditam que os travestis serão as mulheres do futuro.  Sabem despertar o desejo masculino, dizem elas. Atiçar a curiosidade do homem. A psicologia explica. E Micaela também. “O homem quer saber da surpresa na frente.”

    A imaginação é algo poderoso e incita a busca pelo desejo erótico, mas ainda há outro trunfo para os travestis. Ele dizem conhecer  o corpo do homem por serem homens e ao tocar nas zonas erógenas, despertam o gozo e provocam o prazer. É isso que cativa o freguês. Eles creem  que a mulher deveria querer se juntar eles e não serem suas rivais.

     

    Sociedade bissexual

     

    Os travestis gostam da labuta, do sexo e da clientela. Conquistaram uma rede fiel, a qual valorizam e a mantém  com confidencialidade. Restringem as informações picantes.

    No entanto, fornecem elementos que permitem avaliar a mudança comportamental da população. Os clientes abrangem toda a classe econômica. “Temos desde o açougueiro até o advogado”, garante Micaela Fernandes   que acredita piamente que ser bissexual é irrevogável para o ser humano.

    “A bissexualidade é normal, só que muitas pessoas não querem enxergar.” Micaela  fez o Ensino Médio completo e frustrou-se porque perdeu a prova do Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) este ano. Diz que ainda será publicitária. Um psicólogo foi seu primeiro cliente, há dez anos. Até hoje, continua em sua cama.

    Nos intervalos sexuais, o diálogo versa sobre relacionamento e psicologia. Micaela o questiona sobre o interesse masculino por travestis. Descobre que  todo homem é curioso porque quer desvendar o corpo de outro homem que não conhece, perceber como é tocar em uma nádega e ao mesmo tempo em uma saliência frontal. É desejo, é fruição. É tentador. É humano, demasiado humano. “ A bissexualidade é o novo mundo, é a realidade”, constata Micaela.

    “A heterossexualidade já foi, é passado. Todo homem terá curiosidade daquilo que está parado na esquina. E a mulher também”, afirma Danielly com a convicção de quem percebeu na noite,  todas as volúpias humanas.

    Danielly e Micaela  dizem que as  esposas  estão consentindo que os maridos mantenham relações transexuais.  “Mulheres não  dispostas a fazer anal deixam o marido ter relações com travesti”.  É a evolução dos tempos, destaca por Micaela. “Hoje, o sexo está evoluído, todos querem novidade. Mulher que quiser segurar  marido tem que topar tudo ou dar oportunidade para ele se envolver”, frisa  ela.

     

    Os travestis adoram Lajeado

    Ao formatar o  retrato da sociedade de Lajeado, os travestis dizem que não estão concorrendo com as mulheres. Garantem não compreender a hostilidade feminina em relação a eles. “ A gente se inspira nas mulheres”, diz Danielly. Carol Flores, que permanecia quieta,  se manifesta. “Penso que muitas mulheres estão se inspirando nos travestis”. Morena pega- rapaz, Carol utiliza seus atributos da melhor forma e para ela, Lajeado tem sido lucrativa. São vários programas por noite.

    A região é oásis sexual. Lajeado, Teutônia, Estrela, Encantado fornecem combustível ao mercado sexual. A fauna masculina que compõe a o leque de clientes é como se fosse uma “carta de vinhos”,  tem de tudo, do espumante ao pinot noir e eles barganham preços, como se fossem vinhos de prateleiras. Afinal, quando se está na adega vale tudo.

    Os travestis acreditam na diversidade masculina que  vinga no fértil Vale do Taquari. Lajeado, a décima sexta cidade gaúcha no ranking do  Ìndice de Desenvolvimento Humano (IDH), atrai homens que se sentem mulheres e como tal, querem levantar a bandeira da paz para passarem a ser respeitados pelas outras mulheres. “Nós nos inspiramos nas mulheres, nos vestimos como elas”.  Elas “divam” como Beyoncé. Sentem-se Single Ladies. Cantam, em inglês incerto:” all the single ladie, Uh, oh, oh, oh, oh”..

    Andreia  Rabaiolli para  Jornal O Guaxo/Maio 2014

    A metafísica das redações


    Por 20 reais você compra um estilo de vida que revigora sua trajetória. Um estilo embasado na morte ou na insustentável leveza do ser, como diria a autora Kundera. 

     

     

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    Schopenhauer adorava livros que começavam com “A metafísica”. Penso em escrever sobre a metaífisca das redações. Falar do demasiado humando cão de guarda de notícias nem sempre tão jornalísticas, mais estéticas do que éticas. Comparar que para a ciência da “philos”. podemos ser um tantinho amigos de uma sabedoria que transmite além-ilusão, uma lucidez que a gente nao aprende assim de relance. Escribas modernos perdidos precisam de filosofia, para dar a energia do texto ao outro e compartilhar de fato o jeito certo. Compartilhar como os atomos fazem e assim fazendo, ganham potência. Talvez tenhamos de ter vontade de potência para agir antes da morte.

    Fiat Lux


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    O escuro não é meu  aliado, sou prisioneira da luz, como todo o ser pós-moderno, obcecado por imagens e tecnologia. Faltar luz é um caos. Uma infinidade de horas faz reféns humanos  da tíbia energia. As trevas existem , ainda que a luz não falte. 

    A lanterna ilumina a alma, mas quando a luz se ausenta durante horas, blasfêmias são  irrevogáveis. Blecaute total.

    Ficar sem luz para o homem e terrível. Uma semana sem energia e a humanidade morrerria. Prisões, escolas, portões, redes socias. Psicopatia em dobro. . Como viviam os gênios da Idade Média? Como era possível manter a dignidade na babilônia, como Ramsés o faraó egipcío, governou com mãos de ferrro e fez o povo erguer maravilhas de pedra?

    Nós, refens de lâmpadas, tomadas, televisão e som não conseguimos 60 minutos sem a força da energia.

    Na escuridão tentar meditar exige paciência budista. A mente é tão indisciplinada que foge por todos os cantos. Utiliza todos os subterfúgios para manter a confusão que considera clareza mental.
    Ficar sem luz significa perder o tempo, hoje em dia. É assim que nossa cabeça pensa em termos de desperdício. 

    Não aproveitamos  o cessar luz para acender a chama.

    Estamos tão destreinados que naufragamos sem energia elétrica quando deveríamos reciclar o blecaute para injetarmos luz interna.

    Todo Fiat Lux interno depende de um blecaute externo para fazer correr a energia certa dentro da alma do mundo. Podemos ser atacantes de uma multidão do mundo “endógeno”.  É isso que muda o jogo

    Gaúchos comemoram o atrevimento da faca contra o canhão


    Poucos gaúchos sabem que não festejam uma vitória, mas sim uma ousadia. Eles foram atrevidos…

     
     

    Leonildo Erthal caminha pelos corredores de um colégio particular. Arruma cadeiras, faz pequenas pinturas e relembra o tempo em que frequentava o CTG. Seu sonho é comprar um sítio em um recanto no Vale do Taquari. Tem orgulho de ser gaúcho. Seu “Leolindo”, como os alunos o chamam, infla o peito para cultuar os heróis farrapos. “Sim, sim, tenho bombacha e ajudei a fundar um CTG.” Mas Leonildo fica meio desconcertado quando percebe que os farrapos não ganharam guerra nenhuma. “É mesmo? Bom, aí tu me pegou. Mas aqui é bom de morar. O povo gaúcho é acolhedor.” E com a bandeira ao fundo, o encarregado da manutenção do colégio vive o bairrismo que em todo o gaúcho palpita – a paixão pelo Rio Grande.
    O gaúcho traz no peito uma chama que já nasce de guri: um orgulho que vem de casa. Mesmo que não vista bombacha, o chimarrão na boca do pai, a alma inflada de orgulho e um coração atrevido por causa de 177 anos de história que ele muitas vezes nem sabe o motivo estão inseridos numa história contada na escola por intermédio da Revolução Farroupilha. É verdade que muitos não compreendem bem os motivos da comemoração, só se sabe que o 20 de setembro “foi o precursor da liberdade”. Mas esta história tem um lado B.
    O lado B tem um bairrismo que muito nos honra e que é ensinado com habilidade pelo professor de História Marcelo Mallmann, do Colégio Evangélico Alberto Torres (Ceat), que trata de botar todos os pingos nos “is”. Em primeiro lugar, a revolução foi feita pelos “caras” ricos da época, pelos reis do gado gaúchos. Isso ocorreu há 177 anos.
    “A Revolução Farroupilha começou quando a elite se revoltou contra o Império que preferia comprar o charque do Uruguai, que tinha melhor preço. Os pecuaristas gaúchos exigiam uma política de proteção ao produto interno.”
    Naquela época, Dom Pedro era um piazote, e o Império era governado por regentes – representantes do imperador, criando um cenário tumultuado com disputas políticas internas. Foi nesse panorama que a guerra eclodiu, com os pecuaristas chamando os farrapos para fazer a revolução.
    Durante dez anos, os gaudérios lutaram contra o Império. O professor Marcelo diz que ninguém saiu ganhando porque numa guerra ninguém ganha. Depois de dez anos de intensos conflitos, a paz foi estabelecida por um acordo em que a elite gaúcha aceitou os benefícios oferecidos pelo governo imperial como, por exemplo, o ingresso no Exército Imperial com a mesma patente que ocupavam nas forças farroupilhas e a garantia de que o Estado adotaria uma política de proteção à carne sulista. É o conhecido acordo de Ponche Verde. 
     
    Bairrismo
    O povo em geral, inclusive negros escravizados, aderiram ao ideal farroupilha porque acreditavam que essa seria uma oportunidade de criar uma sociedade mais justa. Conforme Marcelo, a História mostra que as mudanças sonhadas em momentos revolucionários não são tão profundas quanto os discursos nos fazem crer. A comprovação disso são a Revolução Francesa (1789) e a Independência dos Estados Unidos (1776), eventos que simbolizam o início de uma nova era histórica, mas que não promoveram mudanças tão radicais quanto as desejadas por boa parte das pessoas que as vivenciaram.

    Nacionalistas, sim, senhor 
    Mas então, por que tanta comemoração, tanto orgulho farroupilha 177 anos depois? O mito do heroísmo gaúcho está insculpido nas canções campeiras e no brio. “Nós tivemos atrevimento. Tivemos coragem de enfrentar o Império. A comemoração é em memória a esse atrevimento.” Para o professor, a população está muito mais acomodada hoje do que há um século e meio. A indignação da época imperial arrefeceu-se em meio à era tecnológica. “Aceitamos pacificamente, não nos revoltamos mais. Faltam-nos lideranças políticas gaúchas que contestem a tradicional política nacional, como fizeram nossas lideranças na época da Revolução Farroupilha.”
    Para o professor, o bairrismo gaúcho é salutar à nossa autoestima. “O nosso bairrismo está embasado no 20 de setembro porque tivemos coragem de afrontar o império, mas não deixamos de ser nacionalistas.”
    Somos bairristas porque fomos colonizados de forma diferente. Nossa história é especial. A partir do Tratado de Madri, as famílias da Europa não vieram apenas para explorar nossas riquezas, mas desembarcaram com o intuito de ficar, formar família e trabalhar aqui, criar vínculos e laços. Isso nos elevou a autoestima. Hoje, as propagandas dizem isso.
    O comentarista Arnaldo Jabor exaltou que o que falta ao povo brasileiro é esse orgulho que existe no gaúcho. “Uma pessoa que tem orgulho do seu chão tem mais responsabilidade ao votar e cuida melhor de seu patrimônio histórico, artístico, natural e cultural. Esse é o diferencial do nosso povo”, enfatiza Marcelo.

    Propagandas e o bairrismo
    Lançada em 1929, em Estrela, a cerveja Polar tem um dos sites mais bairristas e bem-humorados, tanto que se tornou referência em marketing. O comercial, feito pela Agência Paim, reforça a conexão com o povo gaúcho e tem mais de 36 mil acessos. Com o tema “Gaúcho sem modéstia”, a marca é citada nas disciplinas de Marketing da Univates e exalta as melhores “coisas do mundo” do Rio Grande do Sul. Cita Anta Gorda, as praias gaúchas, o “Rio” Guaíba, ainda que “meio” sujo, e as tradições sulistas.
    O professor universitário e especialista em Marketing Fábio Kremer diz que faz parte da natureza do gaúcho essa ambiguidade. Antigamente se era ximango ou maragato, hoje gremista ou colorado. “Qual outro povo que sabe cantar o hino de seu Estado?” O bairrismo gaúcho não é depreciativo. “Eu vejo com bons olhos. Se todos tivessem tal sentimento, seríamos um país melhor. Basta pegar casos de políticos gaúchos envolvidos em escândalos; são em números menores. Acredito que um pouco desse valor acaba sendo resgatado por todos nós. O nosso bairrismo auxilia na autoestima.” E a fazer marketing. 

    Contra a corrupção
    Em cavalgadas, o gaudério propagandeia a Chama Crioula, com o trote do cavalo parceiro de muitas léguas. Mas o coordenador da 24ª Região Tradicionalista, Gerson Junqueira, diz que o movimento tradicionalista troteia contra a corrupção e contra o uso das drogas. “É um povo que enfrenta as situações.” A pergunta que não quer calar para o povo tradicionalista é: mas por que os gaúchos comemoram algo que não foi necessariamente uma vitória? Junqueira tem a resposta na ponta da língua: “O gaúcho foi em defesa do pago de faca, enquanto o Império tinha canhões e armamento pesado. Esse é nosso orgulho. A partir da revolução, se tornou um povo respeitado.”

    Andréia Rabaiolli
    andreia@informativo.com.br

    Leia mais no O Informativo do Vale: http://www.informativo.com.br/site/noticia/visualizar/id/26994/?Gauchos-comemoram-o-atrevimento-da-faca-contra-o-canhao.html#ixzz33n7VYeC1 
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    Emerge a sociedade da vigilância


    Não da para dizer que a internet fornecera o triunfo tecnológico. A digitalização não oferece soluções imediatas para problemas sociais. A digitalização por si não constrói já sociedade mais democrática.

    As empresas estão mapeando nosso comportamento pela internet. Como elas sabem que o João é meu amigo?

    Emerge a sociedade da vigilância.

    Nas comunidades virtuais, a adesão. É pelo interesse. As comunidades são virtuais, mas se reúnem em espaços reais.

    A internet é um espaço de marketing virtual, estamos em busca de audiência e status social.

    Viramos-nos uma sociedade de hubs.

    Se  você tem alguma duvida quanto ao que postar na sua rede, siga sua avó. Poste aquilo que sua  “Nonna” não se sentira ofendida em ler. 

     

    A imprensa demorou 400 anos ate se fixar

    O telefone70

    A TV 25 anos

    A internet  sete anos

     A internet tem convergência – interatividade e instantaneidade.

    O primeiro é a chave

    Interatividade  potencializa tudo

    Instantaneidade é maior do que oradio

    Ela está acessivel 24 horas

    Tem memoria

    Personalização

    E fadiga visual

     

    Hoje em dia o poder da internet é inegável. A questão é como podemos explorar o potencial da internet para narrativas jornalísticas?. 

    Felicidade, avis rara


    R aul Seixas cantou no seu estilo roqueiro que somos o resultado de duas mãos coladas numa mesma oração. O escritor e psiquiatra Augusto Cury é mais direto e menos poético, mais motivacional. Somos o espermatozoide vencedor. Triunfam sobre 400 milhões de bichinhos que se desenvolvem no ventre úmido para que? Ser feliz, elementar meu caro Watson.

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    Do primeiro ao último dia de nossas vidas rebolamos por essa tal felicidade. Só que e tão engraçado, queremos tanto a nossa que esquecemos que o outro quer também.

    Se a gente fizer uma reflexão budista entendera como é ávida essa busca fora de nós. Até o matador de pessoas que ser feliz.

    Dois pontos são certeiros> o ser humano quer fugir do sofrimento e ter felicidade. E eis que é uma característica democrática, e um desejo de todas as vidas, superiores e inferiores, até ladrão quando rouba casa busca felicidade.

    Em última instancia essa e a verdade. O ser humano busca a felicidade como a terra clama por água, destaca CURY. MAS Ela é arredia, se esconde nas gutas profundas e nos porões da mente. A gente esperneia, se esfalfa procurando a felicidade na beleza .

     

    Busca

    BUSCAMOS A BELEZA DE ADONIS, QUE PRENDE PELO SEU BELO VISUAL. NA ACADEMIA, O ESPELHO É UM REFLEXO DE EU O PODE NOS TORNAR MELHOR CONSOCO MESMO,. A BUSCA  DE UM EMPREGO QUE NÃO SEJA SUBALTERNO, RECONHECIMENTO, SENTIMENTO DE IMPORTANCIA PERANTE O GRUPO. O AMOR QUE QUREMOS QUE ELE NOS AME ANTES DO QUE NÓS A ELE…A FELICIDADE É UMA PEÇA, UMA ENGRENAGEM INTERNA. COM DIZ ZECA BALEIRO, LUGAR DE SER FELIZ NÃO É SUPERMERCADO. TALVEZ, ESTEJA ENCRAVADO NOS NEURONIOS, E AÍ, MEU QUERIDO, É PRECISO ESCALAR A MONTANHA DO HIMALIA E PROCURAR A PECINHA QE ACESSA ESSE MODO MELHOR DE VIVER. NÃO DESEPERADAMENTE. MAS  DES-ESPERADAMENTE.

