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O sendo palpita o mundo


Entre o ser e o não ser, existe o sendo que é a razão de estarmos a cada passo transformando, negando e produzindo sentimentos

Eu entro e saio de mim mesmo perpetuando a sangria desatada de vida. Os doutores elaborariam como ansiedade, os filósofos como o transbordar do pensar, os céticos como atos violentos contra o próprio ser. As vezes me inebrio com meus pensamentos que são tão divergentes quanto um somali comer cup nuddles em delivery dos Estados Unidos. Da divergência, vem o encaixe. Ao perceber o símbolo do perpétuo – a cobra mordendo sua própria cauda – nos damos conta de que os fatos retornam às vezes em atos extraordinários, noutras em noções ambíguas de pensamentos perturbadores. O universo se importa com o sentir e todos os sentimentos do mundo, ambientados em uma população de 7 bilhões de pessoas geram poderes extraordinários dentro de um cosmos que desconhecemos, mas que teimamos em julgar que somos grande coisa numa micropartícula do universo incalculavelmente infinito. Temos o quê da vida? A certeza de que partiremos, mas não vislumbramos essa data e jamais desejamos pensar nela. É dela que floresce o desespero, mas também o alento de constatar que o multiverso age em seu ciclo encantador, propulsor e mesmo, detonador. De paixões, vontades e angústias. De satisfações, altruísmo e veleidades. A vida, assim como a morte, fazem parte do átomo inicial. Estamos aqui para viver esse “big bang” que se repente em seu ciclo infinito. E se é para continuar sendo, vamos continuar sendo queimados, de alegria ou sofrimento. O sendo é um verbo ágil, alquímico, se transmuta em cada instante. Cada sendo é um deve ir, e outro está vindo. Uma propulsão se seres sendo todos dentro de um só em cada um de nós. Sendo nós, desatamos nós.  Encontros que temos com o mundo assim como joelhos que batem na quina da mesa fazem parte do devir. Sendo assim, serei eu mesma, com vocações e inaptidões. O universo me faz ser. E sendo, eu também escrevo e descrevo sensações. Sendo, também não-sou. Todo sentimento não vivido dentro de mim se transforma em um não-vir ou mesmo devir, poderá ser amanhã, mas hoje não mais. O sendo palpita no mundo e paira em todos nós. Raul Seixas “Se sendo é um verbo, prefiro continuar sendo calado”