Admirável mundo hipernovo


 Pela terceira vez reli o livro Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley. Talvez pela primeira vez, tenha compreendido melhor. A cada releitura, uma maturidade na compreensão das palavras, por isso tenho por mim que os melhores livros devem ser relidos a cada meia dúzia de anos.

 Huxley diz que seu livro tem um defeito grave, mas que ele n o remendaria em outra edição porque as falhas da narrativa, assim como os méritos poderiam ser apagadas. Em vez de chafurdar no remorso ele preferiu deixar o bom e o mau como estão.

Para ele, o defeito mais grave do livro foi prever apenas dois finais ao selvagem. A demência de uma civilização feita de servidão voluntaria ou se resignar a tribo indígena. Se ele reescrevesse, ele teria oferecido um terceiro final, a sanidade de espirito. O selvagem, que conhecia Shakespeare e era muito mais lucido algumas vezes do que o civilizado Depois De Ford suicidou-se ao final, ele reclamava o direito de ser infeliz.

Na civilização de Ford, o Soma é uma capsula que permite a fuga da realidade, algo como um prozac muito mais eficaz. O soma acalma e reconcilia e ajuda a suportar os dissabores. Na selvageria isso só era possível com anos de treinamento mental.

O selvagem queria escapar da contaminação da imundície da civilização e por isso, antes da morte acoitava-se. O selvagem chamava atenção por ser selvagem. Era um gorila ao lado do seu chicote. Mas o selvagem via os civis como menos humanos e citava Shakespeare para fazer analogias. “para os deuses somos como moscas para as crianças travessas, matam-nos para se divertirem.”

A meta de admirável mundo novo é mostrar que os governantes querem a estabilidade social. Na estabilidade não ha herois nem guerreiros, nao ha espaço para improviso e liberdade. É uma população de escravos que n são coagidos porque amam a servidão amor à servidão passa por condicionamentos que são feitos desde a infância.

O selvagem acha a civilização estupida, animaizinhos simpáticos e inofensivos.

O próprio Ford diria-lhe, a felicidade real sempre parece bastante sórdida em comparação com as supercompensacoes do sofrimento.

A estabilidade nao e nem de longe tão espetacular quanto à instabilidade.

A historia do livro se passa na era 600 depois de Ford, fazendo referencia a Henry Ford e ao fordismo, modelo de produção de automóveis em massa. No fordismo a empresa deve fabricar um tipo de produto e o funcionário deve ser altamente especializado na função e cada função com seu operário.

Depois de 15 anos após ter escrito o livro, Huxley disse em um prefácio de uma nova edição que a analogia n levaria 600 anos, mas apenas um século para acontecer.

Talvez nosso soma n seja mais o prozac e a fluoxetina, mas o Facebook e as redes sociais. Não encetamos nenhuma revolução porque estamos felizes demais conectados, ou então, infelizes, mas conectados e achamos que somos interativos com a multidão virtual. O compartilhamento de ideias e opiniões, todos somos um no admirável mundo hipernovo e hiperconectado. No mundo novo de Huxley, era bem assim também, ninguém podia estar sozinho. A solidão era inadmissível e todos deviam comungar de todos.

Huxley em 1930 quando o livro foi escrito nao previu as redes sociais, mas a morte de Deus, das revoluções, da nobreza e do heroísmo. Em vez de geração y e z, ele falava de geração alpha e ípsilones, estes últimos, nascidos para fazer o trabalho duro e ainda assim serem felizes. A felicidade nesse admirável mundo novo era de uma simplicidade infantil, nenhum esforço nem da mente nem dos músculos. Nosso admirável mundo hipernovo n seria depois de Ford, mas depois do Facebook. ÊEE,oo,Admirável gado novo, povo em permanente postagem é povo feliz.

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