    O Dia em que ouvi Monja Coen e rabisquei sabedoria no bloquinho


    Tênis e manto preto, cabeça careca desprovida de vaidade e uma voz mansa, aconchegante quanto um canto. Aforismos de sabedoria

     

    “É preciso assumir nossas insuficiências e poder acolher as falhas das pessoas a nossa volta. Cada geração é uma geração mais madura.

     

    E preciso que essa nova geração conheça melhor os mecanismos da mente humana e seja menos violenta.

     

    Temos de cuidar da terra como nós cuidáramos do nosso dedinho. Se eu cuido do dedo eu não penso como eu sou boa. Eu cuido e pronto. 

     

    A violência começa no útero materno e isso não apenas em famílias pobres. Muitas mulheres criam filhos dentro de um desrespeito à sua maneira de pensar

     

    Não e porque você se torna voluntario que o mundo será bom com vc. 

     

    Eu sou feita de tudo que não sou eu. Eu n existo sozinho. Não posso pegar uma tesoura e me recortar. Somos feitos da mesma matéria das estrelas. Quanta barbárie foi feita no mundo por se achar que somos diferentes raças. Somos parte da natureza.

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    Flávio Gikovate: Enfrentador de medos


     Com status de celebridade, o psicanalista Flávio Gikovate atende as pessoas mais ricas do Brasil. E as normais também. Do garoto medroso que foi, alçado a uma condição de personalidade,  o médico atesta que o homem é maleável. Suas postagens são milhares de vezes compartilhadas em rede social

    • Matéria para a revista GENTE QUE FAZ/maio 2014

     

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     O psiquiatra Flávio Gikovate tinha medo de avião e pavor de falar em público.  Hoje é um dos cem maiores conferencistas do país, já atuou em novela da Rede Globo e fala a milhões de pessoas cada vez que abre o microfone na rádio CNN para apresentar seu “Divã”.

    Gikovate foi uma criança medrosa e nunca fez terapia.  Na faculdade de medicina, tomou contato com a psicanálise e há quatro décadas tem atendido algumas das pessoas mais conhecidas e mais ricas do país e intelectuais destacados.

    Com status de celebridade, Flávio Gikovate pincela temas sobre relações humanas, amor, sexo, casamento, sucesso familiar. Seus trinta livros publicados destila o homem conhecedor da alma humana. Seus pacientes são a maior fonte de inspiração para seus livros.Cerca de nove mil já passaram pelo seu consultório. Hoje, ele já atende muitos pacientes em Nova York e Londres.

     Os conflitos íntimos das pessoas normais, especialmente os relacionados com a vida afetiva e sexual são o cerne de sua temática.

    “Todo mundo fala das pingas que toma, mas não dos tombos que leva”, declarou ele em uma entrevista a Folha de São Paulo.

     E como a própria vida dele mostra, a capacidade de adaptação é artigo de primeira ordem na prateleira das virtudes humanas. O medo, a emoção mais primitiva. Adaptação e medo coabitam nos humanos.  Do alto de sua experiência tida com pacientes de todo o planeta, expõe a característica inerente a todos, o homem é maleável. Inclusive em seus medos.

    “Nossa capacidade de adaptação é muito maior do que podemos imaginar. Na prática, a dor é forte, mas de duração limitada. Só existe durante o processo de transição.”

    O psiquiatra alerta que se adaptar não é se acomodar. “Os acomodados só saem de sua condição ruim pela mão de alguém ou do destino; e irão se acomodar à nova realidade, seja ela melhor ou pior”.

    As digressões de Gikovate estão no Twitter e no Facebook, nas revistas femininas, blogs e sites. O que ele diz repercute sobremaneira.  De criança medrosa, o analista passou a ser um passou a ser um enfrentador de medos. Encarou os seus para se tornar uma personalidade médica, analisa os medos humanos para ajudar a impulsionar a existência. O medo é um freio, assim como a vergonha e a culpa.

    Gikovate professa que dá para ser feliz, apesar do medo.

    Os humanos tem medo da felicidade e ele está na origem da concepção. “O medo da felicidade é assim: quando tudo está bem, as pessoas acham que vai cair um raio na cabeça. Parece que a felicidade atrai uma tragédia. As pessoas batem na madeira, fazem figas, vários rituais de proteção. É como se a felicidade repetisse o problema do parto outra vez.”

    O primeiro registro cerebral é que estava tudo bom no útero. O segundo é a dramática ruptura. Enfrentar o medo da felicidade é fundamental para viver em paz. Quem diminui o egoísmo, que é um gerador de culpas e aumenta a tolerância a frustrações, triunfa sobre o medo.

     

    Quatro requisitos

    A vitória sobre o medo requer quatro características básicas. A primeira delas é a maturidade emocional, definida como boa tolerância a frustrações e sofrimentos de todo tipo. A segunda é a maturidade moral. A pessoa precisa ter capacidade de superar o egoísmo original sem se deixar levar depois pelos sentimentos de culpa, que é o sentimento mais elaborado do ser humano.

     

    Gozar de uma razoável saúde física e uma atividade profissional capaz de entreter e de prover das condições materiais necessárias para uma vida digna e confortável também são requisitos básicos para vencer medos. “É importante saber que a felicidade pode ser perigosa quando implica utopias e expectativas inalcançáveis. Por isso, não se deve deixar de considerar os possíveis momentos de infelicidade, que são compulsórios e fazem parte da condição humana”.

    Gikovate pensa que uma pessoa pode se considerar feliz se sua vida preencher as seguintes condições:

    – Que ela viva em paz a maior parte dos seus dias.

    – Que ela seja capaz de tolerar e reverter mais ou menos rapidamente os maus momentos que inevitavelmente existirão.

    – Que ela tenha o maior número possível de momentos felizes.

    – Que ela saiba administrar a tendência destrutiva que surge quando nos aproximamos da felicidade.

     

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     Divã do Gikovate no Facebook

     

    Em novembro de 2011, Flavio Gikovate entrou no Facebook. . A rede deu a ele a potência para popularizar seus artigos, ideias e opiniões. Gikovate é um homem cheio delas.

     

    Tolerância

     

    Ser capaz de lidar bem com contrariedades, com eventos desagradáveis ou frustrantes, com pessoas deselegantes é essencial para a serenidade.

    A tolerância também é essencial para a aceitação da nossa condição: os mais sábios não se insurgem contra a incerteza acerca do nosso futuro.

    Entre os importantes ingredientes da sabedoria destaco o controle da vaidade e sua tendência competitiva, a humildade e também a tolerância.

    Nem sempre os mais sábios são os mais velhos: muitos idosos tendem a se tornar cada vez mais intolerantes e não costumam ficar mais humildes.

     

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    Mulheres provocativas

     

    As mulheres que se vestem com muita ousadia e sensualidade não costumam ser as mais exuberantes na hora H. Muitas gostam mesmo é de provocar.

    Aquelas que gostam de provocar o desejo de todos os homens tendem a ser as mais egoístas: costumam se satisfazer só por serem cobiçadas.

    As mais generosas se preocupam em não despertar desejos que não irão satisfazer. Assim sendo, tendem a se comportar de forma discreta, porém são as que se soltam mais na hora das trocas de carícias eróticas. Gostam muito de se dar e provocar o máximo de prazer no parceiro.

    A sensualidade feminina não deriva do exibicionismo e nem da perfeição física: depende dela ser capaz de se “entregar” à própria excitação!

     

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    Amizade

     Os que se colocam com sinceridade nas conversas em geral acabam cativando, com sua postura, aquelas pessoas que buscam relações verdadeiras.

    As verdadeiras relações de amizade derivam das conversas íntimas e, através delas, da constatação da existência de afinidades importantes.

     

    “Se uma pessoa tem um olhar forte e firme, fala pouco e suas expressões faciais são discretas, é provável que será das que irá provocar medo”, postou ele em novembro de 2011.

     

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    Extrovertidos

    Não convém considerar que as pessoas extrovertidas e muito falantes são as que mais se abrem e revelam tudo o que se passa no seu íntimo.

    A maior parte dos extrovertidos conta casos, faz piadas e fala de amenidades. Apesar da aparência, têm muita vergonha de falar de si.

     

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    Amor e casamento

     

    Quem aprende a lidar com o desamparo vive sozinho muito bem: ele se atenua quando estamos entretidos com o trabalho, com atividades de lazer…

     

    Os casamentos estão em crise; a vida dos solteiros só tem melhorado; conclusão: o número dos que optam por viver sozinhos tem crescido muito.
    O casamento só voltará a ser prioridade quando as escolhas forem baseadas em afinidades: sem conflitos, cobranças e com gostos parecidos…·.

     

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    Temos de compreender a tradição na qual pertencemos


     O Brasil tem uma lacuna filosófica que levará muito tempo para ser superada. Por 40 anos a filosofia permaneceu proibida de fazer parte nas grades curriculares das escolas públicase somente retornou no início do século XXI. Por isso, é tão dificil em falar temas densos. Mas o professor Rogério Schuck, da Univates em Lajeado, pensa, pesquisa, pondera e divulga. Gradativamente, ele diz qe a filosofia recupera espaço.  “Vivemos num País perpassado pela modernidade, logo, as ciências ditas duras e as ciências exatas ainda precisam se abrir mais ao diálogo com a Filosofia”. A Filosofia não está chegando para tirar , ela precisa   ser realocada para a sua  base, discutindo as questões fundamentais da nossa existência e das ciências.Imagem

    O tema aqui é o livro do professor. Rogério Shuck  diz que o homem precisa se dar conta da tradição na qual está inserido para compreender o mundo. Sua obra, recém lançada, está  no maior site varejista online do mundo: a Amazon.

     O  título do livro do professor Dr. Rogério José Schuck possui  verbetes incomuns ao leitor cotidiano, mas uma linguagem filosófica e por vezes literária. “Apropriação da Tradição: Aproximações à Hermenêutica de Gadamer” não é uma obra que possa ser lida como gibi, como ele mesmo assinala mas pode ser lida por não-filósofos. Na obra, o autor reflete sobre tradição e conhecimento.  .

    O autor levou oito anos para refinar a teoria do filósofo Hans-Georg Gadamer, trazendo a discussão da importância de interpretar sua própria historicidade e analisar própria tradição como  condição de possibilidade para que a pessoa descubra o ponto de partida para se aproximar de uma compreensão com pretensão  de verdade.  Gadamer ainda não é louvado no Brasil. Provavelmente isso se dá pelo fato de que Gadamer é um crítico das ciências denominadas modernas.  O Brasil curte ciência moderna, logo, desconhece as teorias de Gadamer.

    É assim: A ciência moderna procura no método o caminho para que o sujeito descubra a verdade. Essa ideia de um sujeito que é capaz de dar conta da verdade pelo método é insuficiente, os cientistas sabem disso, mas acabam mascarando esta realidade ao se autodenominarem conhecedores da verdade revelada pelo caminho garantidor do método. Gadamer denuncia essa pretensão, demonstrando justamente a falsidade desta ideia ao denunciar a insuficiência da razão em poder dar conta da totalidade como tal. Os filósofos brasileiros estudam bastante a obra principal de Gadamer, a saber, Verdade e Método e não dá para conceber um curso de Filosofia em tempos contemporâneos que deixe de abordar tal obra.

      Gadamer diz que  somos carregados pela historicidade que é muito mais do que uma espécie de conjunto de fatos. Nascemos num contexto de sentido, num mundo dado, que nos ultrapassa a capacidade de tomarmos consciência plena dele. A este lugar, a partir de onde nos damos conta do mundo, podemos denominar “tradição”. Nesse sentido, eu pertenço a uma tradição que possui uma força enorme sobre a construção/formação do meu ser, de minha subjetividade. Não significa que eu vá ficar eternamente como que preso à tradição, mas muito antes que é preciso dar-me conta dessa situação e mais, inicialmente preciso assumir com profundidade as raízes da minha tradição para, a partir daí, compreender o meu mundo.

     

    Jiboia de “estimação” da Univates atinge 2,75 m de comprimento


     

    Serpente-hóspede da Univates cresce em aquário há dez anos. Com mais de 25 quilos,  gigantismo impressiona  alunos que frequentam o Museu de Ciências Naturais

     
     
    Serpente amazônica é atração na Univates há mais de uma década (Fotos:Andreia Rabaiolli)
     

    “Por que é tão grande?” indagam os alunos que visitam o Museu de Ciências Naturais, na Univates, ao ficarem em frente ao aquário da jiboia amazônica. Há dez anos, a hóspede habita o subsolo e virou  celebridade do local. A jiboia atinge hoje 2,75 metros. Tratada com carinho pela  bióloga Larissa Schwarzer,  é alvo da curiosidade estudantil. Os questionamentos dos alunos são inevitáveis.

    A serpente i é única na região. Larissa a trata, limpa o aquário e a alimenta. Em uma redoma de vidro, a jiboia permanece enrodilhada em um tronco de goiabeira. Ela fica a maior parte do tempo sobre ele, é uma forma de se sentir protegida. 

     Os alunos espantam-se com o tamanho do animal.  É um bicho que só se veriam em televisão. São pelo menos 25 quilos de vida que já foi selvagem e que hoje vive em cativeiro.

    A cobra foi confiscada há mais de uma década pela polícia ambiental. “Ela foi retirada de seu ambiente.Serviu como animal de estimação por um certo tempo. “Depois da apreensão, a Univates tornou-se responsável por ela. O aquário tem pedra aquecida. O tronco foi colocado dentro para simbolizar o ambiente natural, explica Larissa

    A fama da serpente percorre os colégios da região. “Muitos conhecem a jiboia, mas querem revê-la para saber como ela está, ou ver o animal em outra posição, na água ou no tronco”, salienta.

    A hóspede gigante perdeu o instinto de caça. Fosse liberta hoje, seria predada por fraqueza.  Os alunos perguntam pelo motivo de a jiboia estar sozinha, não ter um par e Larissa explica que é por ela ter sido retirada de seu ambiente. A informação serve para promover a consciência ambiental. 

    A serpente vive em um ambiente climatizado , entre  20º a 30 graus. Come ratos uma vez por semana.  À noite,  fica  ativa. A serpente sente as vibrações do solo, percebendo com maior intensidade  os seres humanos, por isso a solicitação de não bater no vidro. É a hóspede ilustre do Museu de Ciências Naturais da Univates.

    Carteiro que iniciou na ditadura caminha a “terceira volta ao mundo”


    O carteiro Luciano Martins ingressou nos Correios na época da ditadura e caminha para sua terceira volta ao mundo. Ele planeja juntar testemunhas para ingressar no Livro dos Recordes

     

    Menos cartas, mais boletos (Fotos:Andreia Rabaiolli)

     

    Lajeado – Com 59 anos, Luciano Martins faz este ano 39 anos de profissão: carteiro. Em Lajeado, ele é conhecido no distrito central numa área de quatro quilômetros, trajeto que percorre diariamente para fazer as entregas. Luciano é o carteiro mais antigo do município e planeja entrar para o Livro dos Recordes por muito “bater perna” na vida. “A volta ao redor do  mundo tem 46 mil quilômetros, eu já fiz duas”, explica ele, contabilizando sua trajetória desde a época em que ingressou nos Correios, em 1975.

    Luciano Martins é um Phileas Fogg à maneira brasileira. Fogg é um personagem retratado pelo escritor francês Julio Verne que deu a volta ao mundo em 80 dias. O carteiro demorou quatro décadas. “Estou dando a terceira volta”, comenta sorrindo. Ele diminuiu o ritmo. Dos sete quilômetros anteriores, hoje  percorre quatro.

     

    Do romantismo ao consumismo

    Em 1975, na ditadura, Luciano entregava cartas à mão de pais com saudades de filhos que estavam no exército ou namoradas saudosas dos militares. As pessoas esperavam na porta. “Ainda hoje encontro gente que diz, eu te aguardava para receber minha carta.”

    Hoje das 800 correspondências que entrega, 750 são boletos e raras as cartas de verdade. Os consumidores estão comprando pela internet, fazendo aquisições on line da China. O romantismo deu lugar ao consumismo. “Romantismo, só em novela.”, diz ele enquanto coloca um extrato embaixo da porta e cumpre seu rito de Phileas Fogg dos pampas.

     (Revista Café Virtual News)

    A genética morreu. Viva a epigenética


    Eu sempre tento de aprender uma coisa por dia, nao importa o que quer que seja esta coisa: uma musica, uma palavra nova, um estilo de filme.. Dia desses, deparei com um conceito bacana no programa da Xuxa. Faz tempo, mas vale explicar. epigenetica. É como o ambiente pode alterar nossos genes. A grande sacada disso é que genética não é destino.

