Tudo é urgência no planeta emergência


Alice no País das Maravilhas, ao atravessar o espelho, encontra uma realidade simulada, uma realidade que não é de fato verdadeira. Dentro tem um coelho apressado, nos braços de Morpheus, o deus do sono. A pressa hoje é uma característica do jornalismo e do mundo moderno e por causa dessa pressa, vivemos apenas um recorte da realidade. Vivemos num mundo de simulação, o mundo é um simulacro.  Tudo é urgência quando os jornalistas repetem o comportamento do coelho de Alice: “É tarde, é muito tarde”.

Hoje vivemos em universo oceânico de informações porque elas estamos vorazes por novidades e notícias, independente de como ela seja. Também estamos vorazes por consumo, por cultura.

Muita informação leva à entropia e à desinformação”. De fato, muita luz pode cegar e isso ocorre pelo aumento da conectividade e o crescimento exacerbado das redes sociais.

Hoje vivemos a solidão virtual ou a solidão interativa.  Estamos na era 3 c, curtir comentar e compartilhar e isso tem formado um homem cada vez mais narciso e com menos vínculos reais.

Na solidão da multidão em rede, o homem se submete a ilusão do encontro”. Estamos vivendo a era do vazio. E estamos vazios justamente pelo excesso de informações e solicitações nas redes sociais.

O pensador Lipovestky  descreve a sociedade contemporânea como sendo de hábitos a “La Carte”, acreditando que a ‘era do vazio’ esteja ligada a um tempo de desorientação agravada pelo individualismo e pelo excesso de ofertas sobre tudo: viagem, diversão, alimentação, dieta, roupas, carros, etc. Se, ao final desse menu, a satisfação não for encontrada, há ainda opções de medicações, psiquiatras, medicina alternativa e religiões. “Há, portanto, com a sociedade de hiperconsumo, uma fragilização dos indivíduos”.

O jornalismo também está fragilizado.  Hoje vivemos a era da imagem, muito pouca gente quer ler coisas profundas, mas todo mundo ama ver imagens. O jornalismo abre mão do conteudo por imagens. É mais estética do que ética.

Meu trabalho faz um chamado ao resgate da curiosidade jornalística e da produção desvinculada da tirania do fator tempo. Antes de oferecer a notícia primeiro, o desafio é oferecer a mais bem apurada notícia.

Enquanto as imagens apelam às nossas emoções, os elementos textuais apelam ao nosso intelecto. Parece que estamos optando por sentir fortes emoções.

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