    Quem nasce com olho azul, vai ter olho azul sempre, mas o e o hábito de vida das pessoas pode interferir na expressão dos genes. Escolher melhorar a alimentação, praticar exercícios regularmente e não fumar podem fazer diferença, sim, não só em nível fenotípico, como também em nível genotípico.

     A genética morreu. Viva a epigenetica.

     Entra, então, em cena o novíssimo campo da epigenética, onde ambiente e genética trabalham juntos para decidir o seu destino. Os cientistas estão mostrando que o funcionamento dos genes do DNA não depende somente das letrinhas inscritas nele.

     Não sei de onde tirei a explicação, mas foi algo assim: É como se o seu genoma fosse o hardware e a epigenética o software: você já vem ao mundo com um aparelho prontinho (seu corpo com o DNA), mas o ambiente pode instalar e desinstalar programas que mudam quem você é. Imagine que você seja um Iphone novo. Sua performance depende de seus aplicativos. De vez em quando, dá até para falar (brincadeirinha).

    Estresse, por exemplo. Ficou demonstrado em experimentos que ele pode ser herdado pelos filhos, uma vez que os pais adquirem o hábito.

    O destino é lifestyle, essa coisa tão comentada na propaganda.  “A epigenética abalou os alicerces da bilogia e da medicina no seu núcleo, porque revela que não somos vítimas, mas mestres dos nossos genes”

     As experiências de vida, boas ou más, podem influenciar os óvulos e espermatozóides até à quarta geração.

     OLha só a importância da coisa: filhos de mulheres que presenciaram de perto os atentados terroristas de 11 de setembro apresentaram um nível de hormônio ligado ao estresse mais alto do que a média da população. Os cientistas já notaram que crianças nascidas dessas mulheres demonstram mais chance de desenvolver estresse. 

    Epi em grego quer dizer – “em cima”.

    Logo, em cima da genética. So falta  a gente querer ser um esperrmatóide vencedor. E nem depende dele ter vencido a corrida. É você com você mesmo. 

    Escrever é fácil, compreender também. O Como é sempre a mais instigante das palavras. Imagem


    A regra é dizer o que é, não o que não é. Não ser honesto é ser
    desonesto. Não lembrar é esquecer. Não dar atenção é ignorar. Não
    comparecer é faltar. Não pagar em dia é atrasar o pagamento. Emprego que
    não paga bem paga mal.
    Dizer o que não é em geral soa hesitante, impreciso. Pode sugerir
    malandragem, tentativa de fugir do compromisso de afirmar.
    Compare as frases:
     Ele não acredita que o ministro chegue a tempo.
    Ele duvida que o ministro chegue a tempo.

     

    (Do Livro “Como escrever bem”)


    Tese polêmica

    O homem influencia o clima local mas não é competente para provocar o aquecimento global

    Tendo em vista o calorão histórico de 2013, surge o questionamento daqui para frente ficará cada vez pior morar no planeta? Não é bem assim.  O professor da Univates em Lajeado, André Jasper diz que o homem ainda não é suficientemente competente para provocar ou deter o aquecimento global de uma maneira definitiva, mas tem seu quinhão de responsabilidade ao não pensar, por exemplo, em maneiras de reduzir o  impacto no planeta e ajudar a conter o aumento da população, o que gera ainda mais consumo e instabilidade global.

    Como paleontólogo, Jasper refuta a tese do aquecimento global e defende a da mudança climática global.  Para ele, é arrogância humana acreditar que a sua ação na Terra possa ser a exclusiva responsável pela alteração do clima planetário. “Somos responsáveis por mudanças locais, com cidades excessivamente “concretadas” e quentes; redução da permeabilidade do solo pelo uso de calçamentos e asfaltos, gerando inundações e enxurradas. O clima global é controlado por elementos não vivos”.

    As alterações globais que realmente mexeram no clima, foram operadas pela separação dos continentes há milhões de anos, pelo asteroide que se chocou contra a Terra quando houve a extinção dos dinossauros ou, ainda, por ciclos solares recorrentes. 

    Mesmo que o homem tente, é preciso muito esforço  para atuar no planeta de uma forma tão potente quanto o choque do asteroide. Entretanto, ter uma Terra superpovoada agrava uma série de problemas.

      O homem acelera o processo e os efeitos da mudança climática ao fazer a emissão descontrolada de gases de efeito estufa, ao ocupar de forma não planejada as áreas urbanas e rurais. Desta forma, os extremos do clima (chuvas excessivas; ventos fortes; calor extrem) .  Contudo,  não é capaz de controlar a ciclicidade climática.(É a “variabilidade climática,conceito que define climas extremos que vão de intensos temporais,a secas aterradoras, um clima bipolar, mas não atribuem nada a ao aquecimento global).

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    “Somos em parte responsáveis e em parte “vítimas” de um processo irreversível.” Conforme Jasper, a espécie humana, nos seus cerca de 200 mil anos de existência, passou por várias destas mudanças.  “Porém, em nenhuma delas éramos mais de sete bilhões de indivíduos e, portanto, os efeitos sobre a espécie foram menores. Como hoje estamos em praticamente todos os lugares do planeta, com certeza parcelas maiores da população humana global estão sujeitas aos efeitos das mudanças climáticas”.

     

    A Terra não é estável

     

    Para Jasper o homem tem o papel fundamental de compreender a ciclicidade do clima. A Terra não é um ambiente eternamente estável e a humanidade precisa aceitar este fato para que possa estar prepado para sobreviver às mudanças, que são inevitáveis. “Enquanto não aprendermos que as coisas podem mudar, sendo que é necessário que estejamos preparados para as adversidades, seremos uma cultura destinada à extinção.”

    A opinião de Jasper questionando a teoria do aquecimento global de origem puramente antrópica foge do senso comum entre os pesquisadores, mas encontra eco em outra especialista.

    Mestre em ambiente e desenvolvimento, Grasiela Both do CIH da Univates concorda com o professor, acreditando que o homem esteja alterando o clima local, não de maneira global.

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    O aquecimento local é decorrência do aumento da urbanização e da retirada da vegetação do solo.  Cidades maiores têm ilhas de calor. Em Lajeado, a ilha está situada na área central e bairros próximos ao Centro.  “Quanto maior o número de edificações, a bolha de calor se dilata. Não é que ela aumenta, mas se expande. Em zonas rurais, a própria vegetação deixa o ar refrigerado.”

    Assim como o paleontólogo, Grasiela considera que há exagero na polêmica do aquecimento global. A questão precisa ser comprovada.  “Nossa história de clima é recente, não podemos avaliar se na região ocorre mudança  climática.”

    O homem não tem o poder de um asteroide que acabou com a vida dos dinossauros, portanto, não tem o poder de interferir no clima, mas pode fazer muito para manter uma vida de qualidade para a raça e para o planeta. Para André Jasper, a humanidade, além de pensar na emissão de gases estufa,  deve principalmente, refletir para controlar o crescimento populacional. “Temos que aceitar a ciclicidade ambiental e estar preparados. Começar a construir com mais eficiência energética, levando em conta a possibilidade de mudanças ambientais.”

    Construções: problema crônico

     Neste verão, a sensação foi de que o ar-condicionado não foi suficiente para amenizar o calor. Jasper isenta o ar-condicionado da culpa. De acordo com ele, a culpa no Brasil é muito mais das próprias construções que, por falta de isolamento térmico adequado, não conseguem reter o ar refrigerado dentro delas e evitar que calor entre. A maioria das habitações perde facilmente o frio ou o calor que está dentro delas, sendo, portanto, ineficientes tanto no verão quanto no inverno.

     “No Brasil,  temos uma cultura de construção barata e pouco eficiente energeticamente. Assim como os condicionadores de ar não conseguiram suprir a refrigeração exigida neste verão, no inverno os aquecedores não conseguem esquentar suficientemente as residências.”  

    Sem isolamento térmico adequado, no momento em que ocorrem vários dias de calor acima da média, os sistemas de refrigeração não dão conta do recado. “O interessante é que isto tem reflexos para além da casa. Como os condicionadores de ar precisam ficar funcionando constantemente e em todos os lugares, o consumo de energia aumenta consideravelmente, provocando, entre outros, sobrecarga no sistema. Assim, antes de afirmar que os condicionadores de ar não deram conta de tanto calor, eu preferiria dizer que as nossas construções é que não deram conta em reter o ar refrigerado dentro delas e em evitar que calor entrasse. Construções de baixa eficiência energética são um problema crônico no Brasil e não será resolvido em curto ou médio prazo.”

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    MATÉRIA FEITA PARA A REVISTA PROFISSÃO REGIONAL EM MARÇO/2014

    Sábio Cortella, trechos que equivalem a uma janela (de conhecimento)


    Frases do filósofo Mário Sérgio Cortella.

    (Entrevista à reporter Maria Isabel Hammes, Zero Hora)

    (filósofo, professor universitário, palestrante reconhecido no Brasil, seguidor de Paulo Freire, amigo de Clóvis de Barros Filho, veio a Lajeado em uma ocasião para palestrar a professores e virá uma segunda para orientar empresários. Uma de suas perguntas instigantes: se você não existisse, que falta você faria?

    Mas não é sobre essas ideias que quero falar aqui, são novas indagações dele, que li na Zero Hora.

     

    – “Não pode saciar a fome quem lambe pão pintado”

    – Gente tonta costuma imaginar que o único jeito de ser é como ela é. 

     

    São Paulo diz que “tudo me é lícito, mas nem tudo me convém”. Jesus diz que nada adianta ao homem ganhar o mundo se perder a alma. Isso vale para o Brasil de hoje?

    Não podemos perder o foco do que vivemos hoje no Brasil, que não é o auge da sujeira, mas o começo da limpeza. Existem plataformas digitais que favorecem o combate ao ilícito, imprensa livre e uma democracia que não teme. O momento favorece a novidade, que não é a corrupção, mas um começo da limpeza. O país vive uma fase positiva, com a recusa ao apodrecimento ético. A palavra de Paulo serve para cristãos e não cristãos, mas há outros pensadores inspiradores. O Evangelho emite alertas para um país que está revendo seu modo de sustentação à base de cada um por si e Deus por todos.

    Inspiração no Sermão da Montanha, do Novo Testamento

    Texto mais importante do Novo Testamento, o Sermão da Montanha revela os principais conceitos do cristianismo, com preceitos a serem seguidos para uma vida que conduz ao reino de Deus e que leva à libertação do homem. O líder indiano Mahatma Gandhi disse, por exemplo, que, se toda a literatura ocidental se perdesse e restasse apenas o Sermão da Montanha, nada teria se perdido. Considerado uma espécie de código de conduta que continua como a base da moralidade ocidental, o Sermão começa com as bem-aventuranças, o anúncio da verdadeira felicidade, a síntese da iniciação cristã.

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    As bem aventuranças

    – Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus;
    – Bem-aventurados os que choram, porque eles serão consolados;
    – Bem-aventurados os mansos, porque eles herdarão a terra;
    – Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque eles serão fartos;
    – Bem-aventurados os misericordiosos, porque eles alcançarão misericórdia;
    – Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus;
    – Bem-aventurados os pacificadores, porque eles serão chamados filhos de Deus;
    – Bem-aventurados os que sofrem perseguição por causa da justiça, porque deles é o reino dos céus;
    – Bem-aventurados sois vós, quando vos injuriarem e perseguirem e, mentindo, disserem todo o mal contra vós por minha causa.

    As portinhas da natureza


    Lá no jardim da criação, os contornos nunca foram tão nítidos. De mansinho, a serenidade do corpo se propaga no tapete verde e percorre o paredão, entre a pedreira da vida e a geleira da existência. E quando o planeta pendura seu casaco na soleira do túnel verde para respirar o ar verde, se vê a energia primordial alisando a barba da existência.Um passeio epicuriano, simples e glorioso pela natureza  no interior Bom Retiro do Sul, revela o cheiro da vida, que brinca de tobogã na criação. 

     

     

    A cada segundo a natureza sacode a manga do paletó e caem belezas naturais

    A cada segundo a natureza sacode a manga do paletó e caem belezas naturais

     

    Classe média, garota nacional


    Depois de virar capa de revista e revolucionar hábitos, a classe C celebra sua vaidade. A influência da categoria formada por cem milhões de brasileiros

     

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    Fosse um país, a classe média seria o 12º maior país do mundo, em população. A categoria sofisticou o consumo dentro de casa prestando atenção na qualidade das marcas.

    A classe média é vaidosa. Em 2013, gastou cerca de R$ 30 bilhões com manicure, cabeleireiros e esteticistas. É um paraíso para os salões de beleza. A mulher da classe C é a maior consumidora de serviços de beleza no Brasil. Uma pesquisa do Instituto Data Popular mediu que as brasileiras vão, em média, quase três vezes ao mês aos salões.

    Alimentar o marketing pessoal é um rito que Cláudia Bergonsi (28) faz quatro vezes ao mês. Pedicure, manicure, luzes no cabelo e os laços de amizade estreitam-se no salão de beleza em que a auxiliar administrativo costuma frequentar com assiduidade. Cláudia investe R$ 300 mensais. “Minha mãe, no seu tempo, julgaria um exagero. Hoje se torna normal, um hábito. Para o trabalho, é preciso estar apresentável.”

    Juliana Martinez, Solange Kossmann e Celenir Santos, profissionais do salão, trabalham com clientes fidelizadas. “Há quem venha toda semana no mesmo horário”, expressa Juliana, é um costume sacramentado. Lajeado tem cerca de 400 salões, um segmento que cresce amparado pela demanda. 

     

    A nova classe média está mais exigente e quer conforto, destaca o vendedor Vernei Scheuerman. Dispensa o ventilador, financia o ar condicionado silencioso.  “É uma classe informatizada, que reivindica a entrega programada.”

    A TV é o produto mais vendido da loja, seguido pelo ar split e o duplex. “Cliente não quer limpar geladeira.”

    A classe média é uma garota de hábitos que estão se sofisticando. As viagens agora são internacionais.  O agente de viagens Vitor Hugo Wallerius passou mais da metade de 2013 conduzindo a classe média a destinos paradisíacos. Foram 25 viagens em 365 dias. De Santa Catarina à República Dominicana, passando por Porto de Galinhas, México e Cancun. Desbravou com turistas de 1 a 80 anos, gostos e roteiros, em Punta Cana a Santiago, no Chile.  A baixa das passagens aéreas permitiu à classe média o acesso a destinos internacionais como Chile, Peru e México.  Há também outro fator. “O convidativo regime de alimentação “All” muito difundido no Caribe. A organização e a segurança dos destinos turísticos do exterior contribuem.”

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    Colecionando frases


    Porque colecionar palavras é a melhor forma de amar o verbo.

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    De que o mel é doce é coisa que eu me nego a afirmar, mas que parece doce eu afirmo plenamente-(Raul Seixas)

     

    Somos prisioneiros da vida e temos que suportá-la até que o último viaduto nos invada pela boca adentro e viaje eternamente em nossos corpos-(Raul Seixas)

     

    Quando próximo, finja estar longe; quando longe, finja estar próximo.-(Sun Tzu)

     

    nunca lute uma batalha precipitada…(Sun Tzu)

     

    Não permita que lhe façam o bem. Abusarão disso.(Victor Hugo)

     

    Ninguém consegue ser subversivo após uma feijoada.-(Rui Barbosa)

     

    Não estarei destruindo meus inimigos quando os transformo em amigos?-(Abraham Lincoln)

     

    Ando devagar, mas nunca ando para trás.-(Abraham Lincoln)

     

    É melhor calar-se e deixar que as pessoas pensem que você é um idiota do que falar e acabar com a dúvida.-(Abraham Lincoln)

     

    Persistir na raiva é como apanhar um pedaço de carvão quente com a intenção de o atirar em alguém. É sempre quem levanta a pedra que se queima.-(Buda)

     

    Um bebê é a opinião de Deus de que o mundo deve continuar-(Carl Sagan)

     

    Erros são, no final das contas, fundamentos da verdade. Se um homem não sabe o que uma coisa é, já é um avanço do conhecimento saber o que ela não é.-(Carl Sagan)

     

    Ninguém tenta ser perfeito por achar que a vida irá perder a graça. Mas por acaso alguém chegou a ser perfeito para poder afirmar isso???-(Edgar Allan Poe)

     

    O defeito da igualdade é que só a queremos com os nosso superiores.-(Henry Ford)

    Se você pensa que pode ou se pensa que não pode, de qualquer forma você está certo.-(Henry Ford)

     

    E assim é o mundo; às vezes, sinceramente, desejo que Noé e sua comitiva tivessem perdido o barco.-(Mark Twain)

     

    Como é perigoso libertar um povo que prefere a escravidão!-(Nicolau Maquiavel)

     

    Humildade é algo que devemos ter para não lembrarmos aos fracassados o quão são fracassados.(Thomas Jefferson)

    Reinvenção do autor


    Diante de uma nova forma de leitura, historiador reage aos monitores abrindo realmente o baú: cria blog e cria versão digital de seus livros impressos

    professor livro

     

    Com 14 livros impressos e uma biblioteca física possuidora de mil obras, só para fontes de pesquisa, o professor José Alfredo Schierholt não se declara fora de combate, como tantos fazem frente ao mundo tecnológico. Aos 80 anos, foi o primeiro autor do Vale do Taquari a lançar um livro digital. “Estamos diante de uma nova forma de leitura. Especialmente os jovens que preferem ler nos monitores. É um novo mundo. Eu não me entreguei.”

    O Vale do Taquari tem mais de 200 escritores que lançaram obras impressas. O historiador, por enquanto, está na retaguarda cibernética, por ousar em ser lido no virtual. “Vou alimentar de graça a internet porque quero ser lido.”

    Schierholt está digitalizando suas 14 obras. “O primeiro e-book lançado em 2009.” O blog do professor é: www.abrindobaudoschierholt.blogspot.com.br/.  O organizador do blog é o estudante de História, Orestes Mallman.

     

    Modernidade

    A nova “safra” de escritores da região tem o recurso tecnológico em mãos. Lançar na versão digital sua obra e a partir dela e dos critérios técnicos poder se inserir na Academia Literária do Vale do Taquari é retrato da pós-modernidade. Anteriormente, seria necessário a publicação impressa. Hoje, a modernidade e a tecnologia adotam não apenas as obras físicas como critérios de inserção de escritores, como também e-books começam a se multiplicar como novas plataformas de conhecimento.

     

    Queremos heróis porque nos sentimos vazios


    Há alguns anos venho desconstruindo a ideia de celebrar super-herois. Nem super, nem heróis: ninguém é alto o suficiente que não possa cair. A ideia de que os heróis fazem parte do planeta é inerente ao homem, talvez sejamos incubados pela consciência da mitologia grega. Hércules, Beleromonte inicialmente.

     

    Nos anos 1980, ciborgues e mulheres biônicas. Apaixonada pela mulher- maravilha, passei noites em claro rodopiando no quarto para me transformar em uma wonder woman. A personagem Diana Prince, girava e durante o ato, acontecia a transformação. Eu realmente acreditava que, com muita oração e rodopios eu poderia ter os poderes da amazonas. A atriz era Linda Carter: a tiara, os braceletes e o laço. Tudo contribuía para aumentar o meu fascínio.

    Linda Carter continua linda 30 anos após a série. Eu que modifiquei a mentalidade. 

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    Hoje, celebram-se os anti-herois, Doutor House, Dexter, a pós modernidade sabe cultivar muito bem os ídolos ao avesso. Ocorre que ser anti também é glamourizar o heroísmo. Numa sociedade tresloucada, li uma mensagem que quero deixar marcada no meu blog.

    É que o super herói não é todo poderoso, por isso temos de parar de procurá-lo no pai, no filho ou no espírito do próximo. Porque se o super-herói não segura a onda, todo mundo o considera um fracassado.

    Li que queremos heróis porque nos sentimos vazios. São quatro loucuras da sociedade.

    A primeira é instituir que todos têm de ter sucesso, como se ele não tivesse significados individuais.

    A segunda loucura é o mito da felicidade imperativa: você tem de estar feliz todos os dias. A terceira é a onda do desejo material ávido: você tem que comprar tudo o que puder.O resultado é esse consumismo absurdo.

    Por fim, a quarta loucura: você tem de fazer as coisas do jeito certo.

    Essa quarta faz sentido para mim, se relacionar o jeito certo ao seu próprio ethos de viver.  Está ligada à ética, que é a sua maneira de ver o mundo e a partir de sua intenção, fazer com que as coisas fluam para que a sociedade se torne um pouquinho melhor com você dentro dela.

    Talvez a característica com a qual devamos nos impregar dos super herois seja o altruísmo. Mas não devemos buscar por tabela, por meio deles. Seria tão legal termos esse super poder todo o tempo.

    Talvez o verdadeiro heroísmo seja não depender de figuras heroicas. E não se importar com fracassos sociais, mas pequenas vitórias íntimas, que você trava dentro do seu próprio ser. Há uma matilha de cães raivosos dentro da gente, acalmá-los requer argúcia interna. Devemos fazê-lo sem ajuda de tiara da mulher-maravilha.

    Se indignar com a corrupção deitado no sofá não tem efeito


    Doutor em Ciências Políticas pela Universidade de Portugal, Laerson Bruxel foi professor da Univates e acentua um comportamento que precisa ser modificado: se indignar com a corrupção deitado no sofá não tem efeito. É como o torcedor que assiste jogo pela televisão. Para os políticos, a pressão da torcida é inócua, porque eles são imunes às vaias. 

    Por que a corrupção é tão arraigada assim?

    Bruxel – Os especialistas no estudo da corrupção apontam vários fatores, que vão desde aspectos culturais, que são próprios da nossa história, a aspectos estruturais e que perpassam também pelo sistema político. O Brasil ainda carece de alguns mecanismos institucionais que permitam um maior controle sobre o uso do dinheiro público e que, além disso, possam punir efetivamente quem se envolve em práticas de corrupção. Temos também uma cultura que, até certo ponto, vê essas práticas de corrupção como “normais”. Pesquisas já apontaram várias vezes que parcela significativa da população admite que faria a mesma coisa se eventualmente chegasse ao poder. Outro fator que torna práticas de corrupção muito comuns é a grande concentração do poder e a burocratização do acesso a certos serviços que o Estado oferece/disponibiliza. Ou seja, para alguém conseguir alguma coisa do Poder Público, ele só consegue – ao menos, de forma mais célere – com a “ajuda” de alguém. E esse tipo de prática – de precisar ter acesso a alguém que circula e conhece bem os meandros da administração pública e/ou do poder – explica em boa parte da eleição de Calheiros.

    Os 15


    O tempo é relativo. 15 anos podem ser 5 minutos, o tempo que, talvez, você levara para ler este texto, mais uma maneira para lembrar que você tem 15 anos de vida a menos, ou a mais, depende do ponto de vista. Pense da forma mais positiva. Pense relativamente. 

    Se um dia tu se cansar de ter 15, ou a idade que for, pense grande, se quiser ter sete anos volte no tempo, pinte o rosto de suas bonecas com a explicação de que é carnaval, desenhe uma branca de neve sem explicação, simplesmente porque você gosta da branca de neve, sonhe com coelhos. Porém, se der o acaso de tu querer ser grande, se imagine como um gigante, destruindo cidades ou apenas tenha 30 anos e faça as tarefas de alguém com essa idade, arrume a casa, reclame das crianças e assista a novela dizendo que o mundo está perdido. Mas evite ao maximo fugir dos 15, fique nele o tempo que durar, e prolongue-o pelo tempo que puder.

    (Marianna Rabaiolli e sua crônica para desejar bons 15 anos)

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    Independência ou morte? O que a escola jamais contou a você


     

    A verdadeira Independência do Brasil não está nos livros. Fica escondida, pois a realidade tem mais cenas de ficção do que jamais a ficção teria se não fosse inventada
     
    Antes de proclamar independência, Dom Pedro teve várias paradas. (Ilustração: Joana Heck)Antes de proclamar independência, Dom Pedro teve várias “paradas”. (Ilustração: Joana Heck)
     

    A verdadeira Independência do Brasil não está nos livros. Ela fica escondida debaixo do tapete da história porque a que a realidade tem mais cenas de ficção do que jamais a ficção teria se não fosse inventada. O Mazup decidiu dar uma jogada de “Superinteressante” e desbravar para você um dos livros mais interessantes, de Laurentino Gomes, vencedor do prêmio Jabuti no ano passado. O 1822, eleito Livro do Ano. A obra é uma pesquisa séria, baseada em trocas de cartas na época do império. Vamos conferir um pouco da verdadeira independência?

    INDEPENDÊNCIA OU BANHEIRO
    Há 190 anos, Dom Pedro subia a colina do Ipiranga com uma baita dor de barriga. Antes de proclamar a independência, teve de ir várias vezes aos matagais, aliviar a diarreia que lhe dificultou o grito. Em cima de uma égua gateada e não de um cavalo forte, foi que o príncipe se achou num dilema: as margens do Ipiranga chegaram cartas de Portugal intimando o “moleque” a voltar. Com 23 anos, o príncipe era considerado um pirralho mal-educado pela corte.
    Ele ficou tão indignado que perguntou a um padre seu amigo:
    – O que faço agora?
    O padre, prático, aconselhou:
    – Não lhe resta outra coisa senão decretar o Brasil separado de Portugal!
    E assim se fez: com voz mirrada e indecisa, com barro e lodo pelo corpo murcho da diarreia, Dom Pedro disse que o Brasil está livre.

    PROCURA-SE AGRICULTORES
    Quando o Brasil se libertou de Portugal, arrumou a maior briga com os açorianos. Mas aí, não tinha homens nem armas para enfrentar a batalha. De cada dez brasileiros, um apenas era alfabetizado. Ou seja, naquela época, era  todo mundo pobre, escravo, sem saber ler nada e com medo dos portugueses. Como ganhar a batalha? Dom Pedro contratou um cara que era expert em guerras e ganhava todas. Chamado Lorde Cochraine, ele era um pirata e mercenário da Escócia. Pedro disse: contrata uns caras para vir lutar pelo Brasil.
    O Lorde  armou uma baita pataquada para seus conterrâneos. Em jornais alemães, colocou um anúncio: “Venha morar no Brasil. O Brasil precisa de agricultores que plantam e colhem. Receberão salário, casa e alimentação.” Um monte de agricultor com famílias se cadastrou e embarcou na canoa furada. Chegando aqui, os homens eram obrigados a lutar. As mulheres foram mandadas para Novo Hamburgo. Foi assim que Novo Hamburgo foi colonizada pelos alemães.

    DEMONÃO
    Enquanto a princesa era velada, Dom Pedro fornicava com a sua amante. Ela sim foi seu verdadeiro caso de amor: Marquesa de Santos. Eles foram o casal 20 da época. A paixão era avassaladora e consumia o casal.  O romance dos dois rendeu um dos conjuntos mais pitorescos da história. Nas cartas para a marquesa, Dom Pedro assinava como: “O Demonão.”  Intitulava sua genitália como “máquina triforme”. Colocou todos os familiares da marquesa como ministros ou coordenadores de algo. O romance durou sete anos. Depois o príncipe a mandou passear.

    O CADINHO DE 1800
    Pois bem, com o Brasil separado, Dom Pedro ficou imperador e mandava em tudo.  A noite, ele trancava a Imperatriz Dona Leopoldina no quarto que era para poder se fartar de volúpia com as chinocas nas estalagens. Era um tremendo mulherengo. De bigode, grosso e quase analfabeto (sim, Dom Pedro matava o português, pois escrevia mal), o imperador tinha um apetite insaciável. Alguns historiadores dizem que ele chegou a ter 120 filhos, mas oficiais, 12.

    A VERDADEIRA PROCLAMADORA
    A imperatriz Dona Leopoldina era uma mulher feiota, gorda e depressiva. (Naquele tempo não tinha Prozac). Mas era da mais alta realeza da Europa. Super culta e caridosa, costumava ajudar os pobres brasileiros. Foi ela a verdadeira proclamadora da independência junto com José Bonifácio (que era maçom). Dom Pedro ficou com a fama, na cortina, foi ela quem armou tudo. Dom Pedro batia nela. (naquele tempo a Lei Maria da Penha era uma utopia). Em sua última gravidez, Dom Pedro deu um chute em sua barriga. Ela morreu no dia seguinte. Os escravos choraram.

    MARIA DA PENHA
    200 anos depois, o Brasil conseguiu diminuir o analfabetismo assistindo as novelas da Globo. Mas vai mal nas notas do Ideb.  A imperatriz gorda foi trocada por uma guerrilheira boa de matemática e número, a economista presa na ditadura, Dilma Roussef, que se tornou a terceira mulher mais poderosa do mundo segundo a revista Forbes. Nem Dom Pedro conseguiu isso. Se fosse hoje, D Pedro talvez até fosse preso pela lei Maria da Penha. Ou contrataria um bom advogado e sairia ileso, muitos do Mensalão sairão sem sequelas.  O fato é que estamos aqui, 200 milhões de brasileiros que saíram dessa história pitoresca acima relatada pelo jornalista Laurentino Gomes no livro: 1822.

     

    REVISTA MAZUP/SETEMBRO 2012

    Onde está a cultura de Lajeado?


     

    Entretenimento não é cultura na visão da produtora cultural Mariana Beppler. E olha que ela só tem 23 anos e gosta de baladas como todo jovem, mas ama teatro, música e dança
     
    Ano passado, Mariana ajudou a trazer mais de cem eventos culturais. (foto: Luca Lunardi)Ano passado, Mariana ajudou a trazer mais de cem eventos culturais. (foto: Luca Lunardi)
     

    Quando o jovem olha um para a face do outro e diz que não tem lugar para ir a fim de “elevar” seu nível de cultura, quer dizer isso mesmo?  Há controvérsias. No ano passado, a melhor peça do século passou por aqui e só 70 pessoas foram vê-la

    Entretenimento não é cultura na visão da produtora cultural Mariana Beppler. E olha que ela só tem 23 anos e gosta de baladas e festas como todo jovem, mas ama teatro, música e dança. 

    Nos anos 1980, os trintões se lembram do que Titãs cantava: “a gente não quer só comida, a gente quer comida, diversão e arte.” O Vale do Taquari tem sede de que? Tem fome de quê? Qual é a cultura que habita o corpo do Vale do Taquari? 

    Uma vez, o roqueiro Wander Wildner que influenciou o punk gaúcho há três décadas e há um ano veio morar em Lajeado, disse, que a cultura é reflexo do seu povo. É bem provável que não se lembre da própria frase, mas a cultura, como muito bem frisou Djavan um dia, tem um lado B muito interessante. É preciso ter curiosidade para desbravá-la. Mariana Beppler  diz que é preciso  ser curioso por ela. Nascida em uma família de artistas (a irmã é atriz profissional, o irmão viveu da música durante anos), Mariana ajudou a trazer no ano passado, pelo Sesc, cem eventos culturais à região, entre teatro, literatura e manifestações artísticas. “A cultura é um produto, a partir do momento em que ela serve de sustento para muitas pessoas. Dá para viver bem com ela e não precisa ser ator da Globo”. Sua irmã mantém um grupo teatral em Porto Alegre e viaja por todo o Brasil.
     
    Invisível aos olhos, perto do coração
    Produtora cultural há dois anos, Mariana tem um trabalho árduo. Ninguém sabe o esforço que dá trazer uma peça de teatro, agendar horário, ver iluminação, marcar condução para os artistas. Tudo por uma hora e meia de espetáculo. Ela vive garimpando eventos para trazer ao Vale, para fazer com que os olhos das pessoas brilhem de emoção, por isso, sabe que sim, tem cultura aqui. As pessoas que não enxergam. “Talvez elas estejam com visão distorcida do que é cultura. É o que faz pensar. É o que instiga. Mas as pessoas querem informação pronta. Querem entretenimento. Elas já têm muitos problemas, querem rir com um programa de humor que fale palavrão. Mas cultura não é só isso. É agente transformador”.

    O discurso de uma garota de 23 anos difere daqueles que os jovens estão acostumados a ouvir. Mariana quer o senso crítico. Espera que o teatro, o palco, despertem a consciência, causam impacto, seja ele bom ou ruim, mas que de fato, cometam algum tipo de espanto no público. Por isso, para ela, a comédia stand up (um humorista em cima do palco) não é cultura. É riso. “Cultura para mim é pesquisa”.

    Em Lajeado, as pessoas gostam da comédia fácil, mas resistem ao drama. “Creio que elas confundem entretenimento com cultura, por isso muitas reclamam de que faltam opções”.
    Prova de que a região é privilegiada em cultura e de que veio à cidade no ano passado uma das dez melhores  peças do século 21. Foi assistida por 70 pessoas. Só 70 pessoas. A peça RJ Shakeaspeare Juventude Interrompida, falava de quatro estudantes de um colégio interno que fazem leituras de Romeu e Julieta entre os compromissos escolares. A brincadeira de representar vai se tornando mais intensa e toma conta da rotina dos garotos.  “Foi um espetáculo surreal, quem veio saiu arrepiado”, diz Mariana. Mas passou em brancas nuvens pelo Vale do Taquari. Ganhou repercussão em todo o Brasil e pouquíssima aqui.

    É como diz Mariana: “As pessoas devem estar predispostas a cultura”.

    Palco pequeno
    Se for dizer que existe toda a infraestrutura do mundo para Lajeado, bem, isso não é verdade. No auditório do Sesc cabem 150 pessoas. Para peças maiores, devemos buscar salões como Soges, CTC, Centro Comunitário, e locais pequenos em outras cidades. Lajeado também não tem um cinema que preste e a galera reclama a beça disso e com razão.  Mas falta mais consciência de cultura do que estrutura. Quanto mais as pessoas aderirem a ideias culturais, mais prédios e salões serão construídos. “As pessoas não se importam de pagar mais por uma festa, mas não pagam  mais por um teatro. E isso independe do poder aquisitivo.” Mas Mariana tem esperança. “Já passamos por fases mais complicadas, o público aumentou. Há pessoas fieis que vem assistir a eventos instrumentais. Antes, o público não passava de 20 pessoas. Dobrou. O processo de formação de platéia está bem claro para nós, podemos dizer que temos um público que consome cultura em Lajeado, mas o que falta é realmente o público jovem aderir.

     

    REVISTA MAZUP/2012

    Amigos “adultos” compram bebida alcoólica para menores na avenida Acvat


     

     

     

    Menores que frequentam a avenida mais badalada de Lajeado na sexta-feira são de bairros diferentes e cidades vizinhas. Numa conversa informal, reconhecem que amigos maiores compram álcool para eles.  

     FOTO MERAMENTE ILUSTRATIVA

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    A Avenida Acvat é o ponto de maior movimentação juvenil na sexta-feira e sábado à noite em Lajeado. São três quadras apinhadas de pessoas. A juventude espalha-se pelas ruas para acompanhar o fluxo, flertar e consumir bebidas.

    A Avenida Acvat tem 20 estabelecimentos comerciais: uma casa noturna, bares, posto e lanchonetes. O agrupamento de pessoas começa por volta das 23h e segue até a madrugada. Os menores originam-se bairros e cidades vizinhas. 

    Na última sexta-feira, um trio de menores de 13, 14 e 16 anos relata frequentar o local para acompanhar o “fluxo”.  Não consideram o ambiente seguro, mas mesmo assim comparecem.  O pai do jovem de 14 anos é quem proporcionou a carona para que ele chegasse até a avenida. “Minha mãe só não me trouxe porque não tem carro”, afirmou a menina de 13 anos.

     

    Seguir o fluxo é a palavra mágica. Mas há uma inquietação nisso tudo. A multidão atrai menores que tem abusado do álcool. O Ministério Público está vigiando a situação e pretende impor medidas de proteção com a ajuda dos comerciantes da região. O empresário Raul Picco, proprietário do Café Virtual solicitou providências à Brigada Militar para reforçar a fiscalização.  O fenômeno de multiplicação de menores foi observado pelo empresário Raul Pico. “Há dois meses que eles frequentam em alto número”

     

    O coordenador do programa Vida + Viva sem álcool, o promotor Neidemar Fachinetto disse que o programa vai desenvolver estratégias de ação para coibir o consumo desenfreado de álcool no local e conta com a ajuda dos comerciantes do local. “Temos de proteger esses jovens.”

    Na sexta-feira, a Brigada Militar intensificou a fiscalização, solicitando a identificação dos frequentadores. Mas ainda assim, a presença de menores é percebida. Jovens 13, 14 e 15 estão na companhia de amigos maiores. Alguns informam que no local, há comércio de drogas. “Eu já vi vender, mas ninguém nunca me ofereceu. Na esquina o cara que quer comprar chega e pergunta. Quem não tem indica quem tem”, disse um frequentador de 17 anos.  Como aparenta ser de maior idade, esse jovem é quem compra bebidas para entregar aos seus amigos menores.  “Pelo tamanho eu passo por 18 anos.”.

     

    Um outro grupo de jovens, originário de bairros afastados, informa também ser atraído pela multidão.  Ele tem entre 15 e 18 anos, mas disseram que percebem a frequência de pessoas de 10 e 12 anos.  “Hoje em dia quem tem dez anos tem cabeça de 12”, afirma um deles. Reiteraram que são os maiores que compram a bebida alcoólica para menores.  .

     

    Comércio

    Um frequentador, maior de idade, disse que percebeu a frequência de um traficante. “É um cara agradável, boa pinta.”

    Os que atendem nos locais defendem o público frequentador.  “Aqui a maioria vem para namorar. Não vou te dizer que não tem drogas, mas é uma minoria: 90% do público são do bem e tem 10% que estraga tudo”, disse um garçom. 

    A vitória do segundo lugar


    Tu ja notou que é dificil chegar aonde tu quer porque tu tem que ter inconfiância e confiança ao mesmo tempo?

    Confiança para acreditar que você chega lá. E inconfiança é quando pensa  que não sabe nada e vai buscar por esse conhecimento e tu aprende. Essa inconfiança é o segundo passo para você chegar lá.  Por isso eu acredito que o segundo lugar é bom, porque tu tem a confiança suficiente para estar em segundo e  a inconfiança suficiente para querer buscar mais.

    Nanna é Glee com Sócrates.

    Ex-locutor de rádio agora distribui panfletos e carisma na rua


    O ex-locutor José Rubevaldo Machado, trabalhou durante 60 anos na Rádio Independente e aos 73 anos virou garoto-propaganda da panfletagem. Nas ruas de Lajeado, granjeia a simpatia da população. Rubinho é popular nas sinaleiras e calçadas e seu humor comprova o apelido: “Me chamam de Risonho”. Ele distribui mais de dois mil panfletos por dia. “Para mim é uma festa porque converso com as pessoas.”

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    Rubinho ficou conhecido no microfone como J.R Machado. Na emissora de Lajeado, apresentava o programa Esporte em Desfiles e aos sábados narrava Você a Noite. Era amigo do fundador da Rádio Independente, Lauro Mathias Müller. “Eu abria e fechava a rádio, saí logo depois que seu Lauro se foi”, conta relembrado com nostalgia os tempos antigos de se fazer rádio. São 13 anos afastados do microfone.

    Rubinho virou o locutor das sinaleiras. Com carisma, aborda as pessoas para pegar os panfletos: ninguém recusa, sua simpatia é contagiante, seu “bom dia” e sua “benção” faz parte da rotina do lajeadense.  “O pessoal mais velho me reconhece”, atesta.

    Rubinho optou por trabalhar nas ruas para ficar em contato com as pessoas, faz parte de sua natureza expansiva lidar com gente. Sua disposição é invejável.  “O Alexandre (Garcia, jornalista da Globo) me reconheceu dia desses e comentou, tu ainda vive Rubinho.”

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    O apelido

    O nome é José Rubevaldo Machado, Rubinho para os colegas da imprensa e JR Machado, a alcunha que o próprio Lauro Müller denominou quando o locutor começou a trabalhar na Rádio Independente. “Tu era Rubinho lá na rádio em Estrela, aqui em Lajeado você será o JR Machado.” E assim ficou.

    A simpatia do ex-locutor Rubinho é o trunfo da panfletagem. A simpatia de Rubinho é elogiada pela população. “É sempre uma alegria encontrá-lo, ele alegra os dias com seu sorriso, pode não saber, mas melhora o dia de muitas pessoas”, comenta uma “fã” de Rubinho pela rede social.

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    LEGENDA

    Rubinho: simpatia nas ruas

    As provas que desaprovam mas estão mais que aprovadas por mim


    DSC_0680 (2)Minha filha tem uma capacidade enorme de pensar, ponderar e deliberar. Às vezes ela acredita que esteja na contramão, pois já se sentiu uma estranha no ninho no mundo escolar. “Eu acho que eles não me entendem, mãe.”

    Eu compreendo muito bem minha filha e orgulho-me da forma como pensa. Creio que seu pensamento sai da borda, transborda e por vezes esse modo peculiar de estruturar ideias gera espanto ou incompreensão.

    Penso e sinto que o ser humano que pensa difernte necessita ter estrutura para suportar o que vem pela frente: falta de compreensão e às vezes, um bulling social. “Por que você pensa isso, que sem nexo”, quando algo faz sim muito nexo e você pensa que a lucidez está a seu favor, mas todos tentam de dissuadir disso.

    Se para adultos é um desafio  lidar com isso, pior para adolescentes “fora da borda”.

    Aqui, alguns exemplos do pensamento Mariannico, pois Marianna é o nome de minha filha, que ama filosofia, teatro e leitura diversa.

    Prova (antiga) da Marianna

    1- Escreva um texto sobre a influencia do racionalismo iluminista no mundo atual:

    • “O racionalismo iluminista contribuiu muito para a vida “mansa” que levamos hoje, graças aos nossos grandes e medíocres burgueses”.

    Levou um x bem grande.

    2- Como se chamam os brasileiros que moram no Paraguai?

    • “Muambeiros”

    3- Explique a proposta do estudioso que diz: “Todos os seres humanos nascem com direitos iguais”

    • “Defendia que o homem tinha direitos naturais e que ninguém pode controlar isso. Se eu estou feliz, o rei não pode me dizer que eu tenho de ser depressiva, pois a felicidade é um direito natural. É difícil de encontrar, mas é um direito natural”

    Meio certo..

    Troco meus dias de tigresa por uma pacífica existência de gatinha manhosa e ainda assim sou fatal


    Desde que as mulheres queimaram sutiã em praça pública, em 1960, para protestar contra a opressão masculina, não tivemos mais sossego. Vivemos um turbilhão de eventos que nos levam e obrigam à modernidade e independência. Temos de ser decididas, objetivas e plurais. E no Dia da Mulher, merecemos chocolate e jantares à luz de velas.

    Nunca mais tivemos direito de ser dependentes e frágeis emocionalmente. Eu quero meu direito de volta.

    Acredito que muitas necessitam sentir-se protegida e de alguém para contar e mostrar a alma, num mundo não muito confiável de humanidades, apesar de propalar que aprecia a transparência.

    Qual é a transparência da alma de uma mulher? A nudez física é cortejada num mundo simulacro, mas pensamentos, defeitos e bipolaridade não tem vez com mini-saias. Varizes, jamais, celulite é demais. A capacidade de chorar e de reverter à dor e abraçar os filhos, depois que desce ao poço são colares de pérola não lembrados.

    Os direitos iguais continuam desiguais. Apenas alguns, são mais iguais do que os outros.

    Ainda ganhamos 20 por cento menos na folha salarial para exercer a mesma e competente função no mercado de trabalho. Quero ter direito a usar lingerie de algodão bem simples e confortável. Quero prescindir do sapato leoboutin e usar crocs, que prazer, que deleite feito de leite condensando. Quero me condensar na naturalidade não profana da maquiagem.

    Admiro pelo calendário a mulher fatal, independente, autossuficiente que sabe insinuar-se perante rendas finíssimas e um bumbum irretocável, próprio para usar fio dental. É uma delícia ser femme fatale em algumas horas. Em todas, é desespero.

    Eu nem sei fazer direito baliza e que mal há nisso? É antropológico não saber. Não tenho a mesma percepção espacial dos homens. Sou mulher. Desde o mundo das cavernas é assim, porque agora eu preciso ser braço na direção. Pinóia. Não tenho essa obrigação. Quero ser tratada como rainha do lar quando estou no lar. Sim, adoro trabalhar fora, ser eficiente na minha função, não sou de forma alguma subserviente. Tenho minhas opiniões, muitas são contundentes às vezes. Mas eu não quero ser super mulher todos os dias. Por favor, deixem-se ser dependente emocionalmente sem temer ser chamada de Mariazinha. Eu troco meus dias de tigresa por uma pacífica existência de gatinha manhosa. Para contrariar Caetano, uma mulher, uma beleza que não aconteceu e ainda assim é bela aos olhos de quem treina a pupila.

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    Por um jornalismo de zona de desconforto


    Oxalá fossemos iluminados a ponto de não ter nada a dizer e assim não faríamos o mundo perder tempo. Mas temos sim algo a dizer. Só que só dissemos metade. Porque a outra metade não pode ser dita por isso ou por aquilo ou por aquele outro. Porque, “eu não quero me comprometer.”

    O jornalista fica espremido diariamente entre o leitor que tem algo a falar e a fonte oficial que só pode falar aquilo que ela quer. Estudamos para aprender que somos porta-voz e fiscalizadores da sociedade, mas não é assim.: João liga para o jornal para reclamar do alarido que os jovens fazem perto da casa dele. Mas João não quer seu nome no jornal. “Não quero me comprometer”.

    Maria aciona o jornal para reclamar do buraco da rua, da praça que está sem verde, dos ratos que invadem o coreto. Maria quer porque quer uma solução rápida. Mas ela não quer se comprometer, porque afinal ela é amiga dos secretários, do fiscal, do sargento.

    Nós tentamos resolver porque somos porta vozes da sociedade. O secretário, vereador, major ou coordenador se irritam com nossas perguntas. E quando responde, é sempre pela metade: “não coloca isso porque não pega bem.”

    Tter senso crítico é ser uma pedra no sapato.  Jornalista que não é chato é legal para a fonte mas é um pé no saco para o leitor.

     “O leitor ainda pensa que o repórter mente. Com tanto cuidado que a gente tem de ter para não melindrar ninguém, ficamos sem senso crítico, é como diz Nelson Rodrigues. “O repórter mente. E cada vez menos.”

     

      “Nós, da imprensa, somos uns criminosos do adjetivo. Com a mais eufórica das irresponsabilidades, chamamos de “ilustre”, de “insigne”, de “formidável”, qualquer borra-botas.” Não fui eu quem disse. Foi Rodrigues. Eu sei que vai ter gente se irritando com essa crônica. Mas e daí? “A grande vaia é mil vezes mais forte, mais poderosa, mais nobre do que a grande apoteose. Os admiradores corrompem.” Nelson Rodrigues me salva da zona de conforto.

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    Ter controle é melhor do que ter autoestima


    Se você sabe o poder de se controlar, terá força de vontade para moldar seu comportamento e se sentirá vitorioso. Isso aumentará a percepção positiva que terá sobre você. As pessoas gostam de pessoas com autoconfiança

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     Um psicólogo americano,Roy Baumeister, atesta que o autocontrole é mais importante que a autoestima. Defende que o sucesso depende mais da capacidade da pessoa controlar seus impulsos, de adiar o prazer imediato em nome de um objetivo maior no longo prazo. Ele lançou livro chamado Willpower (Força de Vontade), creio que ainda não está disponível no Brasil, mas em breve estará. Li entrevistas concedidas em revistas. Baumeister diz que a autoestima é mais uma consequência do que uma causa. O autocontrole ajuda as pessoas a serem mais bem sucedidas do que a autoestima. E segundo ele, a força de vontade é um dos ingredientes que nos ajudam a ter autocontrole. “É a energia que usamos para mudar a nós mesmos, o nosso comportamento, e tomar decisões”. Entre a teoria e a prática, há muitos chocolates, sorvetes e batatas fritas bloqueando essa percepção científica.

    Eu concordo com esse cara, principalmente porque sei o que é ser descontrolada. Uma hemorragia de emoções afeta o equilíbrio e lá vou eu estar a mercê dos impulsos. Sem controle, não há autoestima que aguente. Até os 40 anos, defendia com unhas e dentes a história da sofreguidão de emoções. Eu adoro metáforas. Creio que a vida pode ser sorvida de forma prazerosa como um sorvete de chocolate e não ser cozinhada em banho maria.  Tudo bem para quem quer estar em fogo brando ou esperar passar o templo nublado para tomar uma decisão. Sempre desconfiei de quem pega leve no tempero. Isso é falta de controle e parcimônia. A força de vontade está em saber dosar temperos. Sem glória não existe vitória, como faz questão de dizer sempre Vítor Belfort, campeão de MMA. Willpower é também uma forma de poder mental. Ainda chego lá.

     

    O cego era um homem sem bengala


    Apoiado na bengala tateava o chão em busca de uma referência humana. Não percebi que  era cego. Naquele momento, a cegueira estava em mim. Ele disse, desinibido:

    • Onde fica a Valecross?

    Constatei que seus olhos eram de um branco incomum, mas mesmo assim dei a informação:

    • O senhor segue a direita e anda uma quadra – disse, sabendo que algo estava errado.

    Ele ficou constrangido e reclamou do táxi.

    • O taxista me deixou tão longe, então…

    Então, só então minha visão clareou e pedi ajuda à minha filha. Queria saber de Marianna como iríamos explicar a ele, mas ela teve um senso de bondade maior do que o meu e rapidamente sugeriu o acompanharmos pelo trajeto. O diálogo foi espontâneo.

    Desconheço o nome do senhor que chegara de Bom Retiro à Lajeado a bordo de um táxi. Antes que o leitor quesitone, sim me lembrei de perguntar o nome, mas não queria perder tempo com isso. O trajeto era um tanto curto e gostaria de saber o motivo da cegueira. Sou curiosa e não sou politicamente correta para conter a indagação. O nome roubaria tempo. Descobri por exemplo, que a catarata é que lhe roubara a visão anos antes e que só  enxergava vultos. Ele não prestava muita atenção ao piso tátil e estava aprendendo braile. Descobri ainda que na sua cidade, estava engajado em lutar para que as pessoas o respeitassem no trânsito e que alguém o avisara: “você ainda vai acabar morto.”.

    Mas a minha maior descoberta fiz por mim mesma ao vê-lo na rua desamparado. É de que a bengala foi mais humana de que o taxista que recebeu pela corrida e o lançou ao meio fio com a orientação: “vá até a esquina” como se tal instrução fosse suficiente para um cego em cidade estranha.

    Pelo trajeto, ainda inquiri:

    • O senhor encontrou boas pessoas em seu caminho?
    • Graças a Deus sim. Ele sempre coloca. Uma parte da humanidade não é boa. A outra está em recuperação.

    Chegamos e ele despediu-se com um “Deus abençoe vocês.”.

    Fui embora com uma sensação de alívio. Também de tristeza porque assim caminha a humanidade. Uma parte rasteja em pé  e outra, de bengala,  se conduz altiva.

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    Teoria da modinha da Marianna


    Busco minha filha no colégio ao meio-dia, ela entra no carro e exclama ainda sem sentar no banco:

    • Mãe, formulei uma teoria da modinha.
    • Fala, então filha!

    • O Juremir (Machado da Silva) diz que se tudo é luz, nada é luz – ela afirma.

    • Sim, ele diz – concordo com ela, um tanto surpreendida.

    •  O que e modinha?O que um grupo de pessoas faz. Vamos usar a matemática e dizer que metade da população faz modinha. A outra metade não faz modinha, mas porque não faz? Porque é modinha não fazer modinha para ser diferente. Logo, todo mundo faz modinha. E se todo mundo faz modinha, nada é modinha.

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    Marianna tem 14 anos e gosta de filosofia, teatro e música.

     

    O super ego coletivo das Redes Sociais


     A comédia e na tragédia se espetacularizam do palco das redes sociais. Nascem os conflitos na rede que virou um juizado de pequenas causas.  “Nada escapa à espetacularização da vida.  O Facebook virou divã social, um local para verter escárnio, tecer duras críticas a parentes e litigar contra a sogra, a nora ou a vizinha.

    (Projeto primeiro de pós-graduação em Jornalismo e Meios Digitiais)

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    O eu foi espetacularizado, não importa que seja sob forma de tragédia ou vitimização. “Estamos pastoreando na rede. Vivemos na hiperealidade. A realidade concreta foi modificada, inundada pela realidade virtual. A internet pode ser graça ou desgraça. Depende de o quanto você se prepara para ela interiormente.”  A humanidade virou frágil personagem de si mesmo. Escoa na modernidade líquida, como teorizou Zygmunt Bauman.

    Três mil anos depois depois de Moises, ainda estamos vagando no Deserto e não estamos libertos. Somos homens livres e matamos o Deus de Abraão. Temos agora o I-God. Moises, aquele com cajado na mão que devastou o Egito com as dez pragas já não é mais bem-vindo. Mas ainda somos o povo que quer o maná em forma de maçã.Trocamos a eudaimonia dos gregos pelo hedonismo das redes sociais.

    O nosso Moisés é anterior ao Bill Gates. É Tim Paterson, Ele não é o Criador. É o Programador. Criou um sistema operativo que depois vendeu a Microsoft de Bill Gates. Paterson criou o DOS. Talvez de uma certa forma, achou um jeito de como programador, programar a dor. Automatizamos tudo, porque não o prazer e a dor?

    Somos os filhos da revolução industrial, somos cordeiros sem religião, geração ciborgue.

    Elegemos um novo deus, mesmo que seja à revelia, mesmo que estejamos na igreja às 8h da manhã dos domingos. O nosso deus é onipresente porque é versão www. O conectamos ao despertar para ler o jornal no breakfeast.  Engolimos a nossa hóstia particular enquanto pensamos no comentário que o marido postou no Facebook da nossa amiga: será que ele está me traindo? Deus não está mais ali na igreja, iGod está em nossas mentes panópticas ajudando a construir a Rede.

    Rede Nossa

    Pai nosso que estais em rede

    Globalizado seja vosso Ceo

    Venha nós a vossa lista

    Seja feito vosso compartilhamento

    Assim no Facebook

    Como no twitter

    O curtir nosso milhares de vezes nos daí hoje

    Abrigai nossas fotos e poses

    Assim como nós abrigamos

    A quem nos tem adicionado

    E não nos deixei cair em tentação

    E  livrai-nos

    Da espetacularização do eu

    e-mém

    (Rabaiolli, 2012)

     

    Caiu na rede é gado

    “O devir não passa de uma ansiedade do passado”, diz Juremir Machado. Nós estamos sendo transformados em pasta, somos o mingau cibernético. “A internet é o creme do creme das ideias ou o creme do crime”.

    Que crime é esse?

    Na era do Facebook, é a visão subvertida do eu revolvido á espetáculo. “Tudo pode ser visto porque tudo vira imagem. As trevas e o silêncio são a síncope da informação”,  (MENEZES, Francisco Martins, Impressões Digitais). Muita luz também pode cegar. A entropia da informação desinforma. “Informação igual a zero”. Hoje temos a visibilidade como trunfo, mesmo por algo que não se conquistou. Não precisamos virar heróis e termos talentos além da conta, só precisamos ser ciber.  É livre-arbitrio diante do “interativo arbítrio”

    Se Descartes se cobriu de glória ao professar: “Penso, logo existo”, vamos descartar a frase em beneficio de algo apropriado: “Posto, logo existo”. “Vim, vi e curti”, que dilema moderno. Trocaremos o “Aqui jaz”, pelo “Off Line”,

    Uma frase de Sartre não me sai da cabeça. Ela é verídica: “O homem está só em sua solidão visceral”, mas também teria nova roupagem: “O homem está só em sua multidão virtual”.

     

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    A mão do inevitável

    É inevitável que se tornemos rebanhos customizados. Assim como foi inescapável adotar os automóveis, depois que Ford criou o modelo-T. Podemos resistir um ou vinte anos. Mas sucumbiremos.  Só fábulas escapam dos dentes da engrenagem do tempo.  A história da Bela Adormecida tem mais de cem anos e ela continua uma flor de formosura dentro da gente. Mas nós não conseguiremos escapar ao sistema e ao virtual. É como a premissa budista que diz que “tudo é sofrimento”.

    “Sofremos quando nascemos e no final da vida, na morte, também sofremos e entre os dois está a doença e o envelhecimento. Não importa o quanto você seja rico ou com um corpo saudável, sofrerá em ambas as circunstâncias”, diz o Dalai Lama no livro ComoPraticar : o caminho para uma vida repleta de sentido ( 2003). Então, aceitar o sofrimento é útil. Da mesma forma, aceitar a virtualização é útil e ajuda a perceber que todas as pessoas são dependentes de suas causas e efeitos. Se ao fim não existe mais palco e nem plateia porque tudo é palco e plateia, então todo mundo tem telhado de vidro e até o alto comando da sociedade que um dia é suserano, pode vir a não ser no futuro. Nada mais é inescapável, todo o jogo pode ser virado, inclusive o do feudalismo digital. Se “empacotamos a consciência”,  e retroagimos no tempo de volta  ao século 15, é mais fácil hoje ser arauto do contra poder e incitar a humanidade a ser analista de si mesmo. Se conseguimos antes, conseguiremos de novo. É o eterno retorno. Não está morto quem peleia. “Enquanto se vive, nunca se sabe as oportunidades que virão. Mas um homem morto não assina cheques”. (O Faz Tudo, Bernard Malahmud).

    Se há um super ego coletivo, baseado na língua do  C: comentar, compartilhar e curtir, há entre o rebanho alguém vivaz como Arthur Schopenhauer, que trouxe a filosofia do oriente para o ocidente. Antes a gente nascia, crescia, ficava velho, doente e morria.(YALOM, Irvin. A Cura de Schopenhauer)

    Hoje a gente nasce, cresce, curte, compartilha, fica velho, doente e morre. Pouca coisa mudou. O homem continua desejando, perdendo e sofrendo como sempre. Só que dessa vez ele espetaculariza seu sofrimento. Schopenhauer percebeu que é preciso desejar o menos possível e saber o mais possível. Então a engrenagem sempre foi a mesma. Só que desta vez é a engrenagem virtual que nos mastiga, assim como o tempo do qual nunca vamos escapar e de nossos desejos. Sempre seremos reféns de nossos desejos. A luta é e sempre foi interna. O Livro Parerga e Paralipomena (SCHOPENHAEUR, Arthur) mostra que o homem é sua riqueza interior. Depois, que o homem tem o acúmulo de bens e sua pobreza interior. Depois que o que importa  para o homem é o mérito interior que resulta em uma autonomia que fica em seu próprio poder. Quem intelectualiza o seu eu, pode se dar ao luxo de espetacularizar seu eu sem reduzir seu cérebro a uma ameba pós-moderna.  Mas a rede é uma areia movediça, nunca intelecutalizamos o  suficiente para então podemos nos chafurdar na espetacularização. E assim só ficamos no jardim de infância da internet. “Somos cordeiros brincando no campo enquanto o açougueiro nos olha e escolhe um , depois outro, pois quando jovens, não sabemos que desgraça nos reserva o destino” (SCHOPENHAEUR, Arthur).

    O autor Pierre Levy enxerga na cibercultura potencialidades positivas (LEVY, Pierre. Cibercultura)..  A tecnociência produziu tanto a bomba atômica quanto as redes interativas.

    Para Nietzsche a doença pertencia ao dominio do corpo dele, mas não era ele. “Eu tenho um porque para viver e posso enfrentar qualquer como.Ele dizia estar “grávido” na cabeça. (YALOM, Irvin. Quando Nietzsche Chorou) . Suas dores temporais eram dores de parto cerebrais. Então, o virtual pertence ao homem ciborgue e não ao homem espiritual. Lendo filosofia, divagando, questionado e teorizando, dá para viver uma vida heroica  e não feliz. Isso já é suficientemente bom

    Espinosa demonstra que a parte eterna da mente consiste no intelecto, cujas idéias representam adequadamente a realidade sob o aspecto da eternidade : “quanto maior é o número de coisas que a mente conhece pelo segundo e pelo terceiro gêneros de conhecimento, tanto maior é a parte dela que permanece ilesa”.  A consciência da liberdade libertou Spinoza enquanto ele estava na prisão. Então está. Hebums papa e habemeus rede social. Mas acima de tudo, habemus nós mesmos. Se só o poder controla o poder (Montesquieu). O movimento interior é um poder. E ele pode governar o ciberpoder mesmo que por fora você faça parte do rebanho customizado.

    Ninguém mais habita o paraíso e o Jardim do Éden. Estamos pastoreando na rede. Vivemos na hiperealidade, não apenas elaborada nas redes sociais, mas a qual ajustamos muito antes de inocularmos a cibercultura, quando sentamos à mesa e degustamos o café da manhã com informação e margarina. Nos “novos tempos”, se procura decifrar o mundo por meio do jornal. “O que não está no jornal, sem dúvida não aconteceu. Na melhor das hipóteses, não é suficientemente relevante, logo, não interfere na realidade.”(SANTOS, Francisco Coelho).

    Ele propõe que a realidade concreta foi modificada, inundada pela realidade virtual. Assim, o mundo realmente real não existe se não for transportado para o plano virtual e quando ele é levado ao virtual propriamente dito, ele se torna muito mais real do que o é realmente. “A realidade é vivida como patchwork, como colagem, como pluralidade”.(SANTOS, Francisco Coelho).

    Um estudo inédito realizado pelo IAB Brasil revela que, para o brasileiro, a Internet já é o meio de comunicação mais importante. De acordo com a pesquisa, um em cada três brasileiros consome pelo menos duas horas de Internet por dia e navega em sites por pelo menos quatro aparelhos diferentes.  Comparada ao rádio, à TV e ao jornal, a Internet já é a mídia mais consumida, não só em casa, como no trabalho, na escola, em restaurantes, shoppings e reuniões presenciais. Dentre os quase 40% que surfam pelo menos duas horas por dia, somente 25% conseguem gastar o mesmo tempo com a TV. Essa, por sinal, é o meio menos usado entre jovens de 15 a 24 anos.  Na nossa prece matinal realista está sendo rogada em bites e rezas customizadas. Ligamos o computador e dizemos “e-mem”

    “Cada pessoa tem que escolher quanta verdade consegue suportar…”
    (Nietzsche)

     Era do Vazio: um título instigante.

     O  autor vai mais fundo que Bauman em “Tempos Líquidos”,mas tem muito dele, porém reinterpreta o narcisismo de uma forma mais ácida.  Ele nos soqueia.

    Gilles L..é o autor. Diz que estamos nos tempos democráticos, das minorias, somos bons porque estamos ouvindo negros, homossexuais, mulheres que apanham e qualquer pedaço de meio ambiente acinzentado. Todos podem ser ouvidos. Todos tem vez e voz. Estamos lidando tanto com tantas causas minoritárias, nos engajamos por tantas minorias que não temos tempo para grandes causas coletivas.  A “sociedade pós moderna não tem um projeto de mobilização. O vazio domina. Mas um vazio sem tragédia nem apocalipse.”

    Tudo se transformou uma grande profusão de pequenas causas de algumas pessoas sós. Todo mundo quer falar de suas causas, onde invariavelmente, a plateia é pequena. Praticamente, só mesmo o autor da denúncia. É uma causa esvaziada por ele mesmo em que so ele presta atençao.

    Somos homens customizados. A moral é customizada. Nas mesas, veio primeiro o prato à La Carte.E depois o homem passou a um cardápio variado de opções em que ele fez escolhas personalizadas em nome do “eu”. Ele quis se sentir especial na indústria de massa.  Porque a indústria de massa, criou uma escala de produção extensa que fez com que o homem pudesse escolher tudo de forma personalizada. Foi tanta massificação que personalizou.

    “O processo de personalização é o novo tipo de controle social”.

    Quando todo mundo quer um lençolcinho do seu gosto pra si, não tem como fazer um cobertor graúdo para o todo.  No inverno, todos vão passar frio do mesmo jeito. Narciso tombará nas águas geladas dos árticos. Este é o novo tipo de controle social de que Gilles Lipovesty fala, entendo eu. Pior do que  aquele que George Orwell vislumbrou em 1984. Somos cordeiros customizados.

     REBANHO CONTEMPORÂNEO

    Com tantas pequenas informações, somos bombardeados todo o tempo por chuvas de pequenas coisas e pequenos espetáculos e eus. Não há conteúdos realmente importantes e densos e grandes causas coletivas. Assim, viramos seres prostrados,  ativistas de sofás: de informações vazias.

    “A indiferença pos-moderna resulta da indiferença por excesso de informação, de solicitação e não por privação. O que ainda nos consegue espantar ou escandalizar? A apatia é decorrencia da velocidade de rotação, assim que um acontecimento é registrado, vem outro que é imediatamente esquecido, pois vem outro ainda mais sensacionalista. Cada vez mais informação e sempre mais depressa.”

    Não é que as pessoas se alieniem. É que quanto mais o sistema atribuir responsabilidades e informar, menor é o investimento.

    Somos indiferentes pelo excesso.

    O cardapio de Narciso. Ele nasceu sob o signo de A La carte. Com garçons servindo pessoas customizadas com necessidade sentirem-se autenticas e revelarem o seu eu. Sentirem-se analisadas. Todos precisamos hoje, ter espaço para ser, mostrar, falar. Um divã, um remédio. A era psi.

    Temos qualidade emocional? No território da alma, sofremos erosão, Assoreamento.O Meio Ambiente está devastado, mas cadê a alma ecológica. Estamos no BBB, nos realitys falando dos nossos problemas e nos consultorios de psiquiatras. Temos transtornos e nossos pais nos dao ritalina. O nosso eu “pirou”.  Viramos vedetes, palco e plateia. Viramos frágeis personagens de nós mesmos.

    Seres sem capacidade de levar uma revoluçao. Temos a pretensão de sermos ouvidos e de agradar, mas nao de lutar. Nao queremos ter domínio e nem conflitos sociais, mas podemos viver num estágio de servidão sutil, contanto que ninguém nos incomode e que ganhamos uns R$ 2,5 mil reais. . Não somos mais hostis nem concorrentes. Somos indiferentes. Desafeiçoados. Somos narcisos que leem 50 Tons de Cinza, dispensamos O Capital, não sabemos que diabo é O Estrangeiro e pensamos que Fausto é o cara que apresenta o Domingão.

    Customizamos até as nossas leituras e as atrações literárias poucas e parcas

     O próprio fato de sermos bons e gostarmos das pessoas, sermos politicamente corretos demonstra o grau de nosso narcisismo. É porque queremos agradar. Não queremos destoar do coro dos contentes. Não queremos ser diferentes. Não queremos nos engajar por uma causa realmente que seja de muito esforço. Só pela nossa. A Era do Vazio. Tempos Líquidos.

    FacebooK: psiquiatra da cibercultura.No que vc está pensando?

    Vc posta todos os seus desabafos..joga tudo na lista de amigos. Uns curtem, outros comentam e outros compartilham. A era dos 3 Cs.

    Os remédios? Da uma googleada e na farmácia on line encomenda, sertralina, ritalina e diazepan.Paga com Master Card no crédito.Depois posta uma foto sorrindo!

    ***Lembrei do chocolate Suflair.  Aerado.Bom e cheio de ar. Chocolate e gás carbônico. A gente paga mais porque tem uma mistura especial de leite em pó, que favorece a criação de bolhas de ar na barra.

    O ator Othon Bastos, em uma formidável propaganda sobre futuro, me fez pensar: “Para onde estará a tecnologia nos levando”. Ou o consumismo. Ele disse que quando conseguimos ser por um instante passageiro, é passageiro. Por mais visceral que seja a mudança algo permanece não muda. “A gente não sabe querer coisas diferenes, só sabe criar coisas diferentes de querer as mesmas coisas.” Por mais tecnologia que tenhamos, somos frágeis, emocionais e continuamos com medo do escuro. Talvez o próximo passo além do último seja o retorno para dentro de si. Algo coma Felicidade Interna Bruta, que os butaneses encontraram revolvendo o seu íntimo, enquanto a gente tenta encontrar o PIB.

     Pesquisa da Academia Americana de Advogados Matrimoniais mostra que a palavra “Facebook” é citada em mais de um terço dos processos de divórcio nos Estados Unidos.

    Mais: 80% dos advogados que cuidam de casos de separação afirmam que há um crescimento considerável do papel do Facebook nas crises conjugais que levam ao divórcio.

    “Vejo o Facebook destruindo casamentos o tempo todo”, disse Gary Traystman, advogado de New London (Connecticut), de acordo com o “NY

      Era do Vazio  (prefácio)

    “Depois do adestramento mecânico, o regime homeopático e cibernético, depois da administração impositiva, a escolha: o respeito às diferenças e o culto a liberação pessoal, humor e psicologismo e liberdade de expressão.” Surge assim o processo de personalização, a sociedade a La carte.

    (Prefácio pagina 17)

    “A sociedade pós-moderna é aquela em que reina a indiferença da massa, na qual domina o sentimento de repetição e estagnação, em que o novo é acolhido do mesmo modo que o velho, que a inovação se torna banal.” (pagina 19).

    “Na sociedade pós-moderna o futuro se dissolve, porque ninguem mais acredita nos amanhas de revolução. Todos querem viver o momento atual” (pagina 19).

    “Nenhuma ideologia política é capaz de inflamar as multidões a sociedade pós-moderna não tem mais ídolos ou tabus, já não tem imagem gloriosa de si mesma, um projeto históricos mobilizados, hoje em dia é o vazio que nos domina. Um vazio sem tragédia nem apocalipse” (pagina 19).

    Sociedade pós-moderna tem paixão pela personalidade, sensibilidade ecológica, busca a qualidade de vida, torna a avalorizar a vida simples, mas é materialista e psicológica, inovadora e retrógada, consumista e ecológica,

    Narcisista, porque é ávida de juventude, esporte e atenta a si mesma. É o neonarcsismo, obcecado por contar sua história, se expressar, ligar na emissora e relatar vivências. “ninguem no fundo está interessado nesta profsão de expressões com exceção do próprio emitente”

    Esta é a sedução da vida a La carte, o modelo geral da nova sociedade. (pagina dois). É o culto da era psi e do politicamente correto. “não existem mais indivíduos cegos, pernetas, estamos na era dos que ouvem mal, dos que enxergam mal, os velhos se tornam pessoas da terceira idade”.

    O autor expõe que o processo de personalização e um novo tipo de controle social gerado através da persuasão. Não de uma forma libertina, mas para adquiri saúde e segurança, os anúncios captam a atenção dos humanos que vão para o computador e fazem seu processo de personalização sem sair de casa.  (pagina 8). Ocorre que a apatia moderna vem na carona desse excesso de hiper solicitação e não de privação. Sãi tantas opões equivalentes, tantas informações, a mídia não para de exibir redescobertas de valores.

    “quanto mais o sistema atribui e informa responsabilidades, menor é o investimento” (pagina 24).

    Hoje temos um eu erodido, esse é o narciso feito sob medida, de personalidade flutuante típico homem da acelerada combinação moderna. Hoje tudo deve ser psicologizado, dito na primeira pessoa, a sociedade prima pela sinceridade, revelação das próprias emoções. Eis a armadilha. “Quanto mais o individuo busca uma verdade pessoal, deixa de respeitar a distancia para manter o respeito da vida particular dos demais.” A civilidade é a atividade que protege o eu dos outros e nos permite o prazer da companhia das demais pessoas. O uso da mascara é a própria essência da civilidade” (p.46)

    Ele rechaça esse strip tease psi e julga que a autenticidade é uma manifestação exiberante demais. Defende a ideia de se expressar sem reservas, mas também sem o que chama de neurose.

    Não necessariamente somos atores, mas precisamos de plateia. Nao necessariamente queremos aplauso, mas precisamos de aprovação: dos pais, amigos, amores. Precisamos ser vistos. O horror de uma vida inobservada, eis um dos medos fundamentais do ser humano. Viver sem com que alguém escrutine nossa vida, como se fossemos a cor da água transparente, mas que ninguem quer beber porque ninguem enxerga. Estarmos invisíveis perante a sociedade é nosso medo eterno. É pelos pequenos prazeres que o homem suporta sua existência. E para ele se sentir vivo, precisa sentir-se olhado e até admirado. Essa é uma vontade que existe sempre, é contínua. É uma vontade carente, pois não cessa nunca. É Nietzsche que dizia que o homem tem uma vontade carente e por isso ele deseja mais poder. Ter o poder para ter maior prazer e conquistar a felicidade. Esta é a vontade de potência.

     Referências bibliográficas

    AULAS, exposições dos professores Francisco Menezes Martins e Leonel Jose de Oliveira, Pós-Graduação Midias Digitais, maio 2012

    DALAI Lama. Como Praticar: o Caminho para uma Vida Repleta de Sentido, editora Rocco, 2003

    Internet supera TV e jornal como mídia mais consumida no Brasil, diz estudo –site WBI Brasil, de marketing digital integrado, acesso em 14 de maio de 2012 – http://www.wbibrasil.com.br/boletim/internet-supera-tv-e-jornal-como-midia-mais-consumida-no-brasil-diz-estudo/1054/?utm_source=news&utm_medium=email&utm_content=boletim-1054&utm_campaign=newsWBI137

    LEVY, Pierre. Cibercultura. Editora 34 Ltda, 1999

    MAHLAMUD, Bernard.  O Faz Tudo,  Record; Publicado em 1966

    MARTINS, Francisco Menezes.  Impressões Digitais,  – Cibercultura, comunicação e pensamento contemporâneo, 2008

    NASSAR, Raduan. Um Copo de Cólera, Cia das Letras, 1978

    NIETZSCHE, Frederico. Assim Falava Zaratrusta,, Versão para e-book, 2002

    MEDIALESS, site áudio e informação – O Criador do DOS, acesso em 28 de maio 2012 http://www.medialess.com.br/?p=435

    RABAIOLLI, Andreia. Blog Pitônicas, da autora: pitonicas.blogspot.com.br

    SANTOS, Francisco Coelho. Artigo. “Sob o brilho frio dos tubos de raios catódicos”

    YALOM, Irvin. A Cura de Schophauer, Ediouro, 2005

    YALOM, Irvin. Quando Nietzsche Chorou. Ediouro, 2004

     

    Narcisos da adrenalina: marombeiros disputam espaço em espelhos de academia


    Academia investe em espelho gigante porque marombeiros malham mirando o próprio reflexo.O proprietário Leandro Dörr observa que há os dois lados do fenômeno. Olhar-se corrige a postura e facilita a adequação aos exercícios e também evidencia o narcisismo moderno.

     De outubro a dezembro, o movimento da academia de Leandro Dörr  em Lajeado, aumenta  30%. Quando eles fazem exercícios, o espelho é o companheiro mestre. Imagem

    “Os homens querem usar camisetas, mostrar braços, as mulheres, retirar pneuzinhos.”

    Para o corpo estar em dia com o reflexo, é preciso um duro trabalho. Não dá para fazer milagres neste período, mas  é possível melhorar.  Depende da idade, sexo e do metabolismo da pessoa. Dörr adverte cada marombeiro: “não existe receita de bolo”. Consciência e autocontrole são chaves para o sucesso.  Antes da atividade física é preciso controlar a boca: 70% é a alimentação quem faz. O restante é a atividade física. “Não adianta se matar malhando depois tomar cerveja e comer hamburguer”.

    Investimento feito na academia foi em espelhos. Cada canto com as lâminas gigantes é disputado. “Coloquei  atrás dos pilares, entre os aparelhos. As pessoas malham se olhando e isso corrige o movimento, verificam como está a postura, percebem o músculo trabalhar.” Entre o narcisismo e a vida saudável, há mais do que se supõe a vã filosofia. Há força de vontade e fé.

    PARTE DA MATÉRIA PUBLICADA NA REVISTA VALOR PROFISSÃO REGIONAL

    Meu portal da transparência: não saber é tão íntimo


    Reviso meu espólio de vida e bens nos dois meses que antecedem meus 43 anos: R$ 1.543 reais no banco Sicredi, um Celta 2001 no valor de R$ 12 mil, uma graduação em Comunicação Social e uma especialização em Jornalismo em Meios Digitais. Tudo que tenho nessa bendita ou “maledeta” vida material.

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    Afetivamente, possuo uma filha que pensa para mais de metro. Ela me ensinou a relação entre Salvador Dali e a teoria da relatividade e os relógios molezinhos de sua obra. Depois, foi explicar nos corredores da Univates, no Projeto Aluno Pesquisador: “Tem a ver com a Persistência da Memória, mãe.”.
    O que é sucesso, para você? Certamente ultrapassar a barreira dos 40 com um conjunto de bens que não justificam uma conta Prime no Bradesco não é exitoso. Até hoje, o Leão do governo não conseguiu me pegar. O imposto de renda ficou retido na fonte. Sou um fracasso financeiro.
    Ouvi de um amigo esta semana que ele será feliz quando começar a ganhar R$ 200 mil mensais. Por enquanto, arrecada R$ 5 mil a cada três dias. Talvez eu compreenda, por esta ótica, a Teoria da Relatividade, de que Marianna, minha filha, quis me fazer assimilar nos quadros de Dali. Não seria feliz com R$ 200 mil mensais, mas com os R$ 5 mil do meu amigo para o mês inteiro, isso sim. Seria uma mão na roda. Rodaria o mundo. Iria conhecer o mundo de Dali em Barcelona. Estou enormemente satisfeita por meus encontros com o mundo nos últimos três anos. Não é que eu viajei, é que a viagem veio até mim.
    Conheci os caras da Escola da Suspeita, o simulacro de Baudrillard, o vazio de Lipovetsky e a vertigem da pós-modernidade com autores que não são sucesso em Holywood. Mas nas academias (não as que tem aparelho, as escolares).
    Isolo-me como Schopenhauer fazia, aprendo com Nietzsche a martelar ídolos. Meu orientador de pós-graduação observou: “Ninguém é tão bom que não possa ser derrubado.” Ele também me martelou. Então me dei conta de que as verdades são derrubadas a toda hora. Nada é tão orgânico que precisa ser tido como verdade absoluta.
    Quando fiz minha banca, entre minhas respostas, estava o “não sei”. Eu não sabia por que não queria afirmar conclusões que permaneceria inalteradas nem derrotar futuros incertos. Meu professor disse: “talvez seja essa a resposta que esperávamos de ti.”.
    Não saber é sempre o mais íntimo.

    Expansão imobiliária transforma Lajeado em oásis urbano


    Expansão imobiliária atrai investidores e torna cidade fértil em projetos e ideias urbanas. Há 156 anos, Lajeado possuía apenas 188 pessoas. Hoje, tem 76.187

    Lajeado tem alta densidade demográfica na zona central

    Lajeado tem alta densidade demográfica na zona central

    Lajeado – Os sonhos da classe média se realizam em Lajeado. Iniciar uma casa, planejar um hotel, construir sobrados. A expansão imobiliária existe e não é de hoje. A Secretaria do Planejamento da cidade concedeu em 2013, 1.270 alvarás para construção civil. Pelo menos três inícios de construções, no ano passado, foram autorizados pela prefeitura, diariamente. “É uma expansão muito grande, significa que a construção está em alta. Pessoas investem aqui.”, analisa a secretária de Planejamento, Marta Peixoto.

    O forte desenvolvimento econômico de Lajeado aliado ao seu caráter de polo regional expõe a oportunidade para os investimentos no setor imobiliário.Lajeado se transformou em oásis para a construção civil desde  2009. Naquele ano, foram protocolados 1.213 projetos na prefeitura.

    A renda conjunta das famílias lajeadenses é a maior do Vale do Taquari. O Censo 2010 identificou que dos 25 mil lares, dois mil deles tinham renda de  cinco salários mínimos por mês. Essa é uma característica de cidade urbanizada e economia diversificada. “Lajeado emprega muitos na construção civil e no comércio. A Univates é uma grande referência, assim como o Hospital Bruno Born. O município atrai pessoas de fora”, explica  a secretária. Como polo universitário e de saúde de referência no Estado, a cidade tem atraído cada vez mais estudantes, pesquisadores, trabalhadores e empreendedores.

    Os migrantes precisam de local para morar. A expansão territorial segue o curso da nova Benjamin Constant,  rumo aos Bairros de Conventos e São Bento. Ali, a multiplicação de sobrados valoriza terrenos.  “Professores universitários e juízes escolhem Lajeado para  trabalhar e após, planejam aqui sua aposentadoria.”

    Planejamento urbano faz parte de cidade que quer estar organizada para o futuro. É preciso inserir a população em qualidade de vida, diminuir o inchaço do trânsito e o tempo de locomoção. O município se organiza para o Plano Diretor. Quanto mais uma cidade for planejada, mais investidores investem nela.

    Somos muitos, seremos verticais

    Conforme a estimativa populacional do IBGE em 2013,  Lajeado possui 76.187 habitantes. O município de Lajeado se destaca no Rio Grande do Sul pela densidade demográfica: são 826 habitantes por quilômetro quadrado. A cidade concentra muita gente em uma área territorial restrita.  Em 2010, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicava que o número de habitantes por quilômetro quadrado era 20 vezes maior do que a média no Estado, porque a cidade possuía 71 mil habitantes.

    Como a estimativa populacional em 2013 passou para 76 mil habitantes e a área da cidade continua a mesma, 92 quilômetros quadrados, significa que o número de pessoas que vivem mais “apertadinhas” aumentou. A densidade demográfica é alta porque a área territorial é pequena e praticamente toda urbana, com grande concentração de atividades industriais, comerciais e de serviços.

    Planejar a Lajeado do futuro é tarefa dos especialistas, engenheiros e arquitetos urbanos. Aliar progresso e modo de vida sustentável não é tarefa fácil, é um desafio que precisa ser superado no dia-a-dia, enquanto a cidade cresce.

    Curiosidades

    • Com 826 habitantes por quilômetro quadrado, Lajeado se destaca na densidade demográfica entre os 496 municípios do Estado.
    • A cidade possui apenas 3% da área original. Há 120 anos tinha 3,5 mil quilômetros quadrados, hoje só tem 90. É decorrência das emancipações.

    •  Em 1858  Lajeado possuía 188 pessoas, dos quais 112 alemães.

    • A estimativa populacional de Lajeado em 2013 é de  76.187 pessoas

    MATÉRIA PUBLICADA NA REVISTA PROFISSÃO REGIONAL

    Algo em mim pensa e posta


    Vivemos na era da espetacularização do eu. Mesmo o sofrimento vira “show.” Brigas e intrigas nas redes sociais são frequentes e a postagem de amigos leva a discussão e a posterior exclusão.

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    Essa transparência virtual se transformou em ditadura e não estou fora dela. Ninguém de nós. Este agora é nosso mundo visível. Este agora é o planeta de luz, feito por pessoas sem luz interior. “É um mundo em que altruísmo e egoísmo são máscaras e não verdades”, diria um professor especialista em cibercultura.
    Se o número de postagens bondosas sobre boas intenções realmente fossem levadas a cabo no Facebook: “Eu amo minha mãe.” “Compartilhe a foto deste menino doente.” “Vamos derrotar a corrupção.” “Caráter não se compra.”, a fome na África diminuiria; a violência contra crianças e mulheres seria mais denunciada e não nos submeteríamos a burlar pequenas leis em nome do jeitinho brasileiro. 
    O mundo moderno é cheio de simulações. O real é só aparência. Aceitamos essa aparência como se fosse realidade. Aceitamos por inércia porque gostamos do que existe por ser melhor do que aquela que existia antes. Essa realidade virtual é criada por simulações e postagens e não por atos, é mais bem sucedida e amável do que aquela que rechaçamos. Por isso, transmitimos essa. Só que esquecemos que ela é ilusão. E entramos tanto nela e brigamos dentro dela, assim fazemos inimigos. Viramos narcisos modernos e nosso espelho são as fotos no Facebook. Somos selfies e não amigos.
    Estamos enfermos de tanto que nos deslumbramos conosco. Palco e plateia de nós mesmos. Eu posto e eu mesmo curto, o Facebook virou a microfonia da vez.

    Lições de rua de Iara, a gari


    Iara Cristina de Souza varre o Centro de Lajeado e sacia a sede solicitando água nas lojas.  Apesar de ter dinheiro para abrir mão da marmita e se abancar em restaurante prefere almoçar em escadas ou calçadas por causa do olhar julgador da sociedade. 

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    Sorriso no rosto, vocabulário atilado e voz macia. O uniforme laranja indica a função social: Iara Cristina de Souza, gari, com liberdade de sorrir e conhecer pessoas. O tempo de profissão é curto, seis meses fazendo a faxina das calçadas  já lhe valeram a “ampliação” da rede de conhecidos.  Aos 42 anos, Iara é  varredora comunicativa. Gosta do trabalho sem paredes.

    Limpa frestas das calçadas da extensão da Rua Bento Gonçalves e  transversais. Com  a parceria de Rosa, iniciam a limpeza longe..  Sozinha, recolhe dez sacos de lixo.  A sociedade suja, lança ao chão sem se dar conta, porcarias da vida moderna. Papel de bala, sorvete, folhetos e tocos  de cigarro.

    Para Iara  as pessoas fumam em excesso, o hábito é notório na varrição perto de lancherias.  Um entrevero de tocos no chão. “O pessoal vai fumando e largando.”

    Ex-babá, limpava os detritos dos nenéns, agora higieniza impureza de gente grande. Iara desperta às 4h30 da manhã. A varrição é uma atividade matutina. Às 6h, com a pá em mãos, inicia o expurgo: varrer, juntar e depositar no coletor.  Ato repetido durante sete horas do dia.  Volta e meia, vira a cabeça para receber um olá. “Eu e minha amiga somos comunicativas, pegamos boas ruas. Aqui as pessoas são simpáticas.” Ela surpreende-se por receber copos de água.  Satisfação é ganhar doações de comerciantes bondosos. “Minha filha vai ter bebê, eu ganhei um berço.”

    O perfil simpático ajuda. Iara valoriza a profissão. É como se o uniforme laranja lhe desse o mesmo orgulho como se estivesse metida dentro de um jaleco branco.

    Iara percebe, depois dos 40 anos, que sentimentos vão e voltam, não são lineares. Se há apreço no trabalho de gari, existe um desafio maior do que o monetário. Fazer a sociedade compreender que um lixeiro não é uma mera sobra social.  Um resgate de autoestima que é preciso começar pelo próprio gari, que teme ingressar em locais “chiques” pelo olhar intimador da classe média.

    Iara e seus colegas alimentam-se agachados nas calçadas e escadarias. “Nós recebemos um valor para almoçarmos, mas não entramos em restaurantes. Sentimos a discriminação na própria pele. E também porque a gente mesmo se autodiscrimina.”

    Um local confortável para sentar, comida quente de panela e apreciar o ambiente acolhedor de um bistrô estão anos-luz do homem que limpa a sujeira da humanidade. Porque não é o dinheiro que o detém a entrar no restaurante, é o temor do julgamento humano.  “Por sermos gari, nos rebaixam, acham que é serviço inferior. Eu e minha colega passamos poucas e boas. Fomos xingadas por estarmos na calçada. Mas engolimos numa boa.”

     Mais olás

    Iara Cristina de Souza eleva sua visibilidade nas ruas centrais de Lajeado pela sua personalidade espontânea. “Depois da matéria eu recebi parabéns. Uma advogada  me deu um cartão com dizeres grandes e bonitos.”

    A colega Rosa percebe a notoriedade pelos panfletos que recebe. “Até que enfim recebi um.” Elas explicam o processo de invisibilidade social a que os varredores estão expostos. “Gari não tem direito de receber panfleto, quando a gente passa, eles abaixam os braços.”  O uniforme laranja era suficiente para retirá-las do que a sociedade considera profissão subalterna. Graças a originalidade de ambas, a vitrine desponta. “Agora estamos mais visíveis.”

    JORNALISMO, O COELHO DE ALICE NO PLANETA MIDIÁTICO


    A pesquisa reflete sobre a desintegração do jornalismo e a relaciona a desorientação da sociedade pós-moderna.

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     Sociedade está desorientada  agravada pelo excesso de ofertas. Jornalismo está diluído: vamos falar dessa erosão: fetichização da velocidade”.  padronização do conteúdo, empacotamento de noticias,auto-referencia. A tecnologia tem sido uma ferramenta importante nesse processo pós-moderno.

    Homens e jornalistas estão inseridos na mesma realidade simbólica e no mesmo universo espetacular. Homens e jornalistas estão inseridos na mesma realidade simbólica e no mesmo universo espetacular.

    Caldo cultural moderno: o neonarcisimo e o uso das novas tecnologias que afloram nas redes sociais contribuem para o simulacro. A rede debilita o processo de checagem de informação, enfraquecendo a investigação à medida que oferece matérias fáceis, disponíveis na tela Com a internet, veio à padronização do conteúdo, sempre as mesmas fontes. Há uma erosão no jornalismo, cresce o empacotamento de noticias. Os ciberleitores são vorazes

    *** Para Silvia Moretzsohn, o efeito de “fetichização da velocidade”.  A informação como artifício.

    *** Marcondes critica o profissional como produto insosso: “uma argamassa” misturada aos dados do jornal. Estamos vivendo à auto-referência, olhando-se como espelho em um processo narcísico.

    Narcolepsia “é o que padece diariamente toda a sociedade que adormece diante de um monitor depois de tomar conhecimento das atrocidades do mundo narradas pelos telenoticiários. Não queremos despertar do sono eletrônico que nos permite entrar em contato com as emoções mais profundas a partir da segurança de um voyeur.”.


    Lipovestky
    -. Ele descreve a sociedade contemporânea como sendo de hábitos a “La Carte”, acreditando que a ‘era do vazio’ esteja ligada a um tempo de desorientação agravada pelo individualismo e pelo excesso de ofertas sobre tudo: viagem, diversão, alimentação, dieta, roupas, carros, etc. Se, ao final desse menu, a satisfação não for encontrada, há ainda opções de medicações, psiquiatras, medicina alternativa e religiões. “Há, portanto, com a sociedade de hiperconsumo, uma fragilização dos indivíduos”. O jornalismo também está fragilizado. A inteligência coletiva é um rebanho customizado.

    1984

    • Emboscados no olho do ‘Grande Irmão’, necessitamos que seja feito o grande compartilhamento, assim no Facebook como no Twitter. O olho envia, curte e compartilha causas, aplicativos e imagens, em gigante palco virtual que engoliu o planeta. A sociedade caminha para a profecia cinematográfica de George Orwell convergindo para um espelho negro, que reaparece na visão do diretor Charlie Brooker.

    Em 2012, Brooker e a série de TV ‘Black Mirror’ abordaram de forma impactante os efeitos colaterais da tecnologia. Personagens zumbis na tela apareceram escravizados pelos smartphones e pelo olhar cabisbaixo. Viviam mundos irreais em simulações que imaginavam reais.

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    O jornalismo como martelo potente

    Escolher uma ação tão bacana que você queira que ela dure um momento eterno neste mundo provisório. E a potencia da sua decisão. Seria a força do fazer jornalismo. Não está fora, sim dentro de si. Você é seu juiz, por isso não tem fórmula e não tem um código moral, a moral é muito mais uma liberdade do que uma restrição.

    Escolher uma ação tão bacana que você queira que ela dure um momento eterno neste mundo provisório. E a potencia da sua decisão. Seria a força do fazer jornalismo. Nao esta fora, esta dentro de si. Você é seu juiz, por isso não tem formula e nao tem um código moral, a moral e muito mais uma liberdade do que uma restrição.

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    Muito adorno de vitrine e pouco para a despensa


    O humorista americano George Carlin escreveu um texto sobre o paradoxo do nosso tempo descrevendo a era da memória.  Enquanto todos os nossos registros são perenes e rastreados, conseguimos comprar muito adorno de vitrine e pouco para a despensa. “Construímos mais computadores para armazenar mais informação, produzir mais cópias do que nunca, mas nos comunicamos menos.” .

    Então é isso gente. Compreendemos que nossa prece matinal realista está sendo rogada em bites e rezas customizadas. Ligamos o computador e dizemos “e-mem”. Uma palavra dissonante do outro lado da tela, ciúmes ou traições virtuais contribuem para amaldiçoar a oração.

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    Uma pesquisa da Academia Americana de Advogados Matrimoniais mostra que a palavra “Facebook” é citada em mais de um terço dos processos de divórcio nos Estados Unidos. Oitenta por cento dos advogados que cuidam de casos de separação afirmam que há um crescimento considerável do papel do Facebook nas crises conjugais que levam ao divórcio.

     O advogado Gary Traystman disse ao jornal New London de Connecticut uma frase impactante: “Vejo o Facebook destruindo casamentos o tempo todo”.

     Uma vez, meu editor disse: as redes sociais são a tarja preta da vida moderna. Nem tudo pode ser tão apocalíptico assim. Mas, observamos neste ponto certa semelhança relacionada a narrativa de George Orwell, vislumbrando um cenário de servidão e vigilância da sociedade sob domínio do Grande Irmão na obra “1984”. Estamos mergulhandos num grande e vigilante olho. E mais do que o amamos. Sentimos síndrome de abstinência quando não podemos nos relacionar com o senhor Googl(weel). Ele nos faz tão bem. 

     

    Facebook é o novo “santinho” moderno


    O mundo em rede é a nova boca de urna.  “Curtir, comentar, compartilhar’.  Se o mundo até ontem conhecia três dimensões, agora exige três verbos decorrentes das redes socais. Na era cibernética,  o mundo em rede é a nova boca de urna.

    Os grandes comícios e locais para o debate da vida política se transferiram, em grande parte, para o ambiente virtual. Tudo o que acontece no contexto da vida política nacional tem repercussão na rede,  Ao contrário do que acontece num comício, onde o candidato fala para o público, nas redes sociais ele conversa com o eleitor. Ao falar, a comunicação se desenrola de forma unidirecional. Ao conversar, a comunicação se estabelece através de processos multidirecionais, o que favorece a troca de informações e o debate de idéias.

    As mídias sociais são utilizadas como armas de campanha, assim como os santinhos, os cavaletes e o painéis. Só que nas redes, a publicidade é online e onipresente. Há eleitor que se irrita com tanta propaganda invadindo sua vida real ou virtual. Há “memes” no Facebook sendo compartilhados em profusão: “Senhor candidato: jogou panfleto na minha garagem, perturbou meu sossego, perdeu meu voto.

    Os que defendem o uso das redes pelos políticos defendem: “qualquer produto precisa ser anunciado”. Os candidatos precisam vender seu peixe. Como fisgar eleitores se não forem vistos? É por isso que os políticos estão e devem estar cada vez mais conectados. Pelo menos no Facebook. A rede social de Mark Zuckerberg se expande mais rapidamente tanto no Brasil  quanto no Vale do Taquari e os candidatos se fixaram nela para divulgar a plataforma de governo. 

    As redes sociais  servem para humanizar a figura do político, que pode externar para os seus “amigos” ou seguidores o livro que está lendo, o filme que pretende assistir, ou o passeio que vai fazer no final de semana. Mas,  utilizar a internet com profissionalismo é fundamental para o sucesso de qualquer candidato. Compreender que este é um espaço de troca, interação e diálogo e que tudo isso pressupõe empenho e disposição para estar literalmente conectado a um determinado público. A internet também pode arruinar uma candidatura. Ninguém quer ser bombardeado com e-mail marketing e newsletter, assim como ninguém quer interrogar o seu candidato e ficar sem resposta.

    A boca de urna pode calar seu candidato. Após as eleições: off line.Imagem

    Bronca


    —-Mãe, é tu que consegue comer um pacote de bolacha em três dias? São quatro bolachas apenas. Olha o dinheiro que tu gasta por causa da tua gula…

     ——E tu vai postar isso no Face? É por isso que a gente ta saindo do Facebook. Tudo que a gente faz vocês querem postar ou comentar….

    Teste vocacional


    A Nanna (minha filha) e a frustração com os testes vocacionais

    • Mãe, fiz cinco testes e todos eles disseram que vou ser pobre.
    • Como assim?

    • Coloco nas respostas que quero ser bem sucedida, não me interesso por salvar o planeta e dá que devo seguir na area da Comunicação.

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    Você não precisa engolir sapos para gerar paz. Transforme sua raiva


    monja zen budista Coen Sensei prende atenção da inquieta geração Y. Ensina que sapos não serão engolidos quando a mente souber reconhecer a raiva. Promotora da paz, diz que dar uma flor a um policial é uma forma de violência

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    “Comecei a meditar por causa dos Beatles. Eu os achava inteligentes porque eles praticavam a cultura da paz”. Monja Coen Sensei (65) absorveu a plateia de estudantes durante três horas na cidade de Estrela. Com a voz mansa, ela mostrou na prática como se cativa para a paz, sem dar um tom maior ao ambiente. Coen veio para o Vale do Taquari para divulgar a cultura da paz. Em 2013, Estrela registrou 13 casos de violência sexual e 11 tentativas de suicídio. A monja, que segue os ensinamentos de Buda, fala de uma cultura de paz amplificada. Para ela, não ser violento significa não bater a porta do quarto com força, pisar leve e falar baixo. Ela avisa que é difícil, mas treinando, todos conseguem. O budismo é  uma filosofia, mas também é uma ciência da mente, através de meditação e respiração adequada a pessoa consegue modificar o padrão de comportamento. “O budismo é um treinamento da mente para que ela encontroe o seu espaço de paz  e tranquilidade e a pessoa tenha ações assertivas no mundo”, explica Coen Sensei.”

    Mas o que é ser assertivo por, exemplo, dentro das manifestações de junho em que jovens, policiais e violência tomaram as ruas motivados por uma justa reivindicação de honestidade e transparência governamental? Para a monja Coen, a manifestação foi bela e importante porque mobilizou uma multidão que lutou por causas importantes, mas o excesso de frequência e provocação fez com que perdesse a força. “Quando você escolhe uma forma de comunicação válida, não pode usá-la em todos os momentos. Se for toda semana, perde o poder.”

    O grau provocativo contido nos eventos  não contribuiu para a conciliação. “Dar uma flor a um policial é uma forma violenta de manifestação.” Treinados para proteger, os policiais consideram, na visão da monja, a flor uma desautorização pública. A budista acredita em acordos. Não apenas em mobilizações. Os acordos surgem em casa. São domésticos, podem ser feitos no campo de futebol para incutir a paz nos estádios. Os acordos surgem dentro do próprio ser. “O dia em que você sair na rua com o seu cachorro e não recolher as fezes dele, outras pessoas farão igual.”

    Para a monja Coen o mundo e as pessoas se transformarão através do treino mental e da educação. É preciso que nas escolas os alunos aprendam desde a base noções de filosofia, o modo de viver e pensar da cultura oriental para a expansão da consciência. “A mente precisa de atividade neural, assim como o corpo necessita de atividade física. É importante filosofar, pensar. A mente tem capacidade de aprendizado ilimitado.”

     

    Reconhecer e treinar

    Jornal Antena – Com o budismo, podemos treinar a mente?

    Monja Coen – “O budismo é um treinamento da mente para que ela encontre o seu espaço de paz  e tranquilidade e tenha ações assertivas no mundo.”

    Jornal Antena – Então, como podemos controlar a raiva através da  mente na hora em que ela aparecer?

    Monja Coen – “É preciso reconhecer, rotular a raiva. Perceber o acontece com o meu corpo, com a musculatura, com o meu diafragma e como fica a respiração, trabalhar naquilo que posso e fazer a respiração consciente.”

    Jornal Antena – São posturas práticas?

    Monja Coen – “Prática e fisiológica. Através da mudança fisiológica,e vou encontrar modificações de atuação verdadeira no mundo. Não é que eu controlo a raiva, não é que engulo o sapo, eu reconheço que é ela.  A raiva fica segundos no corpo, percebo o que a motivou e penso em maneiras de transformá-la.

     Formas de violência

    • Para a monja, os governos também são responsáveis por manter uma cultura de paz porque não dar assistência e saúde a população é uma forma de violência.
    •  A Justiça que solta criminosos e expõe os habitantes a insegurança não pratica a cultura da paz.

    • Quem se omite (governos, pessoas que percebem atos) comete violência.

    • Quem sai com cartazes violentos provoca violência

    • É preciso viver por direitos e não morrer por eles

    Perfil

    Monja Coen Sensei é fundadora da Comunidade Zendo Brasil, com sede no bairro do Pacaembu, São Paulo. Participa de caminhadas meditativas em parques de várias cidades do Brasil. Segue os ensinamentos de Buda na preservação do meio ambiente, na defesa dos direitos humanos e em prol de uma cultura de paz. Na mocidade foi jornalista na época da ditadura, depois foi para a Califórnia onde entrou em contato com a meditação e o budismo. Permaneceu oito anos num mosteiro feminino do Japão. Retorno ao Brasil, onde obteve lugar de destaque como mulher e budista engajada numa cultura de paz.

    Reportagem feita para a Revista Assim (Encantado, janeiro/2